
Neste 15 de outubro de 2026, dia especial de luta das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação, a Diretoria da ADUA – Seção Sindical do ANDES-Sindicato Nacional – vem às ruas e às redes digitais para afirmar os direitos fundamentais de toda a classe trabalhadora e, de modo especial, da categoria social das professoras e dos professores. Sem o trabalho dessas e desses profissionais o Brasil está condenado a permanecer sob a prisão da ignorância. Tanto a mais remota escola de aldeia na Amazônia quanto a mais renomada Universidade dependem da dedicação e do trabalho dessa categoria tão pouco valorizada, notadamente nessa quadra de ódio ao conhecimento, de desinibida estupidez e de arrogante ignorância. Como, por exemplo, justificar o ódio a Paulo Freire, o maior educador da história do Brasil?
Nunca a educação brasileira foi tão atacada e ameaçada como no governo do inominável, de 2019 a 2022. Esse passado infame volta a assombrar o país. Nesse 2026, às vésperas da eleição de 25 de outubro, professoras e professores, Instituições Públicas de ensino municipais, estaduais e distritais, Instituições de Pesquisa, sobretudo Institutos e Universidades Federais, estão sob a mais orgânica ameaça de sua história. E essa ameaça tem nome: chama-se bolsonarismo. Trata-se, na verdade, de uma seita política, que não deve ser confundida com o espectro político liberal, do centro ou da direita.
O Brasil de que nos orgulhamos tem nome e decência. É o Brasil de Nísia Floresta, de Antonieta de Barros, de Cecília Meireles, de Carolina Maria de Jesus, de Elizabeth Teixeira (viva e hoje com 101 anos), de Anísio Teixeira, de Florestan Fernandes, de Darcy Ribeiro, de Paulo Freire. Por força dessa memória que nos dignifica, dessa história que não pode ser falsificada, é que nessa Nota Manifesto da ADUA fazemos nossas e destacamos oito das 21 reivindicações que há exatos 125 anos Euclides da Cunha (a quem Antonio Candido considerava um “quase iluminado”) publicara no dia primeiro de maio de 1901 no jornal O Proletário.
Ainda hoje pouco conhecidas e divulgadas, essas reivindicações continuam atuais e, o que é mais impressionante, foram redigidas por um brasileiro com arraigada formação positivista e militar, autor do clássico Os Sertões (1902), obra fundamental para quem deseja compreender a Terra, o Homem e a Luta do povo brasileiro a partir do Nordeste forte, irredento e tão maltratado pela arrogância da classe dominante brasileira.
Como estamos no Amazonas, é igualmente digno de nota que entre 1904 e 1905 Euclides da Cunha viajou pela Amazônia, de Belém a Manaus (onde permaneceu por mais de três meses), como chefe de uma Comissão Mista Brasil-Peru para reconhecimento de fronteiras. Foi a partir dessa experiência que ele planejou a escrita de seu segundo livro-vingador, obra que restou inacabada em razão de seu assassinato em 15 de agosto de 1909. O livro teria como título Amazônia: um paraíso perdido.
As oito reivindicações selecionadas e abaixo descritas nos dão a medida da grandeza de Euclides da Cunha, como militar, nacionalista, patriota e defensor da educação laica, gratuita, pública e universal:
II – Escolas gratuitas, com ensino leigo e obrigatório para todas as crianças, sem distinção de sexo, de cor e de nacionalidade, tendo as crianças pobres todo o necessário para frequentar as escolas: roupa, comida, cuidados médicos, farmácia etc.
III – Estabelecimentos apropriados para recolher os inválidos do trabalho, pobres, velhos e defeituosos, dando-lhes com abundância roupa, comida, médico, farmácia etc., para não irem morrer nas enxergas dos hospitais e nos adros das igrejas, ou nas calçadas das ruas, implorando aviltadora caridade, ministrada pelos ricos, e remédio.
IV – Emancipação da mulher, reconhecendo-lhes iguais direitos e iguais deveres aos do homem, inclusive o de votar e ser votadas.
V – Impostos diretos e pesadíssimos sobre a renda.
IX – Proporcionar a preços módicos a cada família uma casa confortável para sua residência.
X – Fornecer água e luz grátis a todos em geral.
XII – Justiça gratuita para todos.
XX – Pensão aos inválidos do trabalho.
No dia 25 de outubro de 2026 vamos às urnas votar pela Educação Pública, pelos direitos sociais do povo brasileiro e pela soberania do Brasil, porque nossa pátria é grande e diversa e não cabe no quintal de ninguém!
Diretoria da ADUA – Seção Sindical (biênio 2024-2026)
15 de outubro de 2026
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