
A ADUA, com conjunto com demais representantes da comunidade acadêmica, movimentos sociais e entidades sindicais se reuniram na tarde desta segunda-feira (11), no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para definir estratégias de mobilização em defesa da universidade pública após episódios envolvendo grupos de extrema direita no campus em Manaus.
Durante a reunião, os e as participantes defenderam a unidade das lutas dos diferentes segmentos da comunidade acadêmica e a realização de ações dentro e fora da universidade para fortalecer a organização coletiva em defesa da universidade pública.
Entre os encaminhamentos definidos está a construção de uma ação política e cultural e a criação de um grupo de trabalho (GT) permanente para organizar mobilizações em defesa da universidade.
A ADUA sediará a próxima reunião organizativa na sexta-feira (15), às 14h, no auditório da seção sindical. A atividade reunirá representações do Fórum Unidade na Luta do Amazonas, composto por sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos.
Segundo Ricardo Miranda, tesoureiro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e coordenador do coletivo Universitário da União da Juventude Socialista (UJS) no Amazonas, a proposta é preparar a comunidade acadêmica diante de “grupos que queiram aproveitar alguma pauta para conseguir visualização ou engajamento com objetivo acabar com caráter público e gratuito da universidade, especialmente em ano eleitoral”.
O professor do Departamento de Ciências Sociais, Luiz Antonio Nascimento de Souza, que esteve diretamente envolvido no episódio ocorrido no dia 5 de maio, quando um grupo de extrema direita invadiu a universidade, afirmou que o episódio não diz respeito apenas a ele, mas a toda a comunidade universitária. “Essa não é uma luta individual. Existe uma frase de diferentes grupos étnicos africanos que expressa isso muito bem: ‘eu sou o que somos’”, declarou.
O docente destacou ainda o papel histórico da Ufam na formação profissional e acadêmica da população amazônida e defendeu a importância da universidade pública na construção do pensamento crítico. “Nós estamos fazendo aquilo que é da nossa competência: formar uma massa crítica capaz de pensar criticamente a sociedade e a universidade”, afirmou.
Luiz Antônio também relembrou a greve realizada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990, quando docentes se mobilizaram contra uma proposta de privatização das universidades públicas. “Naquela greve não recebemos um centavo a mais no salário, mas barramos uma proposta que pretendia privatizar a universidade, pois alteraria dois trechos da Constituição Federal que garantem o ensino superior gratuito e público".
O episódio foi citado por ele como exemplo da necessidade de enfrentamentos em defesa da universidade pública e da educação de qualidade. Luiz Antônio encerrou a fala cumprimentando a representação estudantil pela coragem de se manterem firmes diante das ameaças, em um ato que classificou como uma “ação pedagógica de defesa da universidade”.

A presidente da ADUA, professora Ana Lúcia Gomes, afirmou que as ações organizadas precisam dialogar diretamente com a sociedade e rebateu acusações feitas contra docentes durante sessão da Câmara Municipal de Manaus. “É necessário mostrar à sociedade o que aconteceu dentro da universidade. A gente quer entrar na Câmara pela porta da frente e não como ele fez aqui dentro da nossa universidade, invadindo os nossos espaços”, disse a docente.
O 2º vice-presidente da ADUA, professor José Alcimar de Oliveira (IFCHS) reafirmou a solidariedade registrada em nota pública da entidade ao professor Luiz Antônio e aos(às) estudantes que permaneceram no local durante o episódio. “A universidade pública brasileira é o nosso mais importante patrimônio institucional. Não podemos permitir que ela seja desqualificada pela extrema direita nas redes sociais”, disse.

A 1ª secretária da Regional Norte 1 do ANDES-SN e professora do Sindicato dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (Sind-UEA), Ceane Simões, também destacou a necessidade de resistência coletiva diante dos ataques às universidades públicas. “O campo conservador acha que vai impor a agenda conservadora e que vai impor a política de medo. Acha que abriu a temporada de desqualificação das universidades públicas, mas nós não vamos recuar e estamos atentos e atentas, organizadas em comunidade, porque é a nossa tarefa política e ética defender a universidade pública, gratuita e de qualidade referenciada”.
Fonte: ADUA
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