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  25/03/2020 - por Marcelo Seráfico



A barbárie como política



 

 

É tudo calculado. Bolsonaro, por certo, decide com pesquisas de opinião de um lado e assessores muito bem preparados de outro. Nada é aleatório. Talvez nossa dificuldade de compreender resida no fato de ele agir dentro de uma lógica política que nos é estranha e inaceitável. A lógica mesma em torno da qual se erigiu o bolsonarismo e o trumpismo. Até o aparecimento deles, mesmo as mentiras tinham que soar verdadeiras, mesmo as políticas de destruição precisavam parecer construtivas, mesmo as barbáries careciam de ares civilizados. Com eles isso acaba. A mentira, a destruição e a barbárie são assumidas como política de Estado. 

 

 

Isso embaralha de modo novo as velhas cartas. Finda a hipocrisia. Findam os eufemismos. Encerra-se a política como exercício moralista e de figuras de linguagem.

 

 

Os modos de pensar e agir ficam às claras. Talvez estejamos - ou eu esteja - perplexos porque, com tudo isso, o presidente mantém o apoio de pelo menos 30% dos cidadãos que votam. Isso não é pouco. Fique ou vá Bolsonaro, esses 30% continuarão a votar em quem defenda as ideias defendidas por ele e distribuindo mentiras, destruição e barbárie por onde passem.

 

 

O desafio, portanto, é maior do que a capacidade das organizações que se dizem contrárias ao bolsonarismo tem revelado para enfrentá-lo.
A razão para isso, creio eu, é que parte dessas organizações vê a parte fora do todo. Para elas, Bolsonaro é o problema, não o que ele representa. Ele, aliás, é, em boa medida, subproduto do modo de agir dessas mesmas organizações que, agora, pretendem opor-se a ele. 

 

 

Uma figura caricata não emerge em cenários nos quais mesmo as enviesadas instituições da democracia burguesa funcionem minimamente. 
Entre 1988 e hoje, vimos a afirmação de conquistas e sua negação sistemática por aqueles eleitos para assegurá-las. Se não negavam as conquistas em si, como nos governos do PT, minavam-nas com acordos e projetos que ou as inviabilizavam ou as punham em plano secundário.

 

 

O golpe contra Dilma foi o clímax dessa concertação política de direita que escancarou as portas para a entrada da extrema direita no salão principal da política. E foi dado por ninguém menos que o vice-presidente da República. A conciliação foi liquidada e converteu-se em brutalidade. Uma brutalidade que pretenderam, mas para a qual não tiveram forças, os emplumados de FHC. 
Bolsonaro é uma caricatura política de FHC. Não é à toa a opção preferencial deste pelo silêncio ou pelos posicionamentos professorais sobre Bolsonaro. Agora, parece, insustentável. A responsabilidade política dele é com o projeto em execução, não com as consequências dele para a maioria. Isso os une, ainda que possam odiar-se mutuamente ou distinguir-se por idiossincrasias várias.

 

 

De fato, Bolsonaro põe fim à Nova República, instaurando uma ordem pré-republicana e ultra-capitalista. As instituições da República, como vemos, estão destroçadas no meio da rua. E estamos sendo cobrados a reerguê-las ou a inventar novas enquanto passa um furacão. É um baita desafio.

 

 

Marcelo Seráfico é professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas



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