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Docentes da Ufam criticam nova proposta do governo



Em Assembleia Geral (AG) realizada na tarde desta quarta-feira (25), os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em greve há 70 dias, avaliaram a segunda proposta apresentada pelo governo federal ao Comando Nacional de Greve (CNG) da categoria, na última terça-feira (24). No entendimento dos docentes, o texto mantém a desestruturação da carreira e deixa de fora questões relativas às condições de trabalho. O encontro, realizado na sede da Adua, não teve caráter deliberativo, mas consultivo.

“O nosso objetivo é, nesse primeiro momento, ouvir as indagações dos docentes a respeito da nova proposta do governo e a avaliação que cada um faz a respeito da mesma”, explicou o integrante do Comando Local de Greve (CLG) e 2° tesoureiro da Adua, Luiz Fábio Paiva. As considerações apontadas pela categoria servirão como subsídio para a próxima AG, essa sim decisória, prevista para ocorrer na próxima segunda-feira (30), a partir das 10h, na sede da entidade, no Campus Universitário.

Antes das intervenções, os professores fizeram a leitura do posicionamento do CNG/Andes-SN em resposta à primeira proposta apresentada pelo governo, no dia 13 de julho, quase dois meses após a deflagração da greve. O documento foi entregue ao governo na última terça-feira (23), durante um encontro que foi protelado por menos duas vezes nessa data. “O governo apresenta uma tabela de preço e não um projeto de carreira e por isso não atende à nossa reivindicação principal. Não há diálogo com o governo”, criticou o professor Ademir Ramos.

Em coro com Ramos, o professor Jorge Catique lembrou que, nas negociações com os trabalhadores, o governo costuma deixar as questões mais importantes da pauta para depois, tentando ludibriar a população. “Ai a sociedade começa a criticar a categoria por desconhecer os reais motivos da recusa do aumento. É preciso combater esse discurso do governo!”, afirmou.

Para o professor Marcelo Seráfico, integrante do CLG, o governo age com base em um “roteiro de farsa”. “O primeiro ato foi ficar um ano e meio em silêncio. Depois, o governo partiu para o monólogo. E, no terceiro ato, negocia com o Proifes, entidade que não representa os professores em greve”, alertou o docente, cuja análise revela as estratégias do governo para tirar o foco da discussão sobre a carreira e migrar para a divulgação massiva do aumento salarial proposto. “A gente precisa se apropriar das informações que aparecerem para fazermos um debate qualificado sobre o assunto”, completou Seráfico.

O professor aposentado Menabarreto França também destacou a tentativa do governo de enfraquecer o movimento paredista dos servidores públicos ferais, se favorecendo das matérias jornalísticas veiculadas, sobretudo, pela principal rede televisiva do país. “Todos nós sabemos que a greve é forte e hoje a luta é eminentemente política”, avaliou, acrescentando que a categoria precisará concentrar esforços na construção de reflexões cada vez mais aprofundadas.

Pesar

Durante a AG, os professores também lamentaram o falecimento, na madrugada desta quarta-feira (25), do professor Cristiano Matias Neto, do curso de Filosofia da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e ex-diretor da Associação de Docentes da instituição de ensino (ADUFPI/SSIND). O docente faleceu após passar mal em sua residência, vítima de complicações da leucemia. “A única forma de homenagear o professor Cristiano é continuar a luta e fortalecer o movimento”, disse o professor Luiz Fernando Souza, que será o próximo docente da Ufam a representar o CLG no Comando Nacional de Greve, em Brasília.

Fonte:
Adua



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