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  24/08/2021


Retomada de protestos de rua é grito de denúncia contra destruição nacional



 

Daisy Melo

 

Com o agravamento da crise sanitária, social, ambiental, política e econômica sem precedentes no Brasil, os protestos voltaram a tomar as ruas do país neste ano, após um período de suspensão devido ao distanciamento social imposto pela pandemia da covid-19, iniciado em março de 2020. Manifestações de alcance nacional e internacional foram registradas nos dias 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho. A ADUA, juntamente com o ANDES-SN, apoiou e participou dos atos que defenderam, de forma geral, o fim do genocídio do povo brasileiro.

 

Segundo país com mais mortes por covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil amarga a marca de mais de meio milhão de óbitos causados pela doença e 18,1 milhões de pessoas infectadas pelo coronavírus, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esses índices são, em grande parte, resultados da necropolítica do presidente Jair Bolsonaro, que, entre outros atos negacionistas, incentiva aglomerações, desestimula o uso de máscaras e negligencia a vacinação no país. Até agora, apenas 11,5% da população estão totalmente imunizados.

 

Em meio a esse cenário sanitário atípico potencializado por tomadas de decisões e omissões do desgoverno – o que vem sendo provado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, em andamento no Senado –, o país enfrenta ainda alarmantes índices de desemprego e fome. São 14,8 milhões de brasileiros e brasileiras sem emprego, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e 19 milhões sem ter o que comer, segundo estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

 

A responsabilidade de Bolsonaro no extermínio dos brasileiros e brasileiras foi comprovada também em pesquisas científicas. Três em cada quatro mortes por covid-19 no país poderiam ter sido evitadas, caso o governo brasileiro tivesse adotado medidas de combate à pandemia, inclusive planejado a compra antecipada de vacina como fizeram outros países. A estimativa foi apresentada à CPI em depoimentos dos cientistas Claudio Maierovitch e Natalia Pasternak, que citaram dados de estudos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Epicovid-19, um dos maiores estudos sobre o tema no país.

 

 

“As denúncias relativas à política de disseminação da pandemia adotadas pelo governo federal se somam, ainda, à política de destruição nacional postas em marcha pelo Ministério da Economia, política essa que agravou a crise sanitária e fez com que o Brasil tivesse, hoje, um contingente de quase quinze milhões de desempregados, que voltasse ao mapa da fome, que liquidasse direitos trabalhistas e minasse conquistas sem as quais não teria sido sequer possível imaginar um projeto de nação”, explicou o cientista social e professor da Ufam, Marcelo Seráfico.

 

O retorno às ruas

 

O docente comentou que essa retomada dos atos é uma expressão da reorganização da resistência à necropolítica neofascista encarnada por Bolsonaro. “Os setores da sociedade, capitaneados pelo presidente da República, que patrocinam a necropolítica em curso, põem-se nas ruas, como a desafiar a capacidade de resistência e de confrontação dos que se opõem, e mais, o fazem sem qualquer tipo de preocupação sanitária, isto é, transformam um ato de apoio político-ideológico em um ato deliberado de espraiamento do vírus, numa atitude que reforça o sentido necropolítico da visão de mundo e das decisões governamentais”.

 

Foi por esse contexto de doença, desemprego, fome e tendo o próprio Estado como principal algoz que milhares de pessoas retomaram às ruas, mas de forma diferente dos negacionistas, respeitando as orientações sanitárias como o uso da máscara e de álcool em gel 70%. “A ida às ruas na situação da pandemia é um grito denunciando o projeto de destruição nacional acelerado pelo governo Bolsonaro (...) organizações e indivíduos que se puseram e se porão nas ruas do país para denunciar um governo antipopular, antinacional e profundamente autoritário, que faz da morte um projeto e do crime um modo de governar”, afirmou Seráfico.

