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  26/11/2020



ADUA assina manifesto “Pelo fim da violência contra a mulher indígena”



A ADUA e mais nove entidades assinaram o manifesto “Pelo fim da violência contra a mulher indígena”, da Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e do Fórum de Educação Escolar e Saúde  Indígena  do Amazonas (FOREEIA). O documento foi divulgado nesta quarta-feira (25), no Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher.  

 

No manifesto, as entidades lembram que “racismo   e   discriminação   são   marcas   históricas   na   relação   da sociedade ocidental com  os  povos  indígenas  e,  particularmente, na relação  com mulheres  e  crianças.  Trata-se  de  uma  história cujas páginas envolvem  atos  de exploração  sexual,  violação,  estupro  e mortes  em  uma  série  de  eventos  nos  processos  de  contatos  e  da invasão  dos  territórios  indígenas  desde  à “conquista” da  América  à atualidade”. Leia o documento completo:

 

Pelo fim da violência contra a mulher indígena

 

A Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e  o  Fórum  de  Educação  Escolar  e  Saúde  Indígena  do Amazonas (FOREEIA), neste 25 de novembro – Dia Internacional pela Eliminação  da  Violência  contra  a  Mulher – solidarizam-se  com  a mulher indígena do Amazonas, da Amazônia e do Brasil, submetida, pelo  estado  brasileiro  e  parcela  da  sociedade  nacional,  a  diferentes modos cotidianos de  violência de  marginalização  e  ao  não  respeito aos direitos fundamentais consagrados pela Constituição Federal.

 

Racismo   e   discriminação   são   marcas   históricas   na   relação   da sociedade ocidental com  os  povos  indígenas  e,  particularmente, na relação  com mulheres  e  crianças.  Trata-se  de  uma  história cujas páginas envolvem  atos  de exploração  sexual,  violação,  estupro  e mortes  em  uma  série  de  eventos  nos  processos  de  contatos  e  da invasão  dos  territórios  indígenas  desde  à “conquista” da  América  à atualidade,  nos subcontratos e  ou  informalidade na  prestação de serviços  domésticos  nos  centros  urbanos  que,  em  geral,  ignoram direitos trabalhistas e as submetem a regime de trabalho semelhante ao do escravismo.

 

Sem atenção adequada à saúde, à moradia e ao transporte, mulheres indígenas    enfrentam    o    descaso    governamental,    a crescente precarização das  políticas  públicas  destinadas  a  elas, às  crianças, aos  idosos  e  aos  povos  indígenas; o  acesso  à  educação  básica  ou outras   oportunidades   de   estudos   são   reduzidas; enfrentam   as drásticas  consequências  da  pandemia  da  Covid-19  em  suas  vidas  e das  comunidades; os  efeitos emocionais  que  a  violência  estrutural  e social produzem em seus corpos, em sua existência.

 

Respondem com resiliência, tecem redes solidárias; posicionam-se em defesa   das culturas indígenas , produzem vivências culturais libertárias, reafirmam  as  identidades  e a disposição  de  seguirem marcha, criam alianças em favor da vida com dignidade e respeito ao pluriétnico que as situam no mundo.

 

Nosso reconhecimento e nossa gratidão pela resistência que fazem as mulheres   indígenas do   Brasil pela   sustentação   estratégica   que realizam  na preservação  e  na continuidade  das  lutas  dos  povos indígenas.

 

A FAMDDI e o FORREIA, frutos dos fios da fibra indígena, reafirmam neste 25 de novembro, o compromisso de caminhar junto às mulheres indígenas, dos coletivos que as representam e ser parceiros no ecoar das vozes, das denúncias e na celebração das conquistas; permanecerão marchando com as mulheres indígenas nas lutas pela construção de um Brasil, de uma Amazônia e de um Amazonas onde o RESPEITO aos povos indígenas se concretize de fato nas ações governamentais, no estabelecimento de programas que assegurem às mulheres indígenas e aqueles por elas representados tratamento digno, valorização dos seus conhecimentos, dos saberes e das formas de vida por esses povos preconizadas.

 

Vidas de mulheres indígenas importam!

 

Este manifesto é assinado por:

Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro (AMARN)

Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA)

Conselho Indigenista Missionário (Cimi Norte I)

Fórumde Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas(FMAC)

Mandato Popular –Dep.José Ricardo(PT-AM)

Movimento de Mulheres Solidárias do Amazonas –MUSAS

Rede de Mulheres Makira –Eta

Serviço de Ação, Reflexão e Educação Sociambiental na Amazônia (SARES)

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJP-AM)

Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya)

 

Foto: Tiago Miotto/CIMI/Reprodução



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