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  27/05/2020



Nota da ADUA: Questionários enviesados para docentes, discentes e técnicos-administrativos em tempos de pandemia




Com a pandemia da Covid-19, o capitalismo avança, nas diversas dimensões da vida política, econômica e social, um programa de dominação que passa pela precarização da existência e pela redução da materialidade da vida a uma condição subordinada à lógica de produção, circulação e ampliação da riqueza. 

 


O setor corporativo vinculado às tecnologias digitais aproveita as consequências da pandemia para impor uma acelerada transformação no âmbito educacional do ensino básico, passando pelo médio até a formação superior. A Educação a Distância (EaD) - que compreende a existência de sujeitos geograficamente dispersos numa experiência educacional que dialoga, agora via internet, através de meios comunicacionais massivos - é um meio privilegiado pelos agentes interessados nesta transformação, de modo a reestruturar o trabalho do/a professor/a e os modos de aprendizagem dos/as estudantes, desembocando na instituição de um processo educativo à imagem e semelhança do mercado. 

 


A Universidade Federal do Amazonas não passa ao largo desta tendência. Ao contrário, suas pró-reitorias de Gestão de Pessoas e de Graduação têm trabalhado, desde a primeira hora do isolamento social, ativamente em favor dessa reestruturação. Porém, a presente nota não tem a pretensão de analisar a totalidade desse processo. O objetivo é expor um alerta sobre o material produzido pela Pró-Reitoria de Graduação à guisa de produção de diagnóstico das condições de saúde docente e de trabalho via tecnologias digitais desses/as mesmos/as docentes, técnicos/as-administrativos/as e também dos/as discentes, a saber: “Pesquisa de opinião (enquete) sobre aulas não presenciais fora da Ufam durante a pandemia de Covid-19”. 

 


Pesquisas com diagnóstico de população-alvo, tendo em vista tomada de decisão que vai impactar a dinâmica social, política e econômica, têm sido a tônica em centros promotores da vida conforme a dinâmica da modernidade. A partir do século XX, as sociedades urbano-industriais passaram a explorar massivamente o uso da pesquisa de opinião por meio de surveys. O questionário - referido anteriormente e aplicado via on-line aos/às docentes, técnicos/as-administrativos/as e discentes da Universidade Federal do Amazonas - tem a pretensão de coletar informações para um diagnóstico em torno da tendência da opinião da comunidade acadêmica por aulas não presenciais, mediadas por tecnologias em rede. 

 


Todavia, pesquisas desse tipo pressupõem rigor metodológico, cuidados com a formulação das perguntas e alternativas de respostas de modo a não induzirem os/as respondentes e resultarem, assim, em informações enviesadas. O questionário formulado pela Proeg não atende a esses requisitos mínimos e basilares. 

 


Em primeiro lugar, não está claro como este diagnóstico atende às exigências da lógica de amostragem de uma pesquisa survey. Há muito, desde 1936, com as pesquisas de opinião à corrida presidencial nos Estados Unidos, sabe-se que não é um volumoso número de respostas obtidas que garante a objetividade e solidez das informações coletadas, mas uma rigorosa construção amostral que garanta a presença equilibrada dos diversos estratos sociais alvos do interesse de quem realiza a pesquisa. O questionário da Proeg pode obter uma grande massa de respostas, todavia, por não atender às exigências de uma amostragem probabilística que represente efetivamente as condições variadas da população da comunidade acadêmica, não resultará num conjunto de dados que garanta a confiança científica necessária para a tomada de decisão. 

 


Em segundo lugar, mesmo que houvesse rigor da lógica de amostragem, o questionário em foco apresenta problemas na formulação das perguntas, na ordem de apresentação destas e das respostas que expressam o viés relativo às aulas não presenciais dos formuladores. A apresentação das questões atende a um roteiro com um princípio, meio e fim que fatalmente enviesa a resposta de quem se aventurar a responder o material. Além disso, há perguntas no questionário que pressupõe, por exemplo, condições de saúde homogêneas quando na verdade estas são heterogêneas. E tal heterogeneidade é tratada numa questão única. Isso fere o rigor na construção de um questionário e invalida a informação assim obtida.  

 


Em seu conjunto, o questionário traz um universo de perguntas descoladas da preocupação com a construção de variáveis essenciais para testagem probabilística posterior. Parece que os formuladores acreditam que uma simples apresentação de gráficos descritivos das frequências das respostas obtidas seja suficiente. Porém, surveys exigem a determinação de variáveis independentes e dependentes, o teste de hipóteses e a construção de tabelas de correlação que, ao fim e ao cabo, ajudem a orientar tomadas de decisão racionais. Nada disso é garantido no questionário da Proeg. 

 


Esta presente nota, no entanto, não se restringe a um debate sobre insuficiências de um questionário. O que interessa aqui é demonstrar que um diagnóstico com instrumento metodologicamente frágil é produto de um contexto de tomadas de decisão que afetam o conjunto da comunidade acadêmica da Universidade Federal do Amazonas e que são postas em andamento sem um amplo e democrático debate com os segmentos docentes, técnicos-administrativos e discentes. Desde o início do isolamento social na Ufam, a Administração Superior tem se esquivado de convocar os conselhos superiores, instâncias fundamentais da democracia acadêmica, numa pressa para a reestruturação do ambiente a das condições de trabalho e de produção do conhecimento científico. Esta pressa resulta em instrumento de coleta de informação sem rigor típico de um contexto político que aproveita o momento da pandemia para solapar as fundações do debate democrático ainda existentes.



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