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Milhares de trabalhadores protestaram no Dia Nacional de Lutas
Data: 14/11/2017

Pelo quatro cantos do país, ocorreram protestos de milhares de trabalhadores dos setores público e privado, no dia último 10, Dia Nacional de Lutas, Mobilizações e Paralisações. Os manifestantes foram às ruas dizer “não” à Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17), do governo Temer, que altera cem pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Além da revogação da nova lei, movimentos sociais e sindicais exigiam o arquivamento da Reforma da Previdência, a revogação da Lei das Terceirizações e da Emenda Constitucional (EC) 95/16, que congela recursos aos serviços público, e da Medida Provisória (MP) 805/17, este último o mais recente ataque aos servidores.

As mobilizações iniciaram, na madrugada de sexta-feira, com metalúrgicos, químicos, petroleiros e têxteis impedindo a abertura de fábricas e fechando estradas e avenidas nas cidades. Docentes e demais categorias do serviço público, operários da construção civil, rodoviários, bancários, trabalhadores dos Correios também realizaram manifestações.

Atos pelo País

No Rio de Janeiro (RJ), os trabalhadores se concentraram na Candelária e saíram em passeata pela Avenida Rio Branco até chegar à Cinelândia. A manifestação contou com a participação dos docentes das seções sindicais e dos diretores do ANDES-SN, que estavam na capital fluminense para o Seminário dos 100 anos da Revolução Russa e a Reorganização da classe trabalhadora, realizado nos dias 9 e 11. Os manifestantes reivindicavam uma nova Greve Geral no país, Fora Temer e Fora Pezão.  Os servidores da rede estadual e municipal do Rio somaram-se à luta e protestaram pela falta de pagamento, reajuste salarial, 13º salário e contra a perseguição ao movimento sindical.

Em São Paulo (SP), houve mobilizações na capital, na região metropolitana e no interior em fábricas metalúrgicas e de outras categorias, como químicos, petroleiros, trabalhadores dos Correios, com assembleias e atrasos na entrada dos turnos. Mais de 10 mil trabalhadores, entre eles, docentes das universidades públicas paulistas, se reuniram na Praça da Sé, e percorreram as principais ruas da capital em protesto contra as medidas propostas pelo governo Temer e Congresso que retiram os direitos dos trabalhadores.

Em Mossoró (RN), docentes da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) se reuniram às 7h, no Centro. Além da conjuntura nacional, os docentes – em greve por tempo indeterminado -, sofrem com os atrasos salariais há mais de 20 meses, além de um processo de total precarização nas condições de trabalho, insegurança e a recente suspensão do plano de saúde da categoria, por falta de pagamento. Trabalhadores de diversas categorias realizaram um grande ato em Natal, percorrendo as principais ruas da cidade.

Em Salvador (BA), os docentes da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) estiveram presentes e somaram forças à passeata contra a reforma trabalhista e as demais políticas de cortes contra a classe trabalhadora, impostas pelo governo Temer. Na madrugada de sexta, ocorreu paralisação no polo petroquímico e nas indústrias e diversos atos durante o dia, como a passeata com destino a sede do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). No mesmo dia, houve panfletagem na Universidade de Feira de Santana (UEFS).
Já em Fortaleza (CE), operários da construção civil pararam obras e tomaram as ruas, assim como os rodoviários que realizaram protesto no início da manhã. Docentes e técnicos da Universidade Estadual do Ceará (UECE) se uniram às demais categorias contra a reforma Trabalhista, pela defesa dos direitos sociais e em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.

Em Minas Gerais, o Dia de Lutas começou com assembleias e protestos em fábricas metalúrgicas, da mineração, frigorífico e outras, em cidades como São João Del Rei, Itajubá e Betim. Em Belo Horizonte, a passeata percorreu as ruas do centro, com faixas e cartazes denunciando as reformas, o governo Temer e o Congresso.

Em Porto Alegre (RS), mais de cinco mil manifestantes - entre professores, funcionários públicos estaduais e federais, metroviários e metalúrgicos -, protestaram contra as medidas dos governos Temer e de Sartori que promove um desmantelamento do serviço público no Estado gaúcho. O ato teve forte participação de estudantes e professores que denunciaram a tentativa do governo de fragilizar o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), cuja continuidade está ameaçada. Com os gritos de Fora Temer e Nenhum direito a menos, a manifestação percorreu ruas centrais da cidade. A categoria aprovou também indicativo de greve.

Os docentes da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), no RS, em unidade com outras categorias realizaram, na tarde de sexta, um abraço simbólico ao prédio da Justiça do Trabalho. No Paraná, foi realizado o Dia Nacional de Lutas em Curitiba, com a participação dos docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e demais entidades. Em Foz do Iguaçu, os professores da Unila participaram do ato público em defesa dos direitos sociais, organizado pela Unidade Sindical e Popular da cidade.

Docentes da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Estado do Pará (UEPA) participaram em Belém dos protestos do dia 10. Os manifestantes percorreram às ruas da cidade em direção ao mercado do Ver-o-Peso. A concentração se deu ainda pela manhã em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Em Manaus (AM), os trabalhadores deram o recado aos governos e realizaram ato unificado contra as reformas impostas pelo governo Temer, na sexta, na Praça da Polícia, no centro da capital amazonense. Os manifestantes também se posicionaram contrários ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e os ataques à Educação.

Em Brasília (DF), os trabalhadores se manifestaram na Universidade de Brasília (UNB) e denunciaram as demissões em massa de trabalhadores terceirizados e conclamaram o movimento estudantil a lutar e resistir junto com os trabalhadores terceirizados e servidores aos ataques do governo federal e da reitoria. Os trabalhadores da companhia elétrica e os metroviários estão em greve e sofrem com um duro pacote de ajuste fiscal no DF, sucateando os serviços públicos e degradando as condições de trabalho dos servidores públicos e das empresas estatais. Eles também sofrem com as ameaças de corte de ponto e judicialização dos movimentos paredistas, numa tentativa do governo distrital de impedir o legítimo direito de greve dos trabalhadores.

“O 10 de novembro foi mais um passo na direção de recuperar a mobilização conquistada no primeiro semestre deste ano. Agora é construir a caravana a Brasília no dia 28 de novembro proposta pelo Fonasefe [Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais] e intensificar as mobilizações rumo à uma nova Greve Geral no país”, avaliou a presidente do ANDES-SN, Eblin Farage.

Fonte:
ANDES-SN
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