 

Nas mensagens de convocação para os atos, a presidente do ANDES-SN, professora Rivânia Moura, defendeu a ida às ruas – seguindo os protocolos de segurança – daquelas e daqueles que não são do grupo de risco e não estavam com sintomas da covid-19. "Sabemos que há riscos, pois a pandemia ainda está matando milhares, mas esse governo está matando mais que o vírus, além de ter como projeto a recusa no combate eficaz à covid-19, deixa a população à míngua, em situação de desemprego, fome e miséria (...) O ANDES-SN faz esse chamado para que possamos intensificar a mobilização nas ruas, lugar onde a gente aprendeu e sabe fazer luta", disse.

 

A ocupação das ruas como espaço de resistência também é ressaltada pela presidente da ADUA, professora Ana Lúcia Gomes. “Nas ruas, por todos os cantos, ressoou um clamor de que o Brasil não merece um presidente tão desqualificado, de norte a sul a população clamou por pão, vacina e educação, menos violência e mais respeito. O dia 29 [de maio] foi só o começo e um recado foi dado a este malfadado presidente: as ruas pertencem à população e não a meia dúzia de fanáticos que absurdamente teimam ainda em dar crédito a este desgoverno”, afirmou.

 

 

Cenário de luta e resistência

 

A tomada das ruas pelo povo no dia 29 de maio foi abordada em artigo do 2º vice-presidente da Seção Sindical, professor e filósofo José Alcimar de Oliveira, publicado no site da ADUA. “Só é possível o encontro livre e criativo entre o direito e a justiça quando o povo se apodera, de forma igualmente livre e criativa, dos becos, ruas e praças. Se não há salvação fora da política, também não há política digna deste nobre conceito (que remete à pólis, cidade) sem o espaço da ágora (praça). Somente quando o povo ocupa becos, ruas e praças é possível desfazer as trapaças. Política trapaceira se combate na rua. É na rua que a teoria adquire potência material”, afirmou no artigo.

 

Historicamente, a rua serve de cenário de luta e resistência em todo o mundo. Conforme a historiadora, professora e mestranda no Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Ufam, Tamily Frota Pantoja, a atual conjuntura no Brasil evidencia a revalorização de múltiplas experiências históricas de protestos contra as condições de precarização da vida, impostas como projeto político de sociedade em diferentes épocas.

 

“As possibilidades de mudança social ensejadas nesses atos implicam a compreensão de que elas não ocorrem de maneira espontânea, ou como uma reação imediata ao sofrimento e à opressão promovidos pela política autoritária, mas são produzidas a partir das referências às lutas do passado e no processo de significação dos embates cotidianos”, explica. Dessa forma, segundo a docente, agiram gerações que construíram de forma autônoma e pela base os princípios dos direitos sociais continuamente ameaçados.

 

Tamily Pantoja cita como exemplos históricos o amplo direito ao serviço público de saúde, defendido pelo Movimento do Custo de Vida com um conjunto de movimentos de periferia na década de 1970; o direito à liberdade de organização política defendido pelos movimentos operários do mesmo período, considerando o contexto ditatorial, e o direito à vida digna defendido pelos povos indígenas quando reivindicam “nenhuma gota de sangue a mais” e pela população negra na luta contra o genocídio. “As alternativas projetadas contemporaneamente através das palavras de ordem, dos cartazes, das bandeiras e dos ecos de megafones, movimentam efetivamente a história”, afirmou.

 

 

29M: Vacina, Pão, Saúde e Educação

 

Neste ano, o primeiro ato nacional pedindo a saída da presidência de Jair Bolsonaro foi registrado no dia 29 de maio, quando 420 mil pessoas protestaram também por “vacina, pão, saúde e educação” em 213 cidades brasileiras dos 26 estados e do Distrito Federal, conforme os organizadores das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. No Amazonas, foram registrados atos em Manaus, Humaitá e Parintins, que contaram com a participação da ADUA, de estudantes e trabalhadores e trabalhadoras da educação.

 

Outras seções sindicais do ANDES-SN também somaram forças ao levante nacional em diversas regiões, como: Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Feira de Santana (Adufs/BA); Sindicato dos Docentes das Universidades Federais e Estaduais do Estado do Ceará (Adufc e Sinduece); Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Adufrgs); e Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa).

