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Aulas são retomadas na USP Leste após seis meses de interdição



As aulas da Universidade de São Paulo (USP) no campus leste foram retomadas hoje (18), após o local ter sido interditado pela Justiça no começo de janeiro. A unidade foi fechada por causa da constatação de gás metano no subsolo, altamente inflamável, proveniente de dejetos retirados da dragagem no Rio Tietê e da presença de terra e outros entulhos contaminados.

O movimento de alunos que chegavam para as aulas no início desta manhã era grande. Bianca Kato, de 21 anos, estudante do terceiro ano de marketing estava receosa. “Eu fico um pouco dividida. Apesar de estar feliz por estar voltando às aulas aqui, a gente também fica meio insegura”, disse ela. Para levar esclarecimentos aos estudantes, a universidade preparou uma programação com debates, mesas temáticas e palestras da empresa Weber Ambiental, responsável pela instalação de um sistema de ventilação do gás metano.

A liberação pela Justiça da retomada das atividades ocorreu no dia 22 de julho. Desde então, as instalações foram preparadas para receber os estudantes. “Os equipamentos como computadores foram reinstalados, os livros deslocados voltaram, os espaços foram readequados. Mas outras atividades foram retomadas antes, como uma parte da pesquisa”, informou a diretora da unidade, Maria Cristina Motta de Toledo.

Como o semestre inicia com duas semanas de atraso, as aulas estão previstas para encerrar no dia 19 de dezembro. Alguns cursos, porém, terão de compensar aulas práticas que não foram dadas por falta de laboratórios adequados, como relata a aluna Bárbara Eleodora Guimarães de Oliveira, de 22 anos, que está no quarto ano do curso de têxtil e moda.

 “Quando a gente foi para o outro campus na Cidade Universitária, a gente não teve nada disso [laboratórios]. O meu ano não foi tão prejudicado, porque a gente está com matérias mais teóricas do que práticas, mas o segundo e o terceiro ano foram prejudicadíssimos”. De acordo com ela, o curso de têxtil e moda precisa de laboratórios para que os estudantes usem manequins e para que façam tingimentos de tecidos, por exemplo.

Segundo a diretora da USP Leste, uma parceria com instituições que emprestam seus laboratórios para as aulas, como o Senai e outras empresas, vai contornar essas deficiências. A USP Leste tem 4,4 mil estudantes, cerca de 400 funcionários e professores, dez cursos de graduação e nove de pós-graduação.

Para aluna do último ano de gestão de políticas públicas, Aline Gonçalves Nascimento, de 20 anos, o grande problema é a indefinição sobre os problemas ambientais do campus. “A gente passou por um semestre muito conturbado, e para mim é como voltar para minha casa. Só que, ao mesmo tempo, é uma casa bagunçada. Então, hoje é muito mais expectativa do que algo concreto. Eu não sei o que vai acontecer, e a gente não tem um sentimento de certeza para nada. Pode ser que hoje ou amanhã eles decidam que não vão mais deixar a gente aqui.”

Em toda a USP Leste foram instalados dutos de ventilação para permitir a saída do gás metano do subsolo e 23 bombas auxiliam esse processo. Existem também 117 poços de monitoramento – inspecionados semanalmente por técnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), responsáveis pela medição de metano. Como os edifícios foram construídos sobre dejetos, o procedimento continuará sendo feito por tempo indeterminado, para evitar o acúmulo do gás.

“A questão do gás metano, que é gerado pela degradação da matéria orgânica no subsolo, é um processo até natural. Mas não é conveniente que esse gás se concentre embaixo das lages dos edifícios. Por isso, os edifícios foram construídos com colchão de brita embaixo e, para que o sistema de ventilação desses gases fosse eficiente, precisava instalar as bombas que fazem o papel de ventilar e não deixar esse gás se concentrar”, explicou a diretora.

Outra medida adotada foi a colocação de tapumes metálicos em grande parte do campus. O objetivo é proteger as pessoas de terras e entulhos que contêm substância contaminante. Também foi plantada grama para impedir que a poeira dessa terra se espalhe, segundo Maria Cristina. “Por causa da característica de não solubilidade em água e de não volatilidade, ou seja, não passagem para a atmosfera dessa substância, a Cetesb considera que esse tipo de ação é provisoriamente aceitável, enquanto não se define o destino definitivo desse material. Futuramente, [ele] pode ser retirado ou receber outro tipo de contenção. A Cetesb que vai definir.”

Fonte: Agência Brasil



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