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  20/07/2026



Movimento de Mulheres Olga Benário realiza ocupação em Manaus; ADUA apoia a iniciativa



 

 

 

O Movimento de Mulheres Olga Benário/Amazonas realizou, na madrugada do último sábado (18 de julho), a ocupação de um terreno, na zona sul de Manaus, destinado à construção da Casa da Mulher Brasileira, com o objetivo de denunciar a paralisação das obras, iniciadas em maio de 2024. A ADUA manifestou apoio à primeira ocupação de mulheres da cidade, “Dora Priante”, organizada pela Rede de Acolhimento Manuella Otto. Com investimento do governo federal de quase R$ 13 milhões, o espaço deveria ter sido construído para acolher mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

 

“A ADUA se solidariza com ações como esta, porque o enfrentamento à violência contra as mulheres não é apenas uma pauta individual, mas uma responsabilidade coletiva e social. Quando nos posicionamos em defesa de iniciativas de acolhimento, proteção e orientação, fortalecemos a dignidade humana, a justiça social e o direito das trabalhadoras a viverem sem medo”, afirmou a presidente da ADUA, Ana Lúcia Gomes.

 

A Casa da Mulher Brasileira em Manaus seria a primeira do Amazonas. “A obra está parada, e a previsão de entrega era no início do ano passado. No terreno, hoje, há a base da construção, com as colunas do que seria a Casa da Mulher Brasileira. Nós estamos em uma casa que tem banheiro e dormitório e que servia de base para os trabalhadores que atuavam na obra”, explica a militante do Movimento de Mulheres Olga Benário/Amazonas e estudante de pós-graduação, Ana Roque.

 

No Brasil, há unidades da Casa da Mulher Brasileira em São Paulo (SP), Brasília (DF), Salvador (BA), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), São Luís (MA) e Boa Vista (RR). “Como forma de prevenir feminicídios, as mulheres vítimas de violência são encaminhadas para esses locais para interromper o contato com seus agressores, que na maior parte das vezes são os próprios parceiros com quem dividem a casa”, explica Ana.

 

De janeiro a maio deste ano, nove mulheres foram vítimas de feminicídio no Amazonas, e 8 mil pedidos de medidas protetivas foram registrados no Estado, conforme dados da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML). Há que se considerar as subnotificações. No Brasil, foram contabilizados 1.568 feminicídios em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao período anterior, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

A dirigente sindical frisou que o apoio da ADUA reafirma seu compromisso com a valorização da vida, a equidade de gênero e a construção de ambientes mais seguros, humanos e respeitosos. “As estatísticas mostram que a violência contra as mulheres não afeta a todas da mesma forma, mas envolve desigualdade de gênero, raça e classe social. Os números alarmantes reforçam a necessidade de ampliar a rede de proteção, fortalecer a denúncia e, principalmente, garantir atendimento humanizado em defesa da vida, da dignidade e da segurança das mulheres, com medidas de enfrentamento, acolhimento e punição aos agressores”.

 

 

Ocupação “Dora Priante”

 

A ocupação “Dora Priante” homenageia a líder comunitária sequestrada e assassinada em agosto de 2015, no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. Conforme reportagem da Amazônia Real, Maria das Dores Salvador Priante era líder da comunidade Portelinha e foi vítima da omissão do Estado do Amazonas, que ignorou os pedidos de proteção diante das ameaças que sofria por sua luta contra a venda ilegal de terras. O corpo da ativista foi encontrado em um ramal da rodovia AM-070, com marcas de tortura e tiros de arma de fogo.

 

Após a ocupação, o Movimento de Mulheres Olga Benário está recebendo doações e contribuições para a casa. Entre os itens solicitados estão alimentos, água mineral, lençóis, cadeiras, ventiladores, colchonetes e produtos de higiene e limpeza. Doações em dinheiro também podem ser feitas via PIX para o e-mail redemanuellaotto@gmail.com.

 

O movimento também preparou uma programação para os próximos dias: em 21/07, às 14h, ocorre o ato “Onde está a Casa da Mulher Brasileira?”, na Secretaria Executiva de Política para Mulheres; em 25/07, às 17h, será realizado o Arraial da Ocupação "Dora Priante", em comemoração aos 15 anos do Movimento de Mulheres Olga Benário; em 08/08, acontece o Dia do Circo, com atividades para as crianças da comunidade; e, em 22/08, será realizado o Encontro do Clube do Livro do Movimento, com a leitura da obra “Persépolis”. Na tarde do último domingo (19), ocorreu o treino de boxe da Academia Popular Teófilo Stevenson.

 

 

Movimento Olga Benário

 

Em 15 anos de existência, o Movimento de Mulheres Olga Benário já realizou cerca de 30 ocupações. No Amazonas, a entidade atua há dois anos. “A ocupação é uma forma de denunciar essa violência, que é colocar a especulação imobiliária acima da vida das mulheres. Nossa ideia é transformar o imóvel ocupado em uma casa de referência para o acolhimento de mulheres vítimas de violência”, afirma a militante.

 

O “Olga Benário” possui, em diferentes partes do país, casas de referência para o acolhimento de vítimas de violência, que também funcionam como espaços de formação política e cultural. A Casa Tina Martins, em Belo Horizonte (MG), foi a primeira ocupação de mulheres da América Latina. Na região Norte, há a Casa da Mulher Trabalhadora Geordana Farias, em Ananindeua, e a Ocupação de Mulheres Rayana Alves, em Belém, ambas no Pará.

 

O Movimento de Mulheres Olga Benário atua tanto nessas casas de referência quanto nas unidades da Casa da Mulher Brasileira espalhadas pelo país. “É realizada a primeira escuta, momento em que as vítimas recebem orientação sobre como proceder, inclusive juridicamente. Aqui em Manaus, esse trabalho já é feito por advogadas voluntárias por meio da Rede de Acolhimento Manuella Otto”, explica a militante.

 

Outras informações sobre a ocupação estão disponíveis no perfil do Movimento de Mulheres Olga Benário no Amazonas no Instagram: www.instagram.com/movimentoolga.am

 

Fotos: Divulgação/Movimento de Mulheres Olga Benário Amazonas 

 



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