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  04/08/2020



Pesquisa aponta que 83% universitários têm dificuldades emocionais, mas poucos buscam ajuda



Ainda que muitos estudantes de graduação sintam que sua vida acadêmica é afetada por problemas emocionais, a proporção daqueles que buscam ajuda de serviços psicológicos é pequena, e fica ainda menor com recortes de gênero e raça. É o que aponta um levantamento feito pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a partir das respostas de mais de 400 mil estudantes.

 

O universo pesquisado inclui discentes de todas as universidades federais brasileiras e de dois institutos federais de educação superior. Desses, 83,5% relataram alguma dificuldade emocional, especialmente a ansiedade, citada por seis em casa 10, e a sensação de desânimo e falta de vontade, percebida por 42%. Além disso, quase 11% afirmaram que convivem com a ideia de morte e 8,5% confessaram ter pensamentos suicida, a maioria mulheres.

 

Elas também apresentaram índices mais altos de dificuldades emocionais e 67% das estudantes pretas e pardas disseram sofrer com a ansiedade, índice que sobe para 74% no caso das alunas brancas. Para o coordenador do grupo de estudos, o cientista político João Feres Junior, os dados levantam uma discussão de como equilibrar o próprio ambiente universitário, para que a pressão inerente à disciplina dos estudos não se exceda, especialmente quando combinada com o sofrimento que negros e mulheres já têm em decorrência do racismo e do machismo.

 

A pesquisa mostra que as mulheres brancas lideram o acesso a atendimento psicológico, uma vez que 40% já utilizaram esse serviço em algum momento da vida. Ainda assim, apenas 13% estavam em tratamento no momento da pesquisa.

 

Já os homens negros ficam no outro extremo, com apenas 21% que já acessaram o serviço alguma vez, sendo 5% em atendimento corrente. Entre as mulheres negras, a proporção daquelas que procuraram o serviço em algum momento fica em 29% e entre homens brancos em 28%. Feres avalia que isso aponta para a necessidade de fortalecer e qualificar as políticas de saúde mental para a comunidade acadêmica.

 

A pesquisa também revela que mais da metade dos estudantes já pensou em abandonar o curso por questões que diferem bastante de acordo com o gênero e a raça. As dificuldades financeiras que aparecem como principal motivação no caso de homens e mulheres negros, se tornam a segunda para homens e mulheres brancos, que em maior quantidade, pensam ou pensaram em abandonar a graduação por causa do nível de exigência do curso escolhido.

 

A falta de dinheiro também é o principal fator que afeta a vida e o desempenho acadêmico de mulheres e homens negros, declarado por 26% dos entrevistados de ambos os grupos. Enquanto a principal dificuldade é a falta de disciplina para estudar, e pelas mulheres brancas são os problemas emocionais.

 

Fonte: Rádio Agência Nacional



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