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Estudantes da Ufam protestam na Reitoria contra falta de professores



Estudantes de Engenharia de Produção, da Faculdade de Tecnologia (FT), ocuparam a Reitoria da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), na tarde desta terça-feira (18), em um protesto pacífico contra a falta de professores de carreira no quadro do curso da instituição. Com cartazes e palavras de ordem, eles exigem respostas a um problema que, segundo os acadêmicos, se arrasta desde 2004, ano em que o curso foi criado.

De acordo com o presidente do Centro Acadêmico de Engenharia de Produção (Caepro), Almir Caggy, a medida tomada pelos estudantes é reflexo da falta de resposta institucional para o problema que já vem sendo anunciado após sucessivas reuniões no Conselho Departamental (Condep) do curso e outros colegiados da universidade. “Já procuramos todas as instâncias para resolver o problema e não tivemos retorno. Nós não aguentamos mais essa situação!”, criticou.

Segundo Caggy, que também é representante estudantil no Condep, o atual quadro de docente é insuficiente e não condiz com o que prevê o Projeto Pedagógico do Curso (PPC), que aponta a necessidade de 15 professores para atender as disciplinas da grade curricular do curso. “Temos apenas seis professores de carreira, sendo que um deles está de licença, além de três substitutos. Mas, não podemos contar com esses últimos porque, nessa condição, eles não podem comprometer-se com a universidade”, disse, lamentando a falta de oportunidade de envolvimento dos estudantes em projetos de pesquisa e práticas de extensão justamente pela falta de professores.

Conforme levantamento do Caepro, há pelo menos quatro disciplinas sem docentes (Logística, Ergonomia e Saúde, Controle Estatístico da Produção e Sistemas da Produção), afetando diretamente dezenas de estudantes do curso, apesar de o calendário acadêmico ter iniciado no dia 3 de junho. “Quando eu ingressei na Ufam, não imaginava que a gente iria enfrentar esse tipo de problema”, lamentou o estudante do 1º período do curso, Caio Sombra de Paula. “Eu estou indignado!”, completou o estudante também recém-chegado à Universidade, Luã Maquiné.

“É inadmissível que um estudante deste curso não tenha formação de qualidade pelo menos nas disciplinas que são específicas do curso, como no caso dessas já citadas”, criticou o presidente do Caepro. “Parece que somos mendigos, e nesse momento estamos mendigando professores”, ressaltou o estudante do 3º período, André Felipe.

Após o protesto, os estudantes conseguiram uma agenda com o vice-reitor, Hedinaldo Lima, e a pró-reitora de Ensino de Graduação, Rosana Parente, com intuito de buscar soluções para o problema. Lima informou que já existem duas vagas abertas para o curso, mas é a unidade acadêmica que precisa definir a quantidade de professores necessários. “A Faculdade de Tecnologia é que precisa definir quantas vagas mais serão necessárias, especificando os cargos (professor auxiliar, assistente ou adjunto) e a área do concurso, para que universidade publique os editais”, explicou.

Segundo o vice-reitor, a contratação de substitutos não é uma saída para o caso. “Existe um limite para a contratação de professores substitutos e a Universidade não pode contratá-los indiscriminadamente”, disse. A titular da Proeg reconheceu o problema e acrescentou que a Universidade está tomando as medidas para resolvê-lo. “Vetores escaparam de nossas mãos, mas não foi por nossa vontade de acertar. Temos que ajustar algumas divisões que foram injustas”, afirmou.

Um novo encontro entre os estudantes e representantes da Reitoria da Ufam está agendado para o dia 28, a partir das 15h, mas o local ainda não foi definido. É que existe a possibilidade de o local ficar pequeno, caso a participação dos acadêmicos aumente até lá. “Convido os demais estudantes para que possamos reivindicar nossos direitos”, disse o presidente do Caepro, Almir Caggy.

Reuni – De acordo com o vice-diretor da FT, professor Nilson Barreiros, a falta de professores se repete com outros cursos da unidade acadêmica, sobretudo, aqueles criados após a implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), em 2007. O Programa ampliou o acesso às instituições de ensino superior e possibilitou, no caso local, a interiorização da Ufam, mas não abriu vagas suficientes para o quadro de docentes.

O vice-diretor da FT não soube estimar o déficit de professores na unidade acadêmica, mas informou que um relatório sobre o assunto deverá ser finalizado até esta sexta-feira (21) e ajudará a compor a solução para o caso. “O problema é sempre informado à Reitoria da Ufam, mas a contratação não depende exclusivamente da universidade e sim do Ministério da Educação, que autoriza a liberação de vagas e de recursos para ampliação do quadro”, afirmou.

Conforme dados da FT, a unidade acadêmica concentra atualmente dez cursos de graduação e reúne uma média de três mil alunos, sendo 500 novos estudantes por ano.

Fonte: Adua



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