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Professores discutem precarização e sugerem ações em defesa da universidade



Data: 04/05/2016

Os desafios que as instituições públicas vêm enfrentando com a expansão da rede de ensino superior foi um dos destaques do 4º Encontro das Seções Sindicais da Regional Norte 1 do ANDES-SN, realizado de 28 a 30 de abril, em Manaus. Durante três dias, docentes das universidades federais e estaduais do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, filiados às entidades que compõem a base do Sindicato Nacional, trocaram experiências sobre as dificuldades enfrentadas com o crescimento das instituições e sugeriram uma lista de encaminhamentos para mitigar esses problemas.

Realizado no auditório da ADUA, o debate, intitulado “A universidade pública e os desafios da multicampia”, contou com a participação de Epitácio Macário, professor da Universidade Estadual do Ceará e diretor do ANDES, e Lúcia Marina Puga, presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (Sinduea).

De acordo com Lúcia, a expansão da UEA, que completa quinze anos em 2016, não acompanhou investimentos em infraestrutura e valorização do trabalho docente. “Nas unidades do interior, vários professores não são concursados. Os alunos têm de assistir às aulas em salas alugadas, e a qualidade do acervo bibliográfico é sofrível”, exemplificou.
 
Além disso, a implantação de cursos no interior baseia-se em critérios pouco específicos, na maioria das vezes submetidos aos interesses de gestores públicos.  “Qual o futuro desse projeto de multicampia assentado em bases tão frágeis?”, questiona Lúcia, coordenadora do curso de Arqueologia da UEA.

“Os professores que atuam no interior, de forma geral, não têm infraestrutura urbana e cultural necessária para o exercício de sua profissão”, ressaltou Epitácio Macário, diretor do ANDES. “A expansão das universidades é bem-vinda e necessária. Mas deve-se oferecer condições básicas para isso”, afimra Macário.

Diante desse problema, o ANDES-SN elaborou, por meio de deliberações do 35º Congresso do sindicato, uma série de propostas para a melhoria da situação dos campi fora da sede. A observância dos princípios da Educação Pública, de qualidade e socialmente referenciada, associação entre ensino, pesquisa e extensão e a realização de concursos públicos são os pontos defendidos no programa.

Dívida Pública

Outro destaque do evento foi o seminário “A Dívida Pública e suas consequências para a Educação”, tema apresentado pelos professores José Menezes Gomes, representante da Auditoria Cidadã da Dívida, e Epitácio Macário, da diretoria do ANDES-SN. Na abertura dos trabalhos, Menezes apresentou aos docentes os números da dívida contraída pelo Estado brasileiro e que, apesar dos pagamentos efetuados ao longo dos últimos anos, não para de crescer, gerando prejuízos para os principais setores.

Dados da Auditoria Cidadã da Dívida mostram que o governo destinou, nos últimos três anos, mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do país para o pagamento da dívida pública, enquanto que o investimento nos segmentos da Educação e Saúde não somam sequer 10% das riquezas do Brasil.

“O serviço público está em risco nesse momento. Os servidores públicos estão sendo chamados para pagar uma dívida que não foi contraída por eles. Ao contrário, uma dívida que foi contraída para atender a demanda dos grandes capitalistas desses país”, alertou Menezes. Para ele, os docentes têm uma missão fundamental. “Nossa tarefa é desconstruir o senso comum que está tomando conta de todos os espaços de desinformação: aquele que diz que o serviço está quebrando o país. Os dados mostram claramente a opção que está colocada pelo governo”, destacou.

Ideia de Universidade

Coordenado pelo professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Flávio Brayner, o debate “A Universidade que Temos; a Universidade que Queremos” analisou, também durante o evento, dez proposições sobre a ideia de universidade almejada por quem defende a universidade pública. Estar atento à produção científica sem esquecer das consequências sociais e éticas dessa produção; prezar pela participação paritária dos três segmentos que compõem a universidade (docentes, discentes e técnico-administrativos); e manter uma inquietação secundária em relação a ranqueamentos, priorizando sempre o fornecimento de respostas às questões urgentes e emergentes da sociedade inclusiva, foram apenas alguns dos tópicos levantados pelo debatedor.

Não aceitar o equívoco de conceitos entre “conhecimento” e “saber”; priorizar a aferição da porosidade entre univeridade e sociedade através da Extensão; e que os docentes sejam admitidos pela aptidão apresentada para o ensino, a aprendizagem, a pesquisa e a gestão também estiveram entre as proposições de Brayner.

Fonte: ADUA



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