 

Também foram registrados protestos no exterior em cidades como Berlim (Alemanha), Londres (Reino Unido), Paris (França), Lisboa (Portugal), Bruxelas (Bélgica), Amsterdã (Holanda) e Genebra (Suíça).

 

 

Os atos no Brasil e no exterior fazem parte de um movimento de basta, segundo a presidente da ADUA, destacando que, em meio à pandemia, a população brasileira tomou coragem para denunciar os inúmeros ataques de Bolsonaro. “O povo, de forma organizada, usando máscara e álcool em gel, voltou às praças e ruas para protestar contra este arremedo de governo que governa ao contrário, portanto deveria denominar-se um desgoverno”, disse Ana Lúcia.

 

Nos cartazes, bandeiras e faixas estiveram a defesa da democracia, da ciência, da educação, do meio ambiente, das instituições, dos serviços, das servidoras e dos servidores que, conforme ressaltou a presidente da ADUA, têm sido atacados “de forma vil e nunca antes vista”. “Houve cobrança da necessidade de defesa urgente e incondicional da Amazônia e dos povos indígenas, segmentos tão duramente atacados por ações do desgoverno Bolsonaro”, disse.

 

No primeiro Dia Nacional de Mobilização pelo Fora Bolsonaro e Mourão deste ano também estiveram entre as reivindicações a aceleração da vacina, o pagamento de auxílio emergencial digno e a defesa do Sistema Único da Saúde (SUS). Outras pautas foram o não à Reforma Administrativa (Proposta de Emenda à Constituição - PEC 32/2020) e à destruição do meio ambiente, e contra às privatizações e os cortes orçamentários da Educação, que afetam o funcionamento das instituições federais de ensino públicas e as pesquisas.

 

19J: povo retorna às ruas

 

 

No dia em que o Brasil alcançou o amargo número de meio milhão de mortos por covid-19, dia 19 de junho, o povo brasileiro voltou às ruas para pedir “Fora Bolsonaro e Mourão” e o fim do genocídio do povo brasileiro. No Amazonas, foram registradas manifestações em Manaus, Humaitá, Parintins e Itacoatiara, que contaram com o apoio e participação de professoras e professores da Ufam sindicalizadas e sindicalizados à ADUA, além de Tefé e Manacapuru.

 

Somados aos atos nacionais e internacionais de 29 de maio, os protestos de 19 de junho chegaram a mais de 427 cidades brasileiras, 17 países e contaram com a participação de mais cerca de 750 mil pessoas, conforme dados das frentes organizadoras.

 

Na capital amazonense, a concentração começou na tarde de sábado na Praça da Saudade, de onde as e os manifestantes saíram em marcha pelas ruas do centro da cidade, passando pela Rua Epaminondas, Avenidas 7 de Setembro e Eduardo Ribeiro e Rua 10 de Julho. Faixas, cartazes e palavras de ordem davam o recado em um só tom: “Fora Bolsonaro, genocida!”. As máscaras de proteção não abafaram o grito de basta à omissão de Bolsonaro.

 

Nos discursos no carro de som, militantes lembraram as milhares de vidas perdidas para a doença, que já tem vacina mas continua a matar devido ao descaso do desgoverno, que ignorou diversas ofertas de imunizantes. Entre as vítimas do coronavírus lembradas esteve o ex-diretor da ADUA e professor da Ufam, Luiz Fernando Souza Santos, que faleceu em 11 de março deste ano.

 

 

“O centro do mundo é onde o povo luta pela vida e para nós o centro do mundo hoje é essa praça, porque somente na praça que o povo pode desfazer as trapaças, estamos aqui para lutar não apenas contra o vírus, mas contra o verme que ocupa o Palácio do Planalto, essa luta é nossa, estamos aqui fazendo a política do bem (...) o povo encontra sua força teórica na política e a política só pode encontrar sua força material no povo organizado, nas forças decentes que acreditam num país diferente, fora genocida, fora verme, viva a luta do povo, sem luta não poderemos mudar a história”, discursou o professor José Alcimar de Oliveira durante o ato de 19 de junho, em Manaus.

