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  08/03/2022


8 de março marca luta por justiça social para as mulheres



 

Motivos não faltam para ir às ruas neste 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras. Com a ocorrência da pandemia da covid-19, problemas históricos sofridos pelas mulheres, principalmente as negras, foram potencializados. Desemprego, fome, miséria e violência estão entre as dificuldades com índices agravantes enfrentadas hoje por essa população.

 

O feminicídio cresceu 22% nos primeiros meses da pandemia no Brasil. Do total, 66% eram mulheres negras, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Somente de transfeminicídio no país, o aumento chegou a 43%, informa a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

 

A cada minuto, uma denúncia de violência doméstica é registrada no Brasil. No mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, uma em cada duas pessoas do gênero feminino sofreu violência durante a pandemia.

 

“Nos últimos tempos, com a pandemia, a vida das mulheres só piorou. Foi mais violência doméstica, morte, desemprego, morte dos seus filhos negros periféricos. Somos mais encarceradas, mais moradoras de rua. Engrossando as fileiras das migrações. Nossas LGBTQIA+ morreram mais. Por tudo isso, ajudamos a construir o Fora Bolsonaro e sua política da morte, no último período. Construímos o novembro negro pra dizer que enquanto houver racismo, não haverá democracia. Neste sentido, nosso lema tenta dar conta de toda esta construção”, comentou a diretora do ANDES-SN, Zuleide Queiroz.

 

Desemprego

 

Além de sofrerem mais com a violência devido à exigência de isolamento social, as mulheres também foram as que mais perderam o emprego, conforme a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Do número geral de cargos de trabalho fechados, 54% eram ocupados por mulheres. Com isso, 22 milhões foram levadas à pobreza na América Latina e no Caribe.

 

Somente no Brasil 480 mil postos de trabalho formais foram fechados em 2020. Quase o total deles (96,4%) eram ocupados por mulheres. É o que mostrou a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), disponibilizado pelo governo federal. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego feminino é 46,7% superior ao masculino.

 

A saída dos empregos, os cuidados com o vírus, a restrição ao ambiente domiciliar e o fechamento das escolas aumentaram consideravelmente a sobrecarga doméstica das mulheres. Metade passou a cuidar de outra pessoa, de acordo com dados da Sempreviva Organização Feminista. 

 

Manifesto

 

O ANDES-SN, em conjunto com mais de 40 movimentos, assinou o manifesto da Articulação Nacional de Mulheres Bolsonaro Nunca Mais. No documento, as entidades denunciam a exploração do sistema capitalista, machista e misógino sobre as mulheres negras, indígenas, quilombolas, LBTQIA+ e com deficiência, nos campos, florestas e cidades.

 

O manifesto ressalta que o atual sistema político-econômico utiliza da exploração da força de trabalho feminina e dos seus corpos para se sustentar. Também pontua que as mulheres são fundamentais para manter a estrutura social, através do trabalho formal, doméstico e de cuidados, mas mesmo assim representam 70% da população mundial mais pobre.

 

O documento expõe ainda que a luta pela derrubada de Jair Bolsonaro do poder é necessariamente feminista, anti-imperialista, anticapitalista, democrática, antirracista e anti-LGBTQIA+fóbica.

 

“É uma luta em defesa da vida das mulheres, contra a fome, a carestia, a violência, pela saúde, pelos nossos direitos sexuais, direitos reprodutivos e pela justiça reprodutiva. É uma luta em defesa do SUS e dos serviços públicos, gratuitos e de qualidade. É uma luta com a maioria que tem sofrido com a fome, com a perda de seus entes queridos, com a violência e com o desemprego”, destacaram as entidades.

 

A ADUA, o ANDES-SN e as demais seções sindicais estarão nas ruas neste 8 de março contra a violência e a fome, para dizer não ao machismo e reivindicar emprego, direitos e respeito a todas as mulheres. Confira a programação no Amazonas aqui 

 

Fonte: ADUA com informações do FBSP; Antra; ONU Mulheres; Cepal; IBGE, Sempreviva Organização Feminista e ANDES-SN



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