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  04/08/2026



ADUA debate enfrentamento ao assédio na UFAM em Semana Pedagógica da Faced



 

 

A ADUA participou, na segunda-feira (03 de agosto), da Semana Pedagógica 2026/2 da Faculdade de Educação (Faced), no auditório Rio Alalaú, no Setor Norte do campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em Manaus. A Seção Sindical participou da palestra “Enfrentamento às diferentes formas de assédio no ambiente acadêmico da UFAM”. Foram convidadas como palestrantes a presidente da ADUA, Ana Lúcia Gomes, e a coordenadora do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) local e professora da Faculdade de Psicologia (Fapsi), Iolete Ribeiro.

 

No início da sua fala, a presidente da Seção Sindical informou que a entidade se reuniu em duas ocasiões neste ano com a Administração Superior para tratar sobre o assédio na universidade. “A atual gestão da UFAM mudou os procedimentos de encaminhamentos das denúncias de assédio. Nós estamos tentando entender como essas questões estão sendo trabalhadas agora. Isso foi discutido no Consuni? Foi publicada uma portaria?”, questionou. 

 

A partir do novo regramento aplicado pela UFAM passaram a ser instauradas Investigações Preliminares Sumária (IPS) e realizados afastamentos cautelares, por 60 dias, de docentes denunciadas(os) por assédio. A(o) investigada(o) é ouvido ao final do desenvolvimento da IPS, conforme informações repassadas pelo Corregedor da universidade, Rafael Menezes, em reunião no dia 17 de julho, na Reitoria da UFAM.

 

 

“Nós, da ADUA e do ANDES-SN, apoiamos o combate ao assédio na Universidade, somos contra toda forma de violência e opressão em qualquer âmbito da sociedade, mas as pessoas têm do direito de se defender, elas não podem ter seus direitos cerceados. Isso deve ser considerado e a ADUA cumpre o seu papel político ao chamar a atenção para essa questão”, destacou a professora Ana Lúcia Gomes.

 

A presidente da ADUA frisou que a apuração sobre as denúncias de assédio no âmbito da UFAM devem ser feitas, mas com rigoroso cuidado. “Percebemos através de relatos que os casos não estão sendo tratados de forma humanizada, gerando não apenas o adoecimento como a precarização do trabalho e a criação de um ambiente intranquilo. A situação é preocupante”.

 

 

A estratégia da judicialização nos processos administrativos acirra o conflito e cria uma falsa ideia de produção de justiça quando, por exemplo, alguém demitido, segundo a professora Iolete Ribeiro. “Isso não quer dizer que as pessoas serão desresponsabilizadas, mas que precisamos pensar caminhos para a responsabilização que sejam bons para enfrentar e reduzir a violência”, afirma.

 

A docente afirmou que é preciso dar uma resposta dada ao assédio que não seja somente a responsabilização. “Precisamos cobrar que essa discussão se estenda a todos os grupos da universidade e envolva respostas em todos os níveis no ensino, nas disciplinas, na realização de projetos, debates e eventos que discutam esses temas, porque isso tem uma força pedagógica de criar constrangimento. Quanto mais falamos de assédio, quem costumeiramente tem conduta assediadora fica em alerta, porque percebe que as pessoas estão atentas, isso cria constrangimento”, explica.

 

A Faced criou uma Comissão de Combate ao Assédio que tem previsão para começar a atuar a partir deste mês de agosto. “A Comissão envolve todos os professores de todos os departamentos, inclusive do programa de pós-graduação, e os estudantes tanto da Pedagogia quanto a Licenciatura Indígena. A ideia é que seja uma Comissão preventiva, educativa, mas também será deliberativa e terá os seus encaminhamentos dentro do âmbito da Faculdade de Educação”, explicou a professora Francisca Cavalcanti.

 

 

 

ADUA contra o assédio

 

Na ocasião, a presidente da ADUA entregou à Diretora da Faced, Francisca Maria Cavalcanti, os materiais produzidos pelo ANDES-SN: a cartilha Combatendo os assédios moral, sexual e outras violências e o Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, LGBTfobia e qualquer discriminação e violência.

 

“A ADUA irá organizar também um seminário sobre assédio, que será aberto a toda a comunidade acadêmica, com convidados especialistas no tema, e reativar a nossa campanha pela intensificação do debate e da luta contra o assédio nas Instituições Federais de Ensino Superior”, informou a professora Ana Lúcia. Em outubro de 2018, a Seção Sindical lançou a campanha “Não é Não! ADUA contra toda forma de assédio", direcionada ao combate de todas as formas de violência na universidade”.

 

Fotos: Sue Anne Cursino/Ascom ADUA 

 

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