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Violência e Corrupção nos países colonizados
Por Isaac W. Lewis

Um dos aspectos institucionais que faz parte do estado burocrático de direito, estabelecido nos países colonizados da América (incluindo os Estados Unidos), África e Ásia é a conjugação da violência com a corrupção com o objetivo de dominar e explorar as populações nativas e  trabalhadoras em benefício das classes privilegiadas das metrópoles colonialistas ou neocolonialistas.

As classes favorecidas dos países colonizados são instrumentalizadas para fazerem parte do sistema político, jurídico, militar e policial com o objetivo de manterem a ordem, o progresso e a paz na periferia do capitalismo. Por isso, os funcionários qualificados das classes favorecidas (ministros, juízes e secretários de segurança, principalmente) costumam realizar ações repressivas (militares e policiais) espetaculares contra as classes desfavorecidas (povos nativos e trabalhadores, em geral) para garantir a espoliação das riquezas materiais e a exploração dos recursos humanos desses países.

As operações policiais e militares espetaculares promovidas pelos governantes contra as classes desfavorecidas e que têm resultado em injustiças e mortes de pessoas nativas e trabalhadoras não são e nunca foram fatalidades desde que os colonizadores chegaram aos países colonizados. São, na verdade, processos de exibição e de manifestação de força para intimidar a população espoliada na tentativa de impedi-la de pensar e de se rebelar. Ledo equívoco, é claro. Por isso, a repressão precisa ser contínua e interminável.

Os funcionários qualificados passam a propor morte (assassinato legal) sem julgamento de criminosos das classes desfavorecidas, talvez para impedi-los de delatarem as altas autoridades comprometidas em crimes de corrupção. Manter presos esses criminosos constitui possível perigo à aparência de idoneidade que essas autoridades procuram propagar. Também a insistência dessas autoridades e de especialistas em segurança em denominar de traficantes simples vendedores de drogas e de armas lança uma cortina de fumaça sobre os verdadeiros beneficiários das operações de repressão espetaculares que são as grandes empresas internacionais de armas e de equipamentos militares e policiais, as quais vendem armas e equipamentos tanto para o bem quanto para o mal.

Como as autoridades de segurança pretendem combater realmente a violência na periferia do capitalismo sem realizar operações de combate à corrupção praticada por políticos, juízes e policiais? Como pretendem combater a violência na periferia do capitalismo sem fazer auditoria e investigação das relações entre políticos e militares de países colonizados e os empresários de armas e equipamentos militares de países colonialistas? A corrupção faz parte das práticas políticas das classes privilegiadas de países colonizadores e das classes favorecidas de países colonizados. No Brasil, essa é uma prática hegemônica que vigora desde a chegada dos colonizadores à América.

*Isaac Warden Lewis é professor aposentado da Faced/Ufam 
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