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  26/01/2022 - por José Alcimar de Oliveira



O crime da Vale no vale do crime



 

01. 25 de janeiro de 2022. Três anos do maior crime socioambiental da história do Brasil, país que se converteu num vale do crime. Na oração da Salve Regina clama-se a Deus desde um lacrimarum valle. Ou lamarum valle, num latim ao arrepio da gramática. Na cartografia da Vale vale o lucro de uns à custa de vidas muitas convertidas em lama.  

 

02. Na manhã do dia 25 de janeiro de 2019 rompeu-se a barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais. Em menos de cinco minutos cerca de 300 vidas, na maioria trabalhadores e trabalhadoras da mega e amarga empresa Vale do Rio Doce, foram soterradas pela lama tóxica dos rejeitos de mineração.

 

03. Nos idos do século de XIX o Mouro de Trier já apontava, desde outro vale, que é da natureza do sistema universal de mercantilização da vida do ser natural e do ser social constituir-se como usina predatória das duas fontes de toda a riqueza possível: a terra e o homem. Florestas, terras, rios e homens, nada escapa à predatória usinagem da riqueza.

 

04. Há tempos, já não me recordo quando, no Brasil sob o governo do golpe empresarial-militar de 1964, o grande Millôr Fernandes escrevera: como vale o verde no verde vale. Sob a ordem do vale do capital, que controla a Vale e submete com força de milícia o Estado e seus aparatos, a que instituição poderão recorrer as vítimas de Brumadinho?

 

05. Vivos, e mortos inclusive, para recorrer a Walter Benjamin, nunca estarão em segurança enquanto a justiça e a segurança estiverem subordinadas ao poder do capital. Até quando teremos que suportar a omissão do Estado brasileiro? Até quando prevalecerá o silêncio diante de tantos crimes cometidos sob a luz do dia?

 

06. Até quando o país viverá imerso em tempos sombrios, de ostensiva destruição da memória, de criminosa falsificação da história, de desdém pela verdade e de financiamento miliciano da mentira? Como recuperar o poder da verdade se o próprio regime da verdade só obedece à verdade do poder?

 

07. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, proclamou o Nazareno. Seguidores do Caminho, assim se apresentavam seus primeiros seguidores. Se até em Deus – o Deus do Nazareno –  o Caminho se antecipa à Verdade, que valor teria a Verdade se em lugar da Vida tomasse ela o Caminho da morte? Vítimas da Vale da morte, Presentes!

 

 

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

 

 

*José Alcimar de Oliveira é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas, teólogo sem cátedra, segundo vice-presidente da ADUA – Seção Sindical – e filho do cruzamento dos rios Solimões e Jaguaribe. Aos 25 de janeiro do ano da virada de 2022 e aos três anos do crime socioambiental de Brumadinho.

 







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