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Entrevista: Jorge Coimbra, da eleita Regional Norte I



Professor Jorge Coimbra, 1º vice-presidente eleito da Secretaria Regional Norte I pela chapa 1, avalia as eleições do Sindicato e aponta suas perspectivas. O docente esteve na mesma função na gestão presidida pela professora Marina Pinto, em 2004-2006. Em entrevista ao Jornal da Adua, ele aponta os novos desafios. Abaixo, confira a entrevista na íntegra.

Como o senhor avalia as eleições desse ano do Sindicato, sobretudo em relação à participação dos docentes?

Vários foram os docentes incorporados ao sistema federal de ensino superior. A eleição por si só coloca em relevo o papel político-classista do sindicato para esses novos membros de classe média acadêmica que muitas vezes se encontram isolados em seus laboratórios com suas preocupações restritas ao mundo acadêmico. Traz à luz a sua condição de trabalhador assalariado, que, não obstante, tem que encarar suas condições de trabalho no dia-a-dia, fechando a conta no final do mês.

A cultura política hoje instalada não é favorável a esse tipo de sindicato, e, sim àquele tipo mais corporativo que luta por benefícios específicos ao sabor da disposição do humor do governo de plantão.

As eleições com chapa única, com participação menor do que em eleições passadas, não representa à primeira vista uma disposição menor para o enfrentamento, mas sim um desafio, uma responsabilidade a mais para aqueles que apostam nesse tipo de sindicato.

O senhor já presidiu a Secretaria Regional Norte I na gestão da professora Marina Pinto. O que o senhor espera dessa gestão?

Sim, participei. Naquela época, vários desafios estavam colocados, sobretudo, o movimento de saída da CUT e a criação de um pólo de resistência frente ao assedio dos organismos governamentais aos vários movimentos sociais.

O desafio atual é buscar fortalecer a entidade, combater todas as formas de contratação precária de docentes, lutar pela garantia dos direitos sindicais e trabalhistas reafirmando, como princípios, a liberdade de organização sindical e o direito de greve, estabelecer alianças com os setores que defendem o ensino público e gratuito. Enfim, são velhas bandeiras.

Espero que essa gestão continue reafirmado-os e consiga transformar esses valores em ações coletivas de luta.

Há desafios que permanecem? Quais os novos?

A precarização docente está sempre na ordem do dia, sobretudo diante do movimento populista de expansão da oferta do ensino superior das federais. Pois essa expansão está sendo realizada com o sacrifício da qualidade, das condições de trabalho. As verbas de custeio não acompanham esse movimento de expansão. Isso faz com que em muitas instituições haja uma rápida deterioração das já precárias condições de trabalho.

Outros desafios são incorporar novos docentes ao sindicato e avançar no Setor das Instituições Particulares de Ensino Superior (IPES).

De que forma o Andes-SN poderá trabalhar na Região Norte para fortalecer o Sindicato, trabalhando na contramão do Proifes?

A região norte é um imenso território, até bem pouco tempo as instituições federais dominavam a região, hoje o quadro mudou, o setor das particulares passou a ser hegemônico. A região Norte 1, reúne o Acre, Rondônia, Amazonas e Roraima, a presença do Proifes se dá em dois estados, Acre e Roraima, muitas vezes por conveniências locais. Certamente que a nossa presença com maior intensidade nesses locais fazendo um trabalho político pode reverter esse quadro, levando como questões essenciais a discussão das relações de trabalho.

Mas também, há que se ter em mente que a presença do Proifes na região, por vezes, se dá por questões de disputas locais. Então, é preciso trabalhar melhor essas questões não tão substantivas e ocupar os espaços.

Existem assuntos ou demandas específicas da região, que poderão ser pautados nos encontros nacionais do Andes-SN e na pauta de discussões e reivindicações do Sindicato?

A região vem atravessando um processo de transformação econômica, sobretudo diante da valorização do commodities no mercado internacional, pressões sobre a terra na região vêm se intensificando. Vários grupos sociais vêm sendo atingidos.

O fortalecimento das alianças regionais é fundamental para levar uma luta coletiva, bem como, incorporar demandas específicas para não perder o foco local, como questões de saúde do trabalhador, precarização das condições de trabalho, funcionamento dos órgãos colegiados nas IES particulares, muitas das quais só conhecem colegiados no papel. E até mesmo lutar pela manutenção das seções sindicais, frequentemente elas se desarticulam por falta de militantes docentes e tem que ser reconstruídas.



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