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  07/11/2019



“Sempre resistimos desde que chegamos aqui em navios negreiros e essa resistência precisa ser contada”, afirma Zelma Madeira em Seminário da ADUA



“Racismo Estrutural e Ações Afirmativas” foi tema de palestra da professora doutora Zelma Madeira, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), durante o Seminário “Racismo Estrutural e Os Desafios para a Educação Pública”. Organizado pela Seção Sindical, o encontro ocorreu na nesta quarta-feira (6), no auditório da ADUA, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).


A professora Zelma explicou que a maneira como negras e negros foram tratados durante o período da escravidão foi reconfigurado após a abolição da escravatura sobre forma de racismo estrutural. “Não se pode fazer uma ligação direta, linear de escravidão e racismo. Nós não estamos do mesmo jeito. O racismo não é resquício da escravidão, porque se assim fosse nós poderíamos crer que a solução está em um choque de modernidade. Também não podemos dizer que temos herança da escravidão, nós temos a recriação sobre novas bases, sobre novas institucionalidades”, afirmou.


Durante o seminário, a doutora explicou que o racismo decorre da própria estrutura social, do modo como se constitui as relações politicas econômicas, jurídicas e até familiares. “Racismo estrutural não é só os desarranjos institucionais, envolve comportamentos individuais, processos institucionais, é derivado desse racismo maior, essa forma sistêmica (...) não é tão simples como vamos fazer para enfrentar o racismo, como vamos construir uma sociedade democrática em termos sociais se não mexer nesta estrutura”, comenta.


Depois da abolição da escravidão no país, o Estado não se preocupou em implantar politicas impulsionadoras da inclusão da população negra, o que implicaria profundas mudanças nas relações sociais e, principalmente, econômicas. “A preocupação não era de política de reparação, mas de conter essa massa de cativo que estava liberta agora. O Pacote Anticrime [Sérgio] do Moro não é outra coisa senão a recriação da escravidão. Nós não saímos após abolição como classe trabalhadora, mas como classe perigosa. Lá atrás se cria as condutas criminalizadas, recriadas agora”, explica a docente.


A chegada da discussão do tema racismo dentro da perspectiva do conhecimento, da ciência e da universidade questionou, por exemplo, a ideia do caráter passivo das massas. “Clóvis Moura [sociólogo] diz que é preciso falar do Brasil escravagista e do Brasil escravizado, dentro da leitura marxista, se não coloco as contradições nunca vou entender essa história, que foi silenciada”, disse. A professora ressalta que Clóvis Moura e muitos autores vão identificar a forte participação de escravizados na luta antiescravista levando ao colapso daquela ordem social. “Sempre resistimos desde que chegamos aqui em navios negreiros e essa resistência precisa ser contada e compreendida por uma escuta qualificada”.


Zelma Madeira chama atenção para o fato de que o racismo no Brasil não está posto apenas nas relações interpessoais, mas o que o país se ergueu com um projeto de nação racista. Isso é visto na História quando o Estado estimula a mestiçagem como forma de “melhorar o sangue”. “Precisamos fazer uma análise crítica da mestiçagem, puxando para a harmonia e não para a contradição, não para a diferença, a segregação, a violação de direitos”, afirma lembrado o mito da democracia racial brasileira, ou seja, de uma vivência harmonia e feliz, negando situações como, por exemplo, os estupros de negras e indígenas.


Desafios


Para a estudiosa, entre os desafios estão: descontruir essa estrutura, combater a discriminação, promover direitos e responsabilizar os violadores, e garantir uma convivência intercultural, nas universidades, com esses grupos étnicos. “A diferença só é problema quando ela escalona, quando ela hierarquiza, quem domina e quem é dominado, mas a diferença aberta a reciprocidade como uma grande circulo, ela é aberta a diversidade, e ela so pode demonstrar riqueza e crescimento, é neste sentido que nós precisamos combater ao racismo, que não está apenas na relação interpessoal, mas é institucional, porque é estrutural, deita raiz na nossa instituição”, afirma.


O seminário contou, ainda, com as palestras “Racismo e Intolerância Religiosa na Universidade”, com o professor doutor Linconly Pereira (Unilab), e “Racismo contra Indígenas na Universidade”, com a liderança indígena, Ely Macuxi.

 

Fonte: ADUA-SSind.

 



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