
Com o objetivo de aprovar resoluções em defesa dos direitos dos docentes, da classe trabalhadora e de enfrentar a extrema direita, mais de 600 professores e professoras participam do 44º Congresso do ANDES-SN, realizado entre os dias 2 e 6 de março, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador (BA).
Com o tema central “Na Capital da Resistência, das Revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”, o encontro é considerado o maior espaço de deliberação da categoria docente do Sindicato Nacional.
O congresso reúne representantes de 87 seções sindicais e duas seções convidadas, totalizando 463 delegados(as), 146 observadores(as) e 34 diretores(as), além de convidados(as), profissionais da imprensa, assessoria jurídica, funcionários do ANDES-SN, 14 crianças e demais participantes. A atividade encerra nesta sexta-feira (6).
Representada por uma delegação com 12 docentes, a ADUA integra as atividades com os(as) delegados(as) Ana Lúcia Gomes (ICB), Maria Audirene Cordeiro (ICSEZ), Edilanê Mendes (INC), Katia Vallina (aposentada), Karime Mendes (ICE), José Alcimar de Oliveira (IFCHS), Aldair Andrade (IFCHS) e Tomzé Costa (aposentado).
Participa como observadora a professora Angela Maria Gonçalves (IEAA). Como observadores participam os professores Raphael Di Carlo (ICE), Pedro Fernandes (IFCS) e Raimundo Nonato (IFCHS).
Também docentes sindicalizados à ADUA, estão presentes o professor Francisco Jacob Paiva, que atua como 3º secretário do ANDES-SN, e o professor Marcelo Vallina, 1º vice-presidente da Regional Norte I do ANDES-SN.
Abertura

Durante a manhã e a tarde do primeiro dia, foram realizadas apresentações culturais do Grupo de Ogãs da Casa de Oxumarê, terreiro dedicado a Oxumarê que mantém viva a tradição religiosa e cultural afro-brasileira como expressão de fé, resistência e afirmação cultural.
Também se apresentou Thiago Tupinambá, estudante de licenciatura em Artes Visuais da UFBA e jovem liderança do povo Tupinambá.
A mestra de cerimônias Drag Lola Apple saudou a plenária, apresentou orientações aos(às) congressistas e convidou representantes para compor a mesa de abertura, formada por integrantes de movimentos sociais, populares, estudantis e coletivos.

Lançamentos
Entre os lançamentos realizados durante a programação de abertura esteve o número 77 da revista Universidade e Sociedade, com o tema “Educação Pública em Movimento: resistências e desafios da multicampia e em regiões de fronteira”.
O editorial destaca que conhecer e discutir os desafios enfrentados por docentes em instituições multicampi e localizadas em regiões de fronteira tem sido uma prioridade do ANDES-SN. A edição reúne sete produções de professoras e professores de instituições federais, estaduais e municipais que têm como especificidade a multicampia ou a localização em áreas de fronteira, em diferentes regiões do país. Entre as produções, estão contribuições de docentes da base da ADUA.

Também foi lançada a cartilha Docência sem Barreiras, elaborada pelo Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual. O material reúne orientações sobre inclusão, diversidade e direitos, abordando temas como acessibilidade educacional, direitos das famílias atípicas e a necessidade de acolhimento da diversidade nas universidades, institutos federais e Cefets.
Segundo os(as) organizadores(as), o conteúdo da cartilha será desdobrado em campanhas e materiais de comunicação voltados à conscientização da comunidade acadêmica.
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Durante o congresso também foi lançada a Campanha de Sindicalização 2026, que busca fortalecer a base do sindicato por meio da ampliação da participação docente nas seções sindicais.
Na plenária de instalação foi aprovado o regimento do Congresso e apresentada a Comissão de Ética, responsável por apurar casos de assédio e abuso sexual e moral durante o evento.
Plenária de Conjuntura
Na noite do primeiro dia foi realizada a Plenária de Conjuntura e Movimento Docente, dedicada ao debate sobre o cenário nacional e internacional e os desafios para a mobilização da categoria.

Ao todo, 15 textos foram enviados ao Caderno do Congresso e serviram de base para análises da conjuntura política, econômica, social e educacional no Brasil, além de reflexões sobre o cenário internacional.
As intervenções destacaram os 45 anos do ANDES-SN, comemorados em 19 de fevereiro, reforçando a importância de seu caráter autônomo, independente e de construção pela base.
Durante os debates foi ressaltada a necessidade de unidade de luta para enfrentar a extrema direita e defender os direitos da categoria docente. Também foi defendido o fortalecimento de alianças internacionais e a ampliação da solidariedade entre os povos do Sul Global.
Outro ponto destacado foi a continuidade da luta contra a reforma administrativa e pela recomposição do orçamento das universidades públicas, institutos federais e Cefets.
Os debates também reforçaram a importância da luta por justiça social, na construção de uma sociedade antirracista e no combate ao machismo, à LGBTI+fobia, ao capacitismo e à violência do Estado, especialmente contra populações pobres e periféricas.
A mesa da plenária contou com a participação de Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul do ANDES-SN; Jacob Paiva, 3º secretário do ANDES-SN; Virgínia Viana, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste I; e Márcio Wagner, 1º vice-presidente da Regional Norte II.
Grupos Mistos
A programação do segundo dia (3 de março) e da manhã do terceiro dia (4 de março) foi dedicada aos Grupos Mistos, organizados em 12 grupos, nos quais foram discutidos os Textos de Resolução (TR). As propostas debatidas nesses espaços são posteriormente encaminhadas para votação nas plenárias.

