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  25/05/2022


Projeto de militares defende fim do SUS e de universidade pública até 2035



 

 

Com o interesse principal de acabar com direitos conquistados pela classe trabalhadora brasileira, o “Projeto de Nação, O Brasil em 2035” foi lançado, no dia 19 de maio, por militares, por meio dos Institutos Villas Bôas, Sagres e Federalista. Com  93 páginas, o documento aborda temas de interesse de grupos conservadores e saudosistas da ditadura empresarial-militar. O projeto prevê questões como pagamento de mensalidade nas universidades públicas, fim da gratuidade do Sistema Único de Saúde (SUS), cobrança de indenização por serviços prestados e limitação do debate acadêmico. 

 

Com a presença do vice-presidente, Hamilton Mourão, a cerimônia de lançamento do projeto foi realizada no auditório da Fundação Habitacional do Exército da Associação de Poupança e Empréstimo (FHE/Poupex), no Setor Militar Urbano de Brasília, com direito a fanfarra do Regimento de Cavalaria de Guardas, que executou a música do período do regime militar, “Eu Te Amo, Meu Brasil”.

 

O colunista de O Estado de São Paulo, jornalista Marcelo Godoy, afirmou que, sob a ideia de “entregar um Brasil melhor aos nossos filhos e netos”, os militares e civis envolvidos no desenvolvimento do projeto, traçam um cenário no qual é projetado o domínio do bolsonarismo no Brasil até 2035. Um dos responsáveis pela construção do documento foi Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-diretor do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), fundado pelo torturador da ditadura militar, Coronel Carlos Brilhante Ustra.

 

Documento

 

Em tom ufanista, uma carta datada de 2035 abre o possível cenário traçado pelos autores e autoras do projeto, afirmando que o ano terá uma conjuntura “complexa e peculiar”, em que os currículos são “desideologizados”, “reforçando valores morais, éticos e cívicos”, explícita crítica às Instituições de Ensino Superior (IES).

 

“Em sala de aula, pouco era feito no sentido de transmitir os conteúdos, ensinar o aluno a pensar, orientar as pesquisas sobre as diversas correntes de pensamento e elucidar sobre como realizar as melhores análises, buscando as opções de vida mais favoráveis, segundo as crenças e convicções de cada aluno. Tudo era feito para que o aluno fosse obrigado a pensar exatamente como pensava o professor, caso contrário, não conseguiria se formar e tampouco seria aceito pelo grupo”, diz o documento.

 

Sobre a Amazônia, é apontado que surge a necessidade de projeção de poder por parte das Forças Armadas na região, além de acabar com a proteção a áreas indígenas, abrindo possibilidade para o avanço da exploração de terras com interesse na mineração e agronegócio.

 

Junto a uma falsa crítica ao “ultracapitalismo”, o documento sugere ainda que a classe média pague pelo atendimento no SUS. “Além disso, a partir de 2025, o Poder Público passa a cobrar indenizações pelos serviços prestados, exclusivamente das pessoas cuja renda familiar fosse maior do que três salários mínimos”.

 

Outros temas abordados no documento são geopolítica, governança nacional, desenvolvimento, ciência, tecnologia, defesa nacional e segurança pública.

 

 

 

Foto: Marcos Corrêa / PR

 

Fontes: ADUA com informações de The Intercept, Brasil 247, Yahoo Notícias, Estadão, Poder 360 e Projeto de Nação, O Brasil em 2035

 



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