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  27/04/2026



Região Norte concentra 61% dos assassinatos no campo



 

 

 

A Região Norte do país concentra pouco mais de 61% dos assassinatos no campo registrados em 2025. Em recorte por estado, Rondônia e Pará são os com a maioria dos casos. Nacionalmente, houve aumento de 100% no número de assassinatos em 2025, em comparação com o ano anterior.

 

Os dados são do relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, lançado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na segunda-feira (27/04), na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF). 

 

No total, foram registrados 26 casos de assassinatos no campo no ano passado, enquanto em 2024 foram 13 ocorrências. Desse total, 16 foram registrados em três estados do Norte: sete em Rondônia, sete no Pará e dois no Amazonas. Em 2024, foram registrados sete assassinatos no campo em toda a Região Norte.

 

A publicação notifica dois massacres em 2025, que, na compreensão da CPT, ocorrem quando há mais de três mortes em uma mesma ocasião, localidade e espaço de tempo, em ataques concentrados de forças públicas ou privadas. Um caso ocorreu no Pará e o outro, em Rondônia, cada um com três vítimas, o que representa 23% dos assassinatos do ano passado.  

 

Na visão da integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, Larissa Rodrigues, os números revelam “o avanço de um projeto histórico de expansão colonial e capitalista sobre a Amazônia, que continua atingindo e transformando os povos e territórios inteiros em alvos de expropriação e extermínio”. Ela atribui esse quadro de mortes ao fortalecimento do “consórcio entre grilagem, crime organizado, setores do Estado, além de setores privados, que atuam juntos para atingir terras públicas e áreas protegidas”.

 

Violência

 

O relatório revela que os fazendeiros são os principais agentes envolvidos nos casos de assassinatos do ano passado. Dos 26 registros no país, 20 – ou cerca de 77% – são atribuídos, direta ou indiretamente, a esse grupo, na condição de mandantes ou executores. 

 

O documento denuncia ainda o aumento nos registros de prisões (de 71 para 111), casos de humilhação (de 5 para 142) e cárcere privado (de 1 para 105). “A alta dos casos de humilhação e cárcere, por exemplo, se dão pela ação arbitrária da polícia militar do estado de Rondônia, que, em novembro de 2025, no contexto da operação ‘Godos’, interrompeu uma reunião pública com cerca de 100 famílias sem-terra, despejadas de seus acampamentos, e servidores do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar)”, explicou o documentalista do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc/CPT), Gustavo Arruda.

 

Ele acrescenta que “o aumento dos casos de prisões também se dá por conta de ações pontuais da força do Estado sob comunidades. Neste caso, é reflexo da Polícia da Bahia, que prendeu cerca de 24 povos originários da Terra Indígena Barra Velha e da Polícia Militar de Rondônia, que realizou operações de perseguição a integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP)”.

 

Fonte: com informações da CPT

 

Foto: MST/Reprodução



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