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Assassinatos de mulheres crescem 62,7% em quatro anos



Data: 13/09/2019

A perseguição por gênero está crescendo no Brasil. Números mostram que os assassinatos de mulheres aumentaram, sobretudo das negras. É o que aponta o levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no último dia 10.

As vítimas são em sua grande maioria negras, representando 61% das mortes. Além disso, cerca de 70% possuem baixa escolaridade e estudaram até o Ensino Fundamental. Dados que revelam que as mulheres que estão na base da pirâmide social, ou seja, as negras e pobres, são as que mais morrem vítimas do machismo.

Dados alarmantes

Em comparação ao ano de 2015, ano em que a Lei do Feminicídio foi criada,
houve um aumento de 62,7% nos assassinatos de mulheres. Em quatro anos, foram registradas mais de 2 mil mortes de mulheres, o que significa uma vítima a cada oito horas.

Os casos de lesão corporal também cresceram de 2017 a 2018 e saltaram de 252.895 registros para 263.067, ou seja, uma mulher sofre violência doméstica doméstica a cada dois minutos. Os dados apontam, ainda, que 88,8% dos agressores são pessoas próximas às vítimas, como ex-maridos ou parceiros, que em 65,6% dos casos, são cometidos dentro de casa.

Violência sexual

O estupro contra jovens mulheres também chama atenção no levantamento feito. Entre 2017 e 2018, a cada uma hora, quatro garotas de 13 anos são violentadas no país, o que representa 52,8% de vítimas.

Em dois anos, 127 mil casos de estupro foram registrados. Só em 2018, mais 66 mil ocorrências de estupro foram feitas. Esse é o maior número já registrado desde que os dados para esse tipo de crime passaram a ser coletados.

Números do levantamento apontam que em 80% dos casos os agressores possuem algum tipo de vínculo com a vítima. São parentes, companheiros, amigos, sendo 96,3% os autores homens. Um dado inédito levantado na pesquisa mostra que o estupro coletivo representa 6,8% de vítimas, um número considerado alto se avaliada a atrocidade desse tipo de crime.

Para a integrante do Movimento Mulheres em Luta, Marcela Azevedo, esses crimes estão relacionados com o machismo e a negligência do desgoverno atual, que se preocupa mais com a perseguição contra a educação e diversidade de gênero, do que o real problema do país. “Não só tem crescido o discurso de ódio contra as mulheres, impulsionado pelo governo Bolsonaro, como os investimentos em políticas para mulheres vem diminuindo ano a ano. Mesmo com leis importantes que foram aprovadas, o investimento nunca foi suficiente para tirá-las do papel. Atualmente, os poucos serviços de combate a violência que existiam estão sendo desmantelados, deixando as mulheres ainda mais vulneráveis”, declarou.

Fonte: CSP-Conlutas com edição da ADUA-SSind.


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