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Desmandos atrasam reposições na Ufam



Data: 16/01/2016

A postura intransigente da Administração Superior da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) de não suspender o andamento do calendário 2015/1 durante a greve docente, e permitir o início do segundo semestre, antes das reposições das aulas – fomentando assim a duplicidade de calendários dentro da universidade - vem prejudicando a retomada das atividades acadêmicas por professores e estudantes. Em cursos como Administração, Engenharia de Petróleo e Gás, Matemática e Estatística, onde professores que aderiram ao movimento paredista lecionam, a reposição das aulas vem sendo feita em dias e horários diferentes, devido a presença de professores lecionando disciplinas já do segundo semestre, para turmas que sequer concluíram o 2015/1.

Com uma turma de 74 calouros do curso de Administração, da Faculdade de Estudos Sociais (FES) aguardando reposição na disciplina Psicologia Geral I, às terças e quintas-feiras, das 9h às 11h, a professora da Faculdade de Psicologia (FAPSI), Ana Cristina Martins conta que apenas duas semanas após o dia 19 de outubro, data estipulada pela Administração Superior para o início das reposições, conseguiu iniciar as aulas. “Quando procurei a professora que estava ministrando disciplina do segundo semestre, ela disse que eu poderia iniciar a reposição do 2015/1 assim que as aulas dela encerrassem. Expliquei que havia uma nota de esclarecimento da Reitoria que, colocava o primeiro semestre como prioridade, assim como a reposição”, afirma Ana Cristina.

Com o coordenador do curso de Administração viajando e a FAPSI informada via ofício sobre o imbróglio, a docente afirma que procurou os alunos e buscou uma solução que viabilizasse o repasse do conteúdo. Informada pelos discentes sobre a existência de duas disciplinas ainda sem professor - Ciências Políticas e Economia Política – Ana Cristina conta que procurou os departamentos e conseguiu iniciar a reposição no dia 18 de novembro, no horário que caberia à disciplina de Ciências Políticas que será ministrada apenas em 2016.

“Como a discussão no Consuni era de que o aluno não deveria ser prejudicado, essa foi a  solução que eu encontrei”, conta, ressaltando que chegou a ser parabenizada pelo coordenador do curso, pela proatividade, de ter solucionado sozinha um problema que cabia à instituição resolver.

No curso de Engenharia de Petróleo e Gás, da Faculdade de Tecnologia (FT), a situação não é diferente. Segundo a professora Maria Rosaria do Carmo, do Instituto de Ciências Exatas (ICE), que leciona a disciplina de Geologia Geral em Petróleo e Gás, às terças-feiras, de 16h as 18h, e às quintas-feiras, de 16h as 19h, ao retornar à sala de aula para o início das reposições se deparou com a informação de que o professor que ocupava a sala com disciplina de 2015/2 não abriria mão do horário. Com um total de 54 discentes dependendo da reposição da disciplina considerada pré-requisito para outra que deveria ser ministrada também às terças e quintas-feiras, das 14h às 16h, Rosaria afirma que se viu obrigada a trocar de horário para poder concluir o conteúdo.

“Como dos 54 alunos apenas dez apareceram para a reposição e Geologia Geral inclui prática de campo, faltava apenas 15 horas para a conclusão de conteúdo. Desta forma, achei melhor solicitar a troca de horário. E foi assim que finalizei a disciplina”, lembra.

Prevista para ser iniciada de maneira unificada, no dia 19 de outubro, a disciplina no curso de Petróleo e Gás foi retomada, de acordo com a professora, apenas no dia 27 daquele mês, após a ‘flexibilização’ do horário das aulas.

Também com problemas para dar início às reposições, a professora do ICE Amazoneida Pinheiro, que leciona a disciplina de Probabilidade Estatística, as segundas e quartas-feiras, das 10h às 12h, para turmas de licenciatura e bacharelado em Matemática, conta que foi surpreendida, durante suas reposições do 2015/1, com a presença de alunos.

“Quando a disciplina reiniciou só havia os estudantes de outros cursos e nenhum de  matemática. Foram 25 alunos que deixaram de frequentar. E quando eu parei de ministrar a disciplina, 18 das 30 aulas já tinham sido dadas”, afirma Amazoneida.

Ministrando ainda outras duas disciplinas antes da paralisação docente - Análise de  Sobrevivência, para uma turma do curso de Estatística, composta por oito alunos, e Estatística Aplicada à Fisioterapia, com 30 alunos – Amazoneida afirma que também teve dificuldade em  repor as aulas no curso de Estatística, pois dois alunos se matricularam em disciplinas do 2015/2, ministradas no mesmo horário das reposições.

