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Verdades e mentiras sobre a "crise humanitária" na Venezuela
Por Faustino Torella Ambrosini

A Venezuela se transformou no centro da atenção mundial. Independente da ocorrência de fatos relevantes como assassinatos de líderes sociais e políticos, atos de corrupção, violação de direitos humanos, golpes de Estado e fraudes eleitorais em outros países, a notícia é sempre a Venezuela e com o agravante que são sempre notícias negativas. Uma das tantas falsas notícias (fake news) que circula diariamente é o suposto estado de “crise humanitária” na qual submerge a realidade venezuelana.

Para falar neste tema, vamos citar duas personalidades. Uma delas é Alfred de Zayas, que realizou sua primeira visita como relator da ONU [Organização das Nações Unidas] à Venezuela e, em 21 anos, nunca enviou nenhum de seus funcionários ao país.

Zayas esteve de 26 de novembro a 4 de dezembro de 2017 na Venezuela e disse: "É bem verdade que existe escassez de certos alimentos, medicamentos e itens de higiene pessoal, há atrasos na distribuição, existem longas filas para alguns alimentos racionados, existe angústia, mal-estar, existem irregularidades institucionais e constitucionais (como em tantos outros países do nosso mundo sofredor!), mas a situação está muito longe de uma "crise humanitária" como a de Gaza, Iêmen, Líbia, Síria, Iraque, Haiti, Mali, República Centro-Africana, Sudão, Somália e Mianmar. Não deixa de ser significativo que, em 2017, quando a Venezuela solicitou assistência médica do Fundo Global, o pedido foi rejeitado porque "a Venezuela ainda é um país de alta renda... e, como tal, não é elegível". Durante minha visita de oito dias à Venezuela, eu discuti a questão com especialistas da FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura] e da CEPAL [Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe]. O Relatório de 2017 da FAO lista crises humanitárias em 29 países. A Venezuela não está entre eles".

Outra personalidade que deve ser citada sobre o assunto é a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena. "A Venezuela não atravessa uma crise humanitária", afirmou categoricamente, acrescentando que "apesar da escassez de alguns produtos e a tensão política, a Venezuela não atravessa uma crise humanitária e está realizando esforços para que sua economia, que depende quase exclusivamente da renda petroleira, diversifique suas entradas".

Bárcena afirmou, ainda, que "na Venezuela tem havido numerosos avanços sociais e não se pode concluir que o país que tirou muitas pessoas da pobreza está em uma crise humanitária, definitivamente não, tem que deixar isso bem claro. Existe escassez de certos produtos e tensão política, mas a Venezuela tem ainda muitos elementos para ser um país vibrante e economicamente pujante e está fazendo esforços para diversificar sua matriz produtiva".

A Venezuela é produtora e exportadora de petróleo.  O país exporta em torno de 1 milhão 650 mil barris diários de petróleo bruto. Hoje, o valor por barril chega a 58 dólares. Em termos econômicos, outros itens importantes que devem ser considerados são o ouro, - sendo a Venezuela o quarto país em reservas comprovadas -, Coltan, Trorio, Ferro, Água e muitas outras matérias primas.

Como muitos outros países, a Venezuela tem seus problemas e luta diariamente para resolvê-los. Apesar dessas problemáticas, 74% da arrecadação fiscal do país é revertida em programas sociais para a população venezuelana.

*Formado em História, professor na Escola de História da Universidade Central de Venezuela há 10 anos e cônsul-geral, chefe titular do Amazonas, Acre e Rondônia, desde 3 de 2013.
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