 

Em defesa das universidades, por vacina universal, contra os cortes de verbas na educação e por Fora Bolsonaro e Mourão, estudantes e docentes do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA/Ufam), em Humaitá (AM), se juntaram às manifestações nacionais do dia 19, com faixas e cartazes. Organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) do Instituto, o ato ocorreu na Praça da Matriz.

 

Itacoatiara também participou das manifestações. Após concentração em frente à Ufam, as e os manifestantes, em bicicletas e motocicletas, percorreram as ruas da cidade com cartazes, bandeiras e acompanhadas de um carro de som, gritando palavras de ordem pelo fim dos ataques do desgoverno. Em Parintins, estudantes e docentes do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ/Ufam) participaram do ato em frente ao Mercado Municipal Zezito Assayag, na Avenida Paraíba, com faixas e cartazes reivindicando vacina para todas e todos e a defesa da educação e da Amazônia.

 

Além do impeachment de Bolsonaro e o alerta sobre os ataques à educação pública, os protestos cobraram a responsabilidade dos governos federal, estadual e municipais pelo agravamento da pandemia; pediram o fim da fome e do desemprego no país; cobraram a vacina imediata de todas e todos e levantaram bandeira contra a Reforma Administrativa e as privatizações.

 

As atividades tiveram a participação de frentes, sindicatos, centrais, partidos políticos, coletivos e movimentos populares que se manifestaram também em defesa dos povos indígenas e quilombolas; pelos direitos das mulheres e de lésbicas, gays, bissexuais, trans e travestis, queers, intersexuais, assexuais e todas as demais existências de gêneros e sexualidades (LGBTQIA+); contra a homofobia e o racismo; em defesa da Amazônia e do meio ambiente.

 

 

Além da ADUA, o ANDES-SN e outras seções sindicais participaram das mobilizações presenciais e virtuais de 19 de junho. O Sindicato Nacional organizou e realizou uma transmissão ao vivo, no seu canal no YouTube, dos atos ocorridos em diversas partes do país.

 

“Não somos negacionistas. Estamos nas ruas em defesa da vida e porque o maior ataque ao nosso país está na presidência da República, permitindo a morte de mais de 500 mil brasileiros e não temos mais condições de conviver com essa situação”, afirmou Rivânia Moura, em discurso em frente ao Museu Nacional, onde ocorreu a concentração do ato em Brasília (DF).

 

Além das cidades do Amazonas onde há unidades da Ufam, e em Brasília, foram registrados atos nas cidades brasileiras de seções de sindicais, como a Adufc (Ceará), Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal), de Lavras (Adufla-MG), Adufpa (Pará), da Paraíba (Adufpb) e Seção Sindical do ANDES-SN na Universidade Federal de Santa Maria (Sedufsm-RS).

 

Durante o ato na capital federal, Rivânia Moura lembrou os ataques do governo contra a Educação e criticou a política de Bolsonaro e seus aliados. “Eles não querem que os filhos dos pobres estudem. Não querem que o filho da empregada doméstica, do porteiro, do pequeno agricultor sente na cadeira de uma universidade e possam ter um futuro melhor. Esse governo tem atacado a Educação e isso representa um ataque à vida, ao futuro de milhares de pessoas”, disse.

 

Durante a transmissão dos atos no canal do ANDES-SN, a professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Sofia Manzano, ressaltou a necessidade de intensificar a luta contra o projeto imposto pelo governo federal. “Precisamos empolgar cada vez a nossa base para defender não apenas os nossos interesses como docentes, mas a universidade pública, não podemos ficar pedindo só fora Bolsonaro e fora ala ideológica, temos que exigir fora Bolsonaro, fora Mourão, fora Guedes e fora todo e qualquer entulho obscurantista, selvagem, que tem levado as universidades aos seus estertores”, afirmou.

