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Ato “Ufam sem LGBTfobia” marca defesa da diversidade no Campus



Data: 18/01/2017

“Nem menos, nem mais. Direitos iguais!”. Com essas e outras palavras de ordem, professores, técnicos e estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) intensificaram nesta quarta-feira (18) o combate ao discurso de ódio e preconceito na instituição. A manifestação “Estamos Aqui para Viver: Ufam sem LGBTfobia” transformou a palavra “ódio”, deixada em uma mensagem na porta de banheiro do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), em um direito fundamental de todos: o direito à vida.

Esse foi o tom das mensagens deixadas por representantes dos segmentos da comunidade acadêmica, de várias organizações vinculadas ao movimento LGBT+ e ainda de instituições ligadas aos Direitos Humanos e Cidadania. “É dia de celebrar o respeito, celebrar a diversidade, celebrar as diferenças e marcar o nosso repúdio consistente ao discurso de ódio na Ufam”, disse a professora do curso de História, Patrícia Sampaio, uma das proponentes da inciativa, junto com outras docentes integrantes do Conselho de Representantes da Associação dos Docentes da Ufam (ADUA).

Para uma das integrantes do Observatório da Violência de Gênero no Amazonas, professora Flávia Melo, a recente pichação que ganhou destaque nas mídiais sociais e chamou atenção da comunidade acadêmica provoca reações distintas. “Essa pichação nos revela o quanto esse tipo de ódio também ocupa o ambiente universitário, um espaço que se concebe para a liberdade, o livre pensar, para se conviver com as diferenças. Ao mesmo tempo em que nos amedontra, nos alerta que isso está muito próximo de todas as pessoas”, afirmou.

Ela avalia que esse tipo de prática deve ser combatido por meio de ações como a promovida nesta quarta. “O que mais importa nesse momento não é procurar culpados e sim promover atividades dessa natureza, além de ações a médio e longo prazo no Campus e nas unidades fora da sede”, destacou Flávia, docente da Ufam em Benjamin Constant, no Instituto de Natureza e Cultura (INC). “Ainda há muito silêncio e pouca informação”, completou.

Silêncio que pode ser quebrado, além das manifestações, agora com uma novidade anunciada pela titular da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Graça Prola. “Estamos criando, junto com a Secretaria de Segurança Pública, uma delegacia especializada em crime de discriminação, preconceito e intolerância religiosa, além de LGBTfobia. Agora vamos ter um conjuntura que nos aponte caminhos no combate à violência contra esses segmentos”, revelou.

A secretária estadual disse ter recebido com certa surpresa a informação sobre o episódio ocorrido na Ufam. “Considero inadmissível em um ambiente tão plural como a universidade ainda verificar esse tipo de situação e da forma que é manifestada. Essas coisas não estão só nos bastidores, mas evoluindo para uma visibilidade maior”, avaliou. Por isso, ela orienta que atos públicos como o desta quarta-feira sejam realizados na instituição. “São esses tipos de atos que devem chamar atenção da comunidade acadêmica para frear e banir esse tipo de problema”, completou.

Para a coordenadora geral da Parada do Orgulho LGBT+ no Amazonas, Bruna La Close, só é possível combater, de fato, a LGBTfobia com práticas que transformem a pessoa preconceituosa. “O nosso trabalho é combater a LGBTfobia não com violência, mas reivindicando nossos direitos de maneira diferenciada”, disse.

Falas contra a intolerância de gênero, intervenções artísticas e performances marcaram a programação do ato, na construção de uma narrativa diferente daquela que incomodou representantes dos três segmentos da comunidade acadêmica. Além deles, participaram da manifestação o Fórum LGBT, o Fórum Brasileiro de Mulheres, o Manifesta LGBT Mais, o Coletivo Gênero, a Rede Negros e Negras LGBT, o Coletivo Feminista Baré, os Departamentos de História e Antropologia da universidade, entre outros.

Fonte: ADUA



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