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  30/05/2022


“Nós, mulheres Indígenas, falamos da vida”, afirma Clarice Duhigó



 

 

A ADUA conversou sobre a luta permanente pelos direitos indígenas com a professora e militante do movimento indígena, Clarice Duhigó, da etnia Tukano, um dos povos do Alto Rio Negro. Graduada em Pedagogia pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e cursando mestrado em História Social na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Duhigó representa a força da mulher indígena, ocupando diversas posições em sua atuação como artesã, professora no Espaço de Estudo da Língua Materna e Conhecimentos Tradicionais Indígenas, da rede de ensino municipal de Manaus, e diretora-presidente da Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro em Manaus (Amarn).

 

ADUA: Na sua avaliação, qual a atual conjuntura dos povos indígenas no Brasil, no que condiz à luta pelo lugar de fala, território, educação, trabalho e saúde?

 

Duhigó: Na atual conjuntura, nós, Povos Indígenas, estamos sofrendo pela retirada dos direitos, com enfrentamento para assegurar os nossos territórios para não deixar que os empreendimentos de mineração, madeireiras e hidrelétricas avancem nos nossos territórios. Quanto à Educação, quase não avançou a formação de professores indígenas nesses três anos. Com isso, vamos ter grandes impactos negativos no ensino e aprendizagem nas Educação Escolar Indígena. Na Saúde, fomos consideravelmente atingidos na pandemia covid-19. Nós, que residimos nas grandes capitais, nos sentimos discriminados pelo poder público, que não se sensibilizou com os indígenas que vivem nas áreas urbanas. O trabalho também foi um ponto que nos sentimos impactados. Nós, mulheres indígenas, ficamos bem vulneráveis, porque a maioria trabalha com diária.

 

ADUA: O que é coletivo de mulheres indígenas Amarn e como é sua experiência na associação?

 

Duhigó: A Amarn é uma Associação de Mulheres indígenas do Alto Rio Negro em Manaus, oficializada em 29 de março de 1987. Compõem a associação, mulheres indígenas de diversas etnias da Região do Alto Rio Negro, entre elas Arapasso, Baré, Dessano, Miriti-Tapuia, Piratapuia, Kotiria (Wanano), Karapanã, Tariano, Tuyuka e Tukano. Todo esse conjunto de mulheres faz frente de luta pela educação, saúde e artesanato. Fui privilegiada de conduzir essa associação que tem uma trajetória histórica, sendo coordenadora entre 2019 a 2021. E, agora, reconduzida para mais um triênio. Portanto, continuo sendo diretora-presidente desta Associação.

 

ADUA: Como é sua visão sobre o artesanato na vida dos povos indígenas, tanto na questão econômica, quanto cultural?

 

Duhigó: Acredito que toda mulher indígena carrega esse lado artesã. Comigo não é diferente. Considero-me artesã, sim. No artesanato, contamos nossa história, nossa luta. É um fio condutor de uma história que não pode ser apagada. Nesse sentido, consideramos que o artesanato faz parte da nossa resistência. Com ele, podemos construir e preservar a nossa identidade étnica-cultural, que envolve as relações sociais, o respeito à natureza e, sobretudo, a relação com nossa ancestralidade. Portanto, nosso artesanato não é uma simples peça que vai estar nas prateleiras de um mercado, antes de tudo ele tem vida.

 

ADUA: Os povos indígenas do Brasil têm enfrentado uma constante batalha em defesa dos seus territórios, o que foi potencializado diante dos ataques do atual governo federal. Em 2021, a tese do Marco Temporal recebeu um voto favorável e outro contrário, no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve retomar o julgamento neste ano. Quais as perspectivas em relação aos próximos votos? E quais mobilizações estão sendo feitas ou serão feitas em resistência?

 

Duhigó: Os Povos Indígenas estão usando todas as forças para barrar o Marco Temporal. Em 2021, estávamos em vigílias em Brasília. Neste ano, já estamos mobilizando para fazer pressão junto com os nossos parceiros, que acreditam nas lutas dos Povos Indígenas.

 

 

ADUA: São muitas as lutas dos povos indígenas, mas, atualmente, quais os pontos mais críticos em questão na Câmara dos Deputados e no Senado? Quais as principais propostas de emendas, medidas provisórias, etc. que precisam ser combatidas?

 

Duhigó: O PL 490, que é um retrocesso, que limita e impede a Demarcação de territórios dos Povos Indígenas. O PL 191/2020, que visa a abertura das terras indígenas aos interesses econômicos, como mineração, hidrelétricas e arrendamentos de terras, ameaças diretas aos Povos Indígenas.

 

ADUA: O que você tem a dizer hoje para as pessoas que não estão do lado dos povos indígenas? 

 

Duhigó: Que essas pessoas se coloquem no lugar do outro. É a vida humana que está em jogo. E não só a vida dos povos indígenas. O prejuízo será para todos. Que tenhamos mais pessoas que simpatizam com a causa indígena, com a defesa da Mãe Terra e a preservação da Amazônia.

 

ADUA: Na língua Tukano, qual mensagem com relação à cultura indígena você gostaria de compartilhar?

 

Duhigó: “Nós, mulheres Indígenas, falamos da vida”.



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