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3º Congresso da CSP-Conlutas: só a unidade pode barrar retrocessos



Data: 23/11/2017

Durante quatro dias, trabalhadores de todo o país, entre eles cem professores das seções sindicais e diretoria do ANDES-SN, concentraram esforços na (re)leitura da conjuntura nacional e internacional e na formulação de iniciativas para combater a agenda regressiva imprimida pelo capital contra a classe trabalhadora dentro e fora do país. Esse esforço se deu no 3º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, realizado de 12 a 15 de outubro em Sumaré (SP), evento que reuniu mais de duas mil pessoas de todo o Brasil e definiu uma série de resoluções com ações para já, propostas pela categoria docente, por meio do Sindicato Nacional.

Uma das tarefas centrais no pós-congresso é construir a unidade na luta e a reorganização dos trabalhadores, a partir do fortalecimento da CSP-Conlutas como central independente, classista e autônoma de governos e patrões, se opondo fortemente ao projeto de conciliação de classes que perdurou nos governos petistas de Lula e Dilma e se intensificou no governo peemedebista de Temer. Para isso, a indicação do ANDES-SN é a busca pelo diálogo permanente com todas as organizações da classe trabalhadora, sindicatos e movimentos populares e sociais em uma agenda contra a política conservadora e autoritária do governo que impõe ajustes a partir da retirada de direitos e do corte de recursos para o setor público.

A perspectiva é que a classe trabalhadora  construa uma estratégia de mobilização intensa para barrar todas as medidas já aprovadas e que ainda estão em curso, oferecendo resistência à decisão de congelar os investimentos públicos sociais por 20 anos, à contrarreforma trabalhista e à Lei das Terceirizações, bem como frear a tentativa de aprovação da contrarreforma da Previdência e qualquer outra iniciativa que amplie, ainda mais, a precarização das condições de trabalho  e de formação de crianças e jovens, como as ideias da contrarreforma do Ensino Médio e do tenebroso programa Escola Sem Partido.

Os trabalhadores já perceberam – e isso ficou evidente na análise feita pelo Sindicato Nacional – que os ataques direcionados à classe não é exclusiva no Brasil, mas decorre de uma crise estrutural do capital, que só consegue manter-se às custas de precarização; de retirada de direitos conquistados após muita luta; apropriação de recursos públicos por parte de instituições bancárias e rentistas e, ainda, exploração predatória dos recursos naturais sem qualquer compromisso com o amanhã, características todas que rondam a preservação da ordem burguesa e ficam cada vez mais evidentes em discursos de presidentes como o norte-americano Trump e o francês Macron. Tendência expressa também por Temer e seu staff.

“Os ataques que vivemos no Brasil não são exclusivos nossos e fazem parte da crise internacional do capital. Uma crise estrutural do capitalismo que vem, no mundo todo, impondo contrarreformas nos estados nacionais, que retira o direito dos trabalhadores, que ataca as políticas públicas e sociais que atendem as populações mais pobres dos países. A crise é internacional e faz-se necessária uma organização internacional da classe trabalhadora”, afirmou a presidente do ANDES-SN, professora Eblin Farage.

Organização e Paridade

Além da resolução sobre conjuntura nacional e internacional, outras contribuições do Sindicato Nacional foram aprovadas durante o Congresso da CSP-Conlutas. Uma delas trata-se da garantia de paridade (50%) na participação de mulheres na Secretaria Executiva Nacional (SEN) da Central, aumentando a participação e representatividade delas na organização. Outra resolução refere-se à intensificação de ações de formação política e de apoio a movimentos da base da CSP-Conlutas.

Quais as conclusões dos delegados enviados sobre a 3ª edição do Congresso da CSP-Conlutas?

Aldair Andrade: “Somente a classe trabalhadora unida, em prol de projetos comuns, é capaz de imprimir uma resistência significativa contra a retirada de direitos imposta. Há muitas entradas, perspectivas e tendências entre nós, porque essa é uma Central diversa e isso ficou evidente por conta da polissemia de vozes. Mas só podemos avançar contra essa agenda regressiva, se começarmos a encontrar pontos de convergência na luta contra o capital”.

Alcimar Oliveira:
A despeito do quadro de violenta regressão social e política, cuja marca mais perversa são os mais de 23 milhões de trabalhadores desempregados, o 3º Congresso de nossa CSP aglutinou os setores mais avançados da luta e da resistência do povo brasileiro diante da guerra social que o Estado burguês promove contra os direitos coletivos. O Congresso demonstrou que há braços e mentes com consciência de classe do lado de cá da luta”.

Laura Miranda: “Não há dúvidas de que a análise de conjuntura realizada ofereceu um parâmetro da dura realidade a ser enfrentada por todos os trabalhadores. Entende-se que é urgente e necessário manter um calendário de lutas e mobilizações, mas acima de tudo é preciso que as bases assumam este protagonismo, compreendendo que não há como manter-se calado diante dos ataques ofensivos e retirada de direitos. As lideranças têm o seu papel, mas a força deve vir da base”.

Marcelo Vallina: “A análise de conjuntura mostrou a importância e o protagonismo da CSP-Conlutas nas mobilizações e na greve geral de 28 de abril [deste ano]. A Central, diferente das outras, está insistindo no enfrentamento a esse governo que só retira direitos. Não há dúvidas de que a tendência é piorar a situação dos trabalhadores: vão tentar impor outras reformas. E o enfrentamento a esse desmonte passa pelo fortalecimento da organização. A saída não pode ser individual”.

Fonte:
ADUA



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