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  08/06/2022


Em Defesa da Educação: UFPA e nove institutos federais estão em greve



 

 

A Universidade Federal do Pará (UFPA) e nove institutos federais estão em greve. O recente bloqueio do governo de Jair Bolsonaro no orçamento da Educação Federal é um dos motivos para a paralisação. Os e as docentes, que são servidores(as) públicos(as) federais, também estão sem reajuste salarial há cinco anos. Em campanha nacional desde janeiro deste ano por recomposição emergencial de 19,99%, os e as SPFs reivindicam ainda a revogação da Emenda Constitucional 95 e o arquivamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, a Contrarreforma Administrativa.

 

Além das pautas nacionais, as instituições têm uma série de pautas locais como melhorias das condições de trabalhos dos e das docentes, ampliação dos Restaurantes Universitários (RU) e da qualidade da alimentação ofertada, assistência estudantil, segurança e limpeza nos campi, realização de concursos públicos e atendimento psicológico para estudantes devido às consequências da pandemia.

 

Bloqueio no MEC

 

Na pauta nacional das instituições federais de ensino está o desbloqueio total do orçamento discricionário do Ministério da Educação (MEC). O bloqueio das verbas, anunciado no dia 27 de maio, foi de R$ 3,23 bilhões e afeta Universidades, Institutos Federais e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets). Somente para as universidades, seria cerca de R$ 1 bilhão a menos. No Amazonas, o corte seria de cerca de R$ 15 milhões para a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e de R$ 10 milhões para o Instituto Federal Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM).

 

Após reação das intuições de ensino e de entidades como o ANDES-SN, Fasubra, Fonasafe, Sinafese, Conif e Andifes, o governo reduziu o corte, no dia 3 de junho, mas docentes e estudantes de todo o Brasil mantêm a mobilização em reivindicação à restituição integral do orçamento.  

 

Em reivindicação às pautas nacionais e locais da Educação Pública, a ADUA irá participar, na quinta-feira (9), de atos públicos, às 09h30, em frente ao Instituto Federal Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), no Centro de Manaus, e às 13h, na Praça Eduardo Ribeiro, em Parintins (AM). Docentes e estudantes da UFAM e do IFAM estão envolvidos(as) na organização e apoio às manifestações.

 

Greve na UFPA

 

Professores e professoras da UFPA estão em greve desde segunda-feira (6 de junho). A decisão foi tomada em assembleia, em 23 de maio, quando também foi definida a composição do Comando Local de Greve (CLG) e um calendário de reuniões nas unidades para ampliar o debate com a categoria e com toda a comunidade acadêmica. Conforme o Comando de Greve, cerca de 90% das e dos docentes já aderiram à paralisação na capital e nos campi de Altamira, Castanhal, Breves, Cametá e Bragança. Para ampliar a adesão, serão realizadas ações em cada um dos 12 campi da universidade. A paralisação conta com o apoio estudantil e de técnicas e técnicos-administrativos que realizarão assembleia nesta quarta-feira (8).

 

 

"Estamos fazendo uma greve de ocupação, com formações, com barulho, com 'arrastões' nas salas de aula de professores que estão 'furando' a greve. Estamos conversando com eles, e estamos ampliando a adesão, pois [eles] acham legítima a greve. Nós montamos os comitês nas faculdades, nas unidades, nos institutos, para que essa greve cresça não só no sentido de esvaziamento da universidade, mas também de ocupação da UFPA. Já na segunda, praticamente nossa universidade não funcionou", explicou a diretora da Associação de Docentes da UFPA (Adufpa), Adriane Lima.

 

Nos primeiros dias de mobilização, foram realizadas atividades como panfletagens nas portas dos campi, no Hospital Universitário, diálogo com docentes e estudantes tanto da universidade quanto da Escola de Aplicação, além de oficinas de cartazes e debates. O comando de greve decidiu não fechar o acesso aos campi para garantir que os e as estudantes possam utilizar o RU.

 

"Há muito cuidado, não só no âmbito político, mas da inclusão, da não evasão dos alunos, que retomaram suas atividades presenciais, uma parte dos estudantes, em novembro do ano passado, e 100%, no dia 16 de março, e que dependem do RU para se alimentar. O comando de greve decidiu que não vamos impedir os alunos de entrarem na universidade para fazerem suas refeições e que o RU não vai ter atividade de radicalidade, como em outros momentos. Entendemos que esse é um outro cenário, diferente das greves de ocupação de 2016, de 2015 e de 2012, que foram greves bastante significativas", explicou a 1ª vice-presidente da Regional Norte 2 do ANDES-SN e docente da UFPA, Joselene Ferreira Mota.

 

Nessa quarta, o Comando de Greve tem uma audiência com o reitor da UFPA, Emmanuel Zagury Tourinho, para apresentar a pauta da greve, com as reivindicações locais. Nos próximos dias estão previstas atividades como reuniões, plenárias, programação cultural, debates sobre gênero e teorias do sistema capitalista, oficina de cartazes.

 

"Na nossa agenda tem também a construção do 9J, que é o ato dos estudantes e tem o 14J que é o Ocupa Brasília, que está em processo de construção. Esperamos que esse movimento se fortaleça, pois o que precisamos agora é garantir a sobrevivência da UFPA, defender a Educação Pública e a recomposição do orçamento", ressaltou Joselene Mota.

 

Paralisação nos institutos federais

 

 

Nove institutos federais de ensino estão paralisados, de acordo com informações do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), divulgadas no dia 6 de junho. Os institutos em greve são: IFBA, IFMG e IFPE (deflagrada no dia 16 de maio), IF Sul-RS (19 de maio), IFPA (20 de maio), IFAL (23 de maio), IFMA (30 de maio), IFRO e IFNMG (campus Salinas), os dois últimos no dia 6 de junho.

 

 

 

 

Fotos: ADUFPA e IFMS-Sinasefe

 

Fontes: ADUA com informações do ANDES-SN e do Sinasefe



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