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  01/04/2025 - por Lucas Milhomens



A realidade é mais complexa que a ficção: o mundo assombrado pelas Big Techs



 

 

 

Lucas Milhomens*

 

“As corporações são instituições totalitárias. Elas são tiranias privadas, hierárquicas, controladas de cima para baixo. Se elas fossem um país, seriam chamadas de ditaduras”.

Noam Chomsky

 

Uma saudação nazista feita pelo homem mais rico do mundo no dia da posse do homem mais poderoso do mundo. Essa foi a sinalização dos tempos sombrios que já vivemos sob a égide de homens (sempre eles!) como Elon Musk e Donald Trump. No entanto, o poder desses dois personagens não seria o mesmo se não fosse a existência de um grupo poderoso (formado em sua maioria por homens brancos de meia idade), que vem influenciando há décadas todo o mundo, o qual aprendemos a chamar de Big Techs. Mas, afinal, qual o significado dessas duas palavras em inglês?

 

Big Techs são grandes corporações de tecnologia (vulgo empresas e grupos privados) que monopolizam o mercado global em determinado segmento. Elas têm influenciado diretamente a sociedade em vários aspectos, desde a inovação tecnológica, economia, política, cultura, comportamento, mercado de trabalho, comunicação, privacidade, segurança de dados e uma série de outras questões fundamentais para o futuro da democracia, e porque não dizer da humanidade. Nomes conhecidos do grande público como Alphabet (Google), Amazon, Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp), Microsoft, Apple, Tesla, Netflix, TikTok, dentre outros fazem parte do seleto grupo de trilionários cada vez mais ávidos por dinheiro e poder.

 

A realidade se impondo à ficção

 

Se uma pessoa do século passado entrasse em uma máquina do tempo e saísse em 2025 acharia deveras estranho observar todo mundo com a cabeça baixa olhando fixamente para a tela de um objeto retangular na palma de nossas mãos. Nunca, em toda a história, a população comum teve a seu dispor tantos recursos tecnológicos comunicacionais como agora. Vivemos em um mundo plugado, onde a internet (e tudo que ela traz) se tornou onipresente em todos os aspectos da vida individual e coletiva.

 

Na ficção científica, obras clássicas como “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley; “1984”, de George Orwell; “Neuromancer”, de William Gibson, e “Androides sonham com ovelhas elétricas” (que inspirou o filme Blade Runner), de Philip K. Dick, já nos antecipavam o perigo dos avanços tecnológicos e comunicacionais nas mãos de poucas e inescrupulosas corporações, mancomunadas a governos despóticos, dependendo de suas preferências políticas ou cores ideológicas. O que estamos vendo nesse momento é a realidade se impondo à ficção, em que essas empresas citadas anteriormente não têm pudor algum em colocar seus interesses privados acima de tudo e de todos, criando um ambiente de vigilância, controle, perda de privacidade, dependência tecnológica e manipulação da informação como nunca se viu antes.

 

 

Dossiê das Big Techs

 

Em dossiê recente publicado por entidades de combate à desinformação, é possível verificar, com riqueza de detalhes, os malefícios que vêm sendo praticados por essas grandes corporações tecnológicas e suas plataformas. No “combo de maldades” produzido pelas Big Techs, estão questões centrais como o estímulo a comportamentos nocivos e violentos em crianças e adolescentes, falta de ações concretas contra criminosos que utilizam suas redes (como golpistas, assassinos e pedófilos), incapacidade de eliminar robôs e perfis falsos que manipulam o debate público, coleta de dados privados mesmo quando não autorizados por seus usuários, envolvimento ativo nas disputas políticas de países distintos, produção algorítmica que manipula e orienta pessoas ao extremismo político (como a criação de grupos neonazifascistas) e um lucro abissal com a propagação de notícias falsas.

 

Não coincidentemente, empresas como a Meta de Mark Zuckerberg vêm sendo denunciadas há anos por questões como o impacto à saúde mental de jovens usuários em suas redes sociais, práticas anticompetitivas e monopólio do setor, vazamento de dados, falta de privacidade de seus usuários e, talvez o mais grave – como apontou recentemente o Relatório de Riscos Globais para 2025, feito pelo Fórum Econômico Mundial¹ –, a “desinformação”.

 

O CEO da referida corporação anunciou publicamente (em um timing perfeito antes da posse do novo presidente dos EUA) mudanças nas diretrizes da empresa em relação à “checagem independente de fatos” (fact-checking), anteriormente feita por organizações ou profissionais independentes, que analisavam a veracidade das informações, notícias ou conteúdos publicados em suas plataformas. Tal procedimento foi fundamental para combater parte das fake news que circulavam em suas redes, o que não mais acontecerá. Um aceno direto de Zuckerberg à política de desinformação e caos implementado por Trump e seus ideólogos reacionários de extrema direita como Steve Bannon².

 

Tal sinalização não foi feita apenas pelo dono da Meta. O ‘X’ de Elon Musk foi uma das primeiras redes sociais a adotar uma postura intervencionista e contra a checagem independente de informações, alegando censura à “liberdade de expressão” de seus usuários, mesmo que alguns deles cometam crimes dos mais diversos. O Google (ou Alphabet), no mesmo caminho, atualizou suas diretrizes éticas para inteligência artificial, desfazendo seu compromisso anterior de não usar essa tecnologia para divulgar armamentos e questões relacionadas à vigilância, tal qual orienta os princípios do direito internacional. Além disso, a empresa mudou recentemente sua política de diversidade na contratação de novos funcionários, diminuindo essa possibilidade. Ao que parece as Big Techs caminham, a passos largos, na esteira do conservadorismo de extrema direita que, como bem sabemos, alimenta o que há de mais vil na humanidade, desde o racismo (que nos EUA chamam de supremacismo branco) até a expulsão e execução em massa de pessoas que o mundo ocidental adora denominar de “minorias”, sejam elas étnicas ou culturais³.

 

E agora, o que fazer?

 

Internet não é terra sem lei! É preciso que reforcemos os aspectos da soberania nacional quando falamos em respeito às normas e instituições brasileiras, coisa que os magnatas da tecnologia parecem ignorar e até combater. A regulamentação das plataformas e o desenvolvimento de soluções públicas que possam ser alterativas a essas grandes redes – a partir de um debate democrático, ético, plural e com a presença de especialistas sobre a temática – parece ser um caminho necessário (e urgente!) para mitigar os danos que as Big Techs vêm causando há anos. A pergunta crucial e que nos garantirá um futuro menos sombrio para a humanidade (diferentemente das sociedades distópicas previstas pelos mestres da ficção científica) é: teremos condição de fazer essas mudanças?

 

¹ Disponível em: https://reports.weforum.org/docs/WEF_Global_Risks_Report_Press_ Release_2025_PT.pdf. Acesso em: 11 de fevereiro de 2025.

² Estrategista político de extrema direita que influenciou a primeira eleição de Donald Trump.

³ O que está acontecendo nesse momento com os palestinos na Faixa de Gaza é um exemplo avassalador dessa combinação política de governos de extrema direita (no caso Israel e EUA) apoiados e potencializados pela nata das Big Techs a partir de suas redes sociais.

 

*Lucas Milhomens é jornalista e professor do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia  da Ufam.







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