A falta de respeito com os professores e estudantes que precisam repor aulas perpassa ainda pela falta de salas de aula. 

Até mesmo para o coordenador do Curso de Medicina, professor Alexandre Miralha que, se mostrou contrário à greve docente e declaradamente favorável à manutenção das aulas do primeiro semestre, o não início das aulas do 2015/2 poderia ter evitado a situação vivenciada na universidade, devido à duplicidade de calendários.

“Como é que uma instituição começa 2015/2 para uns e não para outros? Como é que pode um aluno começar certas disciplinas sem aderir a pré-requisitos? Em minha opinião, 2015/2 só deveria começar depois do término da reposição”, afirmou Miralha.

Segundo Miralha, com o descontrole dos professores que, afirmavam poder fazer o que quisessem, embasados na liminar que impediu o Consuni de suspender o calendário acadêmico, os alunos foram os mais prejudicados, mediante os problemas de matrícula e conflitos de horário, o que tornou o semestre “um grande balaio de gatos”.

Ele afirma ainda que, independente de alguns professores estarem parados e outros trabalhando, 2016/1 será iniciado de maneira unificada. “Se a gente vai precisar ficar parado para alinhar, por que não alinhar agora? Por que precisava passar por isso no 2015/2? ”, destaca o professor.

Para o coordenador, a situação na Medicina prejudica o aprendizado dos alunos em disciplinas importantes, uma vez que o ambiente de estresse gerado pelas indefinições não é favorável. “Temos alunos com problemas de sofrimento psíquico. São alunos que vem de fora ou daqui mesmo e que têm a expectativa de iniciar o curso. Será que nós não poderíamos ter feito de uma forma diferente?”, desabafa.

Engenharia Florestal suspende 2015/2 para janeiro

Na Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), a preocupação com o conflito de horários entre as diciplinas do 2015/2 e as reposições levou o Departamento de Ciências Florestais (DCF) a deliberar, em reunião extraordinária do departamento, pelo não início das atividades do 2015/2 até que as aulas do primeiro semestre fossem repostas. Segundo o chefe do DCF, professor Alberto Carlos Martins Pinheiro, a decisão teve o objetivo manter a unidade do departamento, mediante as dificuldades observadas pela coordenação de curso, principalmente com relação a conflitos de horários.

“O 2015/2 só começa em janeiro para os cerca de 200 alunos do curso de Engenharia Florestal, de diferentes períodos. A ampla maioria tomou essa decisão visando minimizar o prejuízo científico e social dos estudantes”, afirmou.

A suspensão do início das aulas do 2015/2 foi informada aos estudantes no dia 24 de setembro. Mediante a decisão, o departamento solicitou à Proeg a prorrogação da entrega de documentos acadêmicos para o início do segundo semestre, que começou no dia 4 de janeiro deste ano.

Estudante de Geologia tenta reverter reprovação

A redução da qualidade do aprendizado dos discentes é apenas um dos prejuízos acarretados pelo caos da duplicidade de calendário. Como alguns professores continuaram em sala de aula durante a greve, com o aval da Administração Superior, dados indicam mais de 13 mil reprovações indevidas no 2015/1.

Aluno do 6º período do curso de Geologia, Renan Barbosa é um destes estudantes e busca reverter junto à Reitoria a reprovação que sofreu na disciplina Mineralogia de Argilas, ofertada como optativa. Renan conta que, após o docente responsável pela disciplina aderir à greve, precisou viajar e, apenas dois meses depois descobriu, por um colega, que as aulas haviam sido retomadas pelo professor.

“Ele comunicou a turma que iria entrar em greve e nós aceitamos. Dois meses depois a turma aceitou a proposta dele de retornar às atividades”, afirma. Segundo Renan, com a disciplina praticamente concluída, a retomada precoce das aulas pode ter sido adotada pelo professor como uma forma de acelerar o encerramento da matéria.

Segundo ele, ao procurar a Reitoria, a orientação foi que o Renan abrisse um processo solicitando o ajustamento de notas, sob a alegação de prejuízo equivocadamente atribuído pela Reitoria à greve.

“Caso não seja possível a reavaliação e reajuste das minhas notas, terei que refazer a matéria. Só não sei quando, pois depende do professor ter interesse de ofertá-la novamente”, lamentou.

Natural de Belém (PA) e morador da Casa do Estudante com direito a uma bolsa auxílio, Renan ainda precisa cumprir quatro períodos para se formar e considera a reprovação uma ameaça a sua permanência na Casa do Estudante, que tem o bom rendimento acadêmico como um dos critérios para a permanência.

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Fonte: ADUA



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