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  15/06/2020



Mortes de quilombolas por Covid-19 estão concentradas na Amazônia



 

Pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) aponta que os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia e Maranhão (cinco dos nove Estados que compõem a Amazônia Legal) respondem por 63% das mortes causadas pela Covid-19 entre populações mocambeiras e quilombolas de todo o Brasil.

 

O levantamento foi realizado pelo coordenador do Subcomitê de Combate à Covid-19 da Faculdade de Informação e Comunicação da Ufam, professor Renan Albuquerque, em conjunto com seu aluno de doutorado, o historiador Ítalo Ferreira de Oliveira, que realiza estudo sobre modos de vida entre quilombos da Amazônia Central brasileira desde 2016.

 

Os pesquisadores apontaram que a taxa de mortalidade do novo coronavírus (SARS-coV-2) entre o povo quilombola do Norte do Brasil atingiu, com base nos dados do dia 12 de junho, 11,5%. O fato é decorrente da desatenção por parte do Estado brasileiro.

 

“Na região amazônica se situam atualmente dois terços de todos esses casos de óbitos. São 71 mortes e 44 delas já aconteceram em comunidades quilombolas do bioma. Os dados indicam que a Amazônia brasileira abriga a mais alta taxa de mortalidade por Covid-19 para quilombolas de toda a América Latina”, destacou Albuquerque.

 

O número de mortes de quilombolas no Brasil, apesar de subnotificado por força do frágil sistema de registros brasileiro, ainda assim é maior que o dobro do anotado nacionalmente, em geral, em termos comparativos. Até sexta-feira (12/06), o país registrava 805.649 infectados e 41.058 mortes, equivalente a uma letalidade em torno de 5,2%. No caso dos quilombolas, essa letalidade é de 11,5%.

 

“Em comparação com a média mundial de índice de mortes, os óbitos em quilombos brasileiros são até sete vezes maiores”, disse o docente. “As baixas entre quilombolas estão sendo observadas em decorrência de uma política segregacionista, com discurso raciológico, do governo federal, que não implementou um único plano emergencial que viesse a atender a necessidades de alimentação, sanitárias e profiláticas das populações quilombolas urbanas e rurais”, afirmou o pesquisador.

 

Fatores

 

Até metade das remoções de casos graves da Covid-19, que chegam a ser realizados de avião a partir de comunidades mocambeiras e quilombolas para hospitais em centros urbanos, termina em morte por causa da baixa resistência dos convalescentes. Esses números estão na mesma ordem de registro para indígenas na Amazônia, segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

 

O problema pode estar ligado a um fator de suscetibilidade genética que predisponha quilombolas a uma maior mortalidade em função do SARS-coV-2, tal como é suposto para povos nativos ameríndios amazônicos. Além disso, outros fatores são a falência estrutural das condições sócio-sanitárias e o racismo institucional.

 

Os estudos qualitativos publicados pelos pesquisadores que embasaram o relato estão reunidos nos projetos “Expressões da Pandemia” (cinco volumes) e “Quarentenas Amazônicas” (quatro volumes) e podem ser acessados gratuitamente.

 

Fonte: Ufam com edição da ADUA



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