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  12/05/2026



PM invade campus da USP em ação violenta; ANDES-SN publica nota de repúdio



 

 

 

A Polícia Militar de São Paulo invadiu, na madrugada do dia 10 de maio, o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) para retirar cerca de 150 estudantes que ocupavam o espaço há três dias como forma de exigir a reabertura de negociações entre o reitor Aluísio Segurado e o movimento estudantil que está em greve há quase um mês. O ANDES-SN publicou uma nota, no dia 11, repudiando a ação da PM.

 

A operação truculenta contou com 50 policiais e deixou várias pessoas feridas. De acordo com a reitoria, a PM não comunicou previamente a administração da universidade sobre a operação, mas foi a gestão da USP que informou à Secretaria de Segurança Pública sobre a ocupação do prédio. Desde o dia 8 de maio, a PM e o Batalhão de Ações Especiais (BAEP) passaram a ocupar a área do prédio.

 

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que houve seis feridos levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno. Dois já foram liberados e quatro continuam internados, sendo que um deles teve o nariz fraturado. Segundo o DCE, os policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes que feriram as e os estudantes.

 

Em nota, o ANDES-SN repudiou veementemente a ação violenta e truculenta da PM de São Paulo. Para a entidade, a operação evidencia uma escalada repressiva incompatível com os princípios democráticos que devem orientar a vida universitária. “É extremamente grave que reivindicações estudantis legítimas sejam respondidas com violência policial em uma das universidades de maior referência acadêmica e científica da América Latina”, afirmou o Sindicato Nacional.

 

Para o ANDES-SN, o episódio torna-se ainda mais preocupante diante do abandono, por parte da Reitoria da USP, dos canais de diálogo e de negociação. As(os) estudantes buscavam retomar as negociações após o encerramento unilateral das tratativas, anunciado pela própria Reitoria à imprensa durante a reunião de negociação da data-base entre o Fórum das Seis e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Curesp), no dia 04.

 

“A ocupação da reitoria expressava a justa reivindicação de um espaço legítimo de interlocução e de diálogo político, condição básica de uma universidade comprometida com a democracia interna e com a educação pública e de qualidade”, ressaltou o Sindicato Nacional.

 

A entidade se solidarizou com as(os) estudantes, bem como com toda a universidade uspiana. “Reafirmamos que a universidade deve cumprir seu papel social e, sobretudo, pedagógico, na construção de formas democráticas de resolução de conflitos e não recorrer à violência de Estado para silenciar a legítima mobilização estudantil”, concluiu a nota do ANDES-SN.

 

O Fórum das Seis – que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza – também repudiou a violenta ação policial na reitoria da USP.  O Fórum ressalta a ilegalidade da ação policial, sem determinação de reintegração de posse e feita na madrugada, e responsabiliza o reitor da USP e do governador Tarcísio de Freitas que, segundo notícias na imprensa, a planejaram detalhadamente nos últimos dias.

 

“As cenas de violência da ação policial mancham a história da USP, trazendo à lembrança os sombrios períodos da ditadura militar-empresarial. Universidade pública é local de diálogo democrático! O Fórum das Seis insta o reitor Aluísio Segurado a reabrir as negociações com as entidades representativas e dialogar efetivamente sobre as justas reivindicações dos estudantes, que lutam por condições dignas de estudo e permanência”, afirmou em nota o Fórum.

 

Reivindicações

 

A principal reivindicação do movimento estudantil é o reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). De acordo com o DCE da USP, na primeira mesa de negociação, a reitoria informou que não seria possível aumentar ou reajustar nenhum valor, mas na segunda mesa voltou atrás e apresentou um reajuste de R$ 27 e, para os moradores do Cruesp, um aumento de só R$ 5 no valor do auxílio. “O que estamos exigindo agora, que é a principal demanda dos estudantes, é sobretudo o aumento do auxílio”, afirmou em coletiva de imprensa, na noite do dia 7 de maio, Rosa Baptista Miranda, integrante da direção do DCE-Livre.

 

“Esse processo de mobilização é na verdade uma resposta à negligência da Reitoria. É uma resposta daqueles que estão cansados de ser ignorados por um órgão que deveria atender e ouvir os seus estudantes”, acrescentou Rosa. Na ocasião, a estudante reconheceu que houve avanço nas negociações, com a revogação de uma minuta sobre os espaços estudantis e o estudo da criação de cotas trans e indígenas para acesso à USP. No entanto, na sequência, o processo diálogo foi interrompido unilateralmente por parte do reitor Aluísio Segurado.

 

Ataques na UFAM 

 

Mais um ataque recente aos espaços das universidades públicas ocorreu na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Grupo de pessoas da extrema direita entrararam no espaço da instituição de ensino no dia 25 de abril (sábado) e no dia 05 de maio.

 

Na primeira ocasião, o grupo rasgou cartazes com mensagens antirracistas, feministas, em defesa do povo palestino, entre outras. Já no segundo episódio um vereador de Manaus, que fazia parte do grupo, insultou estudantes e o professor de Ciências Sociais, Luiz Antonio Nascimento de Souza. Saiba mais aqui.

 

No dia 04 de maio, estudantes da Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) realizaram um ato público contra os ataques ocorridos nas redes sociais em razão de um vídeo com discentes realizando uma atividade artística na área externa da faculdade.

 

O Sindicato dos Docentes da UEA (Sind-UEA) emitiu, no dia 06 de maio, uma Nota de Alerta: Em Defesa da Universidade Pública e Contra o Populismo Digital Extremista. No documento, a entidade afirma que “vem a público manifestar seu repúdio e alerta diante da escalada de ataques coordenados contra as comunidades acadêmicas da UFAM. Como dirigentes sindicais, identificamos nestes episódios a face mais perversa do populismo digital, fenômeno que se intensifica em períodos pré-eleitorais para angariar engajamento midiático à custa da descredibilização de instituições públicas”. Leia na íntegra o documento  aqui.

 

Fontes: ANDES-SN, Agência Brasil e Adusp SSind



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