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  22/09/2021 - por Isaac W. Lewis*



Educação política em um país colonizado



 

“É possível enganar algumas pessoas todo o tempo; é também possível enganar todas as pessoas por algum tempo; o que não é possível é enganar todas as pessoas todo o tempo” (Abraham Lincoln, 1809-1865).

 

Quando os eleitores escolhem mal os seus representantes políticos, obviamente, eles serão mal representados por esses representantes em todos os fóruns importantes. No século XIX, após a proclamação da independência do Brasil de Portugal (1822), realizada por D. Pedro, letrados brasileiros, que se autodenominavam etnógrafos, mostraram-se preocupados com o futuro da nação brasileira por conta de a maioria da população ser negra, descendentes de africanos e de ameríndios. Pressupuseram que não havia motivo de preocupação com relação aos descendentes de europeus e, principalmente de luso-brasileiros, incluindo a população mameluca. Vale ressaltar que vários letrados eram mamelucos. Pena é que esses estudiosos não puderam acompanhar o desenvolvimento político tanto do Brasil como de outros países da América Latina, África e da Ásia, pois, com certeza, eles ficariam perplexos com as semelhanças comportamentais dos políticos, militares, empresários e intelectuais de todos os países colonizados. Nesses países, jovens acadêmicos, oriundos das classes desfavorecidas, tiveram oportunidade de estudar criticamente os textos elaborados pelos letrados acadêmicos do século XIX e realizaram estudos sérios sobre os comportamentos sociais e políticos dos descendentes de senhores e senhoras de escravos, de seus agregados e dos colonizadores europeus.

 

Entretanto os letrados brasileiros do século XIX poderiam ter sido menos parciais, se tivessem lido criticamente o livro “A cabana do tio Tomás”, de Harriet Beecher ou o livro “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis, pois essas autoras apresentaram personagens brancos, comprometidos com injustiças e desigualdades sociais, características das sociedades capitalistas, colonialistas e escravagistas. No Brasil, estudiosos criticam a tese “lugar da fala”, defendida por autores europeus, americanos, africanos e asiáticos. Como não entender o lugar da fala de autores que manifestaram seus preconceitos e discriminações com relação aos povos não europeus, seguindo a tradição de pseudocientistas europeus que defenderam a expropriação material, cultural e de direitos de povos que habitavam os continentes invadidos pelos colonizadores europeus que, ao desembarcarem nesses continentes, já traziam ordenações e leis, elaboradas pelas classes privilegiadas europeias, que legitimavam a barbárie e selvageria dos europeus e desqualificavam e condenavam as justas revoltas dos povos que viviam nos continentes invadidos.

 

Vários  autores, incluindo principalmente historiadores, tentam justificar a escravidão, afirmando ser essa forma de exploração do homem pelo homem uma etapa do modo de produção, porém, tanto Harriet Beecher quanto Maria Firmina dos Reis, em seus livros, mostram que tal exploração era um crime contra a humanidade. No século XX, vários autores desnudaram as intenções criminosas dos colonizadores europeus na América, África e na Ásia. Apresentaremos alguns desses autores. Aimé Cesáire (Discurso sobre o colonialismo), Angela Davis (Mulheres, raça e classe), Eduardo Galeano (As veias abertas da América Latina), Frantz Fanon (Os condenados da terra). Achille Mbembe (Crítica da razão negra), Albert Memmi (Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador).

 

 

*Professor aposentado da Faculdade de Educação/UFAM







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