Plano de Lutas dos Setores do ANDES-SN
A plenária do Tema II teve início na quarta-feira (4) e foi concluída na quinta-feira (5), debatendo e deliberando sobre as ações estratégicas que orientarão a mobilização docente em 2026.

Iees, Imes e Ides
No setor das Instituições Estaduais, Municipais e Distritais de Ensino Superior (Iees, Imes e Ides) foi aprovado um calendário com semanas de mobilização e debates econômicos, incluindo uma Semana de Lutas em maio, voltada à pressão por mais recursos para as universidades.
Também foi aprovada a realização do XXII Encontro do Setor, no segundo semestre, que debaterá propostas de financiamento e a criação de um fundo orçamentário federal. O plano de lutas reafirma a mobilização contra o arcabouço fiscal e políticas de austeridade, defendendo o investimento mínimo de 10% do PIB na educação pública.
Ifes
No setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes), o plano de lutas aprovado prevê a intensificação das mobilizações nacionais e locais em defesa do serviço público, contra a reforma administrativa e pela pauta unificada dos servidores federais.
Entre as ações estão a construção de um calendário unificado de paralisações com o Sinasefe e a Fasubra, além da campanha pela recomposição orçamentária das instituições federais de ensino.
O sindicato também realizará um levantamento nacional sobre redistribuição, vacância e remoção de docentes, além de reivindicar ao Ministério da Educação a criação de um Banco Nacional de Redistribuição Docente.
“Nós avançamos naquilo que era possível avançar. Alguns acordos foram feitos com modificações para atender determinados segmentos. Por exemplo, o RSC é um tema muito polêmico. Essa é uma discussão de fundo muito importante. Há uma confluência entre as entidades aqui presentes (federais, estaduais, municipais) de que é preciso encampar projetos de unificação da categoria, com pautas que possam ser mobilizadas coletivamente por toda a classe trabalhadora. De modo geral, há um processo de disputa em torno das estratégias de mobilização, dos avanços e da pressão sobre o governo para o cumprimento dos acordos de greve, principalmente nas estaduais, onde muitos deles ainda não foram cumpridos”, explicou o professor Aldair Andrade.
O docente acrescenta que alguns TRs não foram aprovados e, provavelmente, não serão incluídos no relatório final. Contudo, as deliberações realizadas resultaram de um debate intenso, o que enriqueceu as discussões e contribuiu para o amadurecimento de temas que poderão ser retomados no CONAD e no próximo Congresso.
“No setor das federais houve uma disputa bastante intensa em torno da questão da greve. Existia a perspectiva de que o ANDES-SN deveria encampar a proposta de realizar uma rodada de assembleias para consultar a categoria sobre a possibilidade de um movimento paredista. Esse ponto gerou um longo debate e, ao final, chegou-se à conclusão de que, apesar das divergências, este não é o momento para estabelecer esse encaminhamento. A proposta acabou sendo superada, inclusive porque já havia sido minoritária em dois grupos, e foi retirada por ser considerada inviável neste momento”, explicou Aldair Andrade.
Na noite do quinto dia do congresso, teve início a plenária do Tema II – Plano Geral de Lutas, cuja continuidade está programada para a manhã do último dia do encontro, sexta-feira (6). Já para o período da tarde, está agendada a Plenária do Tema IV – Questões Organizativas e Financeiras, seguida pelo encerramento.

Manifestações
Durante o congresso foram realizadas duas importantes intervenções ainda no dia 5 (quinta-feira), como o ato internacionalista alinhado à Jornada Continental de Ação pelo Direito à Migração e pela Soberania dos Povos, com críticas ao imperialismo e à criminalização de migrantes em diversos países.

Pela tarde, o Coletivo de Negras e Negros do ANDES-SN realizou manifestação. Com cartazes com frases como “Sem antirracismo não há sindicato”, “Quilombo resiste” e “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista e lutar”, docentes reivindicaram políticas efetivas de combate ao racismo nas universidades e dentro do sindicato.
Durante o ato foi lida a Carta de Salvador, que cobra ações concretas de enfrentamento ao racismo institucional, assistência jurídica às vítimas, fortalecimento da política de cotas e formação antirracista nas universidades.
“A campanha ‘Ser docente antirracista’ sem dúvida é importante, mas não pode ser apenas palavras e cartazes. Precisamos de ações concretas, assistências jurídicas efetivas quando somos vítimas de racismo. Precisamos de concursos que nos coloquem como direito e não como loteria. Precisamos de formação antirracista para todos em nossas universidades, precisamos de protocolos devidamente escurecidos e que não nos deixem sozinhos e sozinhas quando denunciamos”, esse é a mensagem de um trecho da Carta de Salvador do Coletivo, lida durante o congresso por diversos professores e professas, dentre eles a professora Audirene Cordeiro.

Apresentações culturais
Os trabalhos do terceiro dia do congresso foram abertos com apresentação poética do coletivo Slam das Minas Bahia.
Na manhã do dia 5 foi realizada a manifestação cultural do Nego Fugido, tradição do povoado de Acupe, em Santo Amaro (BA), que encena a luta histórica contra a escravidão.

À tarde, a artista e drag queen Dandara apresentou músicas que abordam racismo, violência e resistência, entre elas “Zumbi”, interpretada por Ellen Oléria, e “A Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares
Fotos: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
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