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  18/08/2026



Uma perda gigantesca”: comunidade acadêmica da ufam lamenta a morte do professor Guilherme Pereira



 

A partida precoce de um “educador humano e competente”. É assim que professores(as), estudantes e TAEs da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) definem o impacto da morte do docente Guilherme Pereira Lima Filho, de 66 anos, vítima de uma chacina na Zona Oeste de Manaus nesta segunda-feira (17). Com mais de 30 anos dedicados à Faculdade de Educação (Faced), o professor deixa um legado marcado pelo afeto, pela formação de gerações de educadores e por uma onda de comoção que pede justiça.

 

Guilherme Pereira era professor da Faculdade de Educação (Faced) desde 1992. Licenciado em Pedagogia pela Ufam na turma de 1988, ele construiu uma sólida carreira acadêmica: tornou-se doutor em Ciências da Educação (2018), mestre em Engenharia de Produção (2002) e especialista em Produção de Materiais Didáticos para Ensino a Distância (2006) e em Metodologia do Ensino Superior (1994). “Sua trajetória acadêmica foi marcada pela dedicação ao ensino e à formação de professores, especialmente na prática extensionista”, destacou a Ufam em nota oficial.

 

Em meio à dor da perda repentina, docentes, grupos de pesquisa, departamentos, colegiados e estudantes realizaram uma corrente de homenagens para destacar a trajetória acadêmica do professor.

 

O segundo vice-presidente da ADUA, professor José Alcimar, indignou-se com a violência que ceifou a vida do professor Guilherme. “O meu amigo Guilherme, querido professor Guilherme, foi arrancado de nosso convívio pela violência inominável, brutal, socialmente produzida e abjetamente normalizada como modo de vida de nossa Manaus entregue ao poder do crime. Humanamente, educador, dentro e fora dos espaços da Universidade Federal do Amazonas. Comprometido com a educação, educador competente, generoso, de perfil caboclo e pacífico, sempre com um largo sorriso e um modo bem humorado de ser. Nele a alegria se fez morada. Nele nunca vi o menor sinal de agressividade ou de violência, verbal, simbólica ou física. Ao partir, de forma violenta, precoce e involuntária, mais do que saudade, Guilherme nos deixa memória. Mais triste do que perder a memória, é não deixar memória”.

 

A diretora da Faced, Francisca Maria Cavalcanti, expressou sua emoção ao relembrar a convivência diária com o colega. “O professor Guilherme era alguém extremamente diferenciado na sua forma de ser. Ele era uma pessoa gentil, amável, e eu nunca o vi cumprimentar alguém sem um sorriso. Todos os dias ele estava na Faculdade de Educação, atuando nos grupos de pesquisa, extensão e na formação de professores. A gente está sem chão, sem conseguir acreditar que o professor Guilherme se foi. Ele não era só um professor, era um amigo, sempre dedicado ao trabalho e à história da educação. É uma perda muito significativa e teremos que nos acostumar com a ausência daquele sorriso e do seu jeito de ser no nosso cotidiano". 

 

Docente da Faced e 3º secretário do ANDES-SN, o professor Jacob Paiva lembrou a amizade de longa data que manteve com o educador. “Antes de sermos colegas na turma de Pedagogia da Ufam, em 1985, já nos conhecíamos porque ele foi meu professor de datilografia em uma escola no bairro São Jorge. Depois, fomos colegas de graduação e parceiros de trabalho na universidade. O Guilherme sempre foi um homem generoso, pacífico, prestativo, carinhoso e afetuoso. É essa a imagem que quero guardar do meu amigo, que esteve ao nosso lado nas lutas, greves e batalhas pela educação. Guilherme estará sempre presente na memória da Ufam, da Faced, dos amigos e familiares. Todos que conviveram com ele estão profundamente tristes e arrasados, porque ele era, acima de tudo, uma pessoa do bem”.

 

Em depoimento à ADUA, o professor Lucas Furtado (Faced), ressaltou a presença marcante de Guilherme nas ações de extensão e classificou sua partida como um impacto irreparável para a educação. “Guilherme Filho era um mestre super dedicado e exímio profissional da educação pública. Ele se dedicava muito à extensão universitária e era muito querido por todos: professores, técnicos e alunos. Acompanhando as redes sociais e os portais de notícias, vi uma enxurrada de comentários de ex-alunos elogiando sua competência técnica, intelectual e, acima de tudo, a sua humanidade”.

 

O Núcleo de Educação, Comunicação e Tecnologias Educacionais da FACED, em nota, reforçou que o docente dedicou mais de três décadas da sua vida à educação pública no Amazonas.  “É difícil encontrar palavras quando parte alguém tão verdadeiramente bom. O professor Guilherme era um ser de luz, daqueles raros encontros que a vida nos permite ter. Generoso, humilde, afetuoso, íntegro e sempre disposto a compartilhar conhecimento, cuidado e bondade.”


Nas redes sociais, o professor Luiz Antônio Souza (IFCHS) lamentou a despedida trágica e cobrou a responsabilização dos culpados. “Perdemos um amigo querido, um defensor da educação pública de qualidade, um professor que dedicou sua vida à formação de professoras e professores. Perdemos, também, um colega de trabalho sempre sorridente e disposto a contribuir com a formação humanista. Se a morte é um imperativo da vida, a passagem trágica e violenta do nosso querido Guilherme não é.  Não podemos nos resignar diante de um crime bárbaro e cruel.  Exigimos dedicação e empenho do sistema de segurança pública para que o crime seja elucidado e os responsáveis sejam levados às barras dos tribunais. E que, ao final do processo, sejam exemplarmente punidos”.

 

Atualmente, o professor Guilherme exercia a função de vice-coordenador do Programa de Extensão Onda Verde, reafirmando seu compromisso histórico com a comunidade. Em nota, a Pró-Reitoria de Extensão da Ufam pontuou que ele “construiu parte significativa de sua atuação aproximando a universidade da educação básica e da sociedade”.

 

 

 

Legado, luto e despedida

 

Em sinal de respeito e luto, a Diretoria da Faced decretou luto oficial de três dias e suspendeu as aulas na unidade entre a tarde de segunda-feira (17) e esta terça-feira (18).

 

O velório do professor Guilherme Pereira está sendo realizado na Funerária Almir Neves, localizada na Avenida Joaquim Nabuco, no Centro. O sepultamento ocorrerá às 14h30 desta terça-feira (18), no Cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã.



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