 

3 de julho: arte e luta

 

 

Shows musicais, intervenções artísticas e discursos de representantes de entidades, movimentos e partidos políticos fizeram parte da programação do 3º Ato Nacional pelo Fora Bolsonaro e Mourão, em Manaus, no dia 3 de julho, na Praça da Saudade, onde foi montado um palco para as apresentações culturais. Também foram registrados atos nas cidades amazonenses de Parintins e Humaitá.

 

“Quem veio para esta praça neste dia 3 de julho de 2021 veio movido pela grande política. É somente o povo que pode fazer nesse país a grande política, porque esse Congresso não nos representa, esse presidente, cuja política se resume a crime e destruição, não pode, não tem o direito de continuar na presidência”, discursou na manifestação o professor José Alcimar de Oliveira, que também lembrou os docentes vítimas da covid-19, Luiz Fernando Souza Santos e Osvaldo Coelho, e a professora Geny Brelaz.

 

Com bandeiras do ANDES-SN e da ADUA e camisetas personalizadas com as inscrições "De Luto na Luta", demais professores e professoras da Ufam participaram das manifestações na capital e no interior do estado.

 

Em Parintins, mesmo sob uma chuva intensa, as e os manifestantes realizaram uma homenagem simbólica às 354 vidas parintinenses perdidas para a covid-19 e fizeram a leitura de uma carta de solidariedade às famílias das vítimas. A manifestação ocorreu na Praça da Catedral. Em Humaitá, estudantes e docentes da IEAA realizaram um ato na Praça da Matriz com cartazes, faixas e discursos.

 

Além da ADUA, o ANDES-SN e outras seções sindicais se juntaram ao grande movimento nacional em todas as regiões do país. Segundo os organizadores, o ato de 3 de julho mobilizou cerca de 800 mil pessoas, em 312 municípios brasileiros e 35 cidades de outros 16 países. 

 

‘‘No Brasil inteiro, tivemos pessoas pelas ruas, pois não é hora de recuar. É hora de ir para cima do Congresso Nacional para que a vontade do povo brasileiro seja respeitada e que coloque o impeachment de Jair Bolsonaro para andar e que ele possa ser punido por todos os crimes que cometeu’’, afirmou a presidente do ANDES-SN sobre as manifestações de 3 de julho.

 

“Superpedido” de impeachment

 

Dias antes do 3J, mais de 700 entidades da sociedade civil e 46 parlamentares de diferentes partidos políticos assinaram e protocolaram um “superpedido” de impeachment de Bolsonaro, na Câmara dos Deputados. O documento é o 125º pedido de impeachment registrado contra o presidente e reúne denúncias de 23 crimes de responsabilidade.

 

O “superpedido” apresenta, entre as denúncias: blindagem ao escândalo de corrupção da compra da vacina Covaxin denunciado à CPI no Senado; omissões e erros na gestão da pandemia; negligência do governo em relação à compra da vacina da Pfizer, e defesa de medicamentos sem comprovação científica contra a covid-19 como a hidroxicloroquina. A apresentação do documento visa pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira, a abrir o processo de impeachment.

 

Na intenção de manter a forte mobilização que tomou conta do país e ampliar a luta unificada, já há novas manifestações programadas. A soma dos intensos e constantes ataques do governo e em diversos setores tem movimentado e ampliado a onda de protestos que visam retirar Bolsonaro e seus cúmplices do poder. Considerando a defesa dos direitos do povo e sua história de resistência, a ADUA se manterá na linha de frente para derrotar de vez a necropolítica em curso no país.

 

Docentes tomam as ruas no Dia de Luta e Resistência em Defesa da Educação

 

 

Dez dias antes do primeiro ato nacional deste ano por Fora Bolsonaro e Mourão, docentes, demais trabalhadores e trabalhadoras da educação, estudantes e entidades do setor deram o pontapé para a retomada das manifestações de rua, realizando um grande ato no Dia Nacional em Defesa da Educação (19 de maio) com manifestações virtuais e presenciais.

 

Com o mote “Vacina