
Foto: Bruno Kelly/Greenpeace Brasil - Garimpo ilegal na TI Sararé, do povo Nambikwara, em Mato Grosso
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou, no dia 13 de agosto, o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025”. O documento reúne 19 categorias de análise sobre as violações praticadas contra os povos originários no país, com dados levantados junto a comunidades indígenas, órgãos públicos e veículos de comunicação.
Entre os principais registros, destacam-se o aumento dos conflitos territoriais, assassinatos, suicídios e a alta mortalidade na infância, além de crescentes índices de violência contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do poder público. Segundo o relatório, esses episódios estão diretamente vinculados aos ataques aos direitos territoriais e ao impasse no Poder Judiciário em torno da Lei nº 14.701/2023 (Lei do Marco Temporal).
“Este relatório nos faz olhar para as entranhas do indigenismo oficial. Faz-nos sentir a dor estampada nos rostos indígenas e enxergar as marcas – algumas, literalmente, de ferro em brasa – nos corpos de meninos e meninas, jovens, idosos, homens e mulheres. São marcas da violência, do abandono e da desumanização”, afirma o Cardeal Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus (AM) e presidente do Cimi, na apresentação do documento.
A pressão pela validação do marco temporal, a regulamentação da mineração em terras indígenas, a realização de grandes obras de infraestrutura para o escoamento de grãos e minérios, além da exploração de gás e petróleo em áreas de impacto direto, são apontadas como os principais pontos do acirramento da violência.
Sobre violência contra o patrimônio e territórios, em 2025 foram contabilizados 1.276 casos, sendo: 897 casos de omissão e morosidade na regularização de terras; 210 invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos e 169 conflitos relativos a direitos territoriais.
O registro é que das 1.443 terras e reivindicações territoriais existentes no Brasil, 897 estão pendentes de regularização administrativa, das quais 582 não tiveram qualquer providência inicial para a demarcação.
No capítulo sobre violência contra a pessoa e saúde, o documento registrou 258 assassinatos de indígenas em 2025. Os estados com os maiores índices foram Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37). Também foram contabilizados 215 suicídios, com maior concentração no Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37).
A omissão do poder público reflete-se drasticamente na saúde. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), das secretarias estaduais de saúde e da Sesai apontam 1.024 óbitos de bebês e crianças indígenas de até 4 anos, liderados por Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123). Do total de mortes infantis, 586 (57%) decorreram de causas evitáveis, como gripe e pneumonia (104), doenças infecciosas intestinais (85) e desnutrição (32).
“Além da falta de infraestrutura nos territórios, profissionais e medicamentos, a categoria de desassistência na área da saúde registrou grande quantidade de casos de falta ou acesso precário à água potável e ao saneamento básico”, destaca o documento.
Isolamento Voluntário e Memória
O relatório destina seu quarto capítulo à situação dos povos em isolamento voluntário que, sem reconhecimento oficial do Estado, vivem sob risco iminente de genocídio. O quinto capítulo aborda Memória e Justiça, trazendo um relato do jornalista Rubens Valente sobre a cobertura do garimpo na Terra Indígena Sararé.
Leia o relatório completo aqui.
Fonte: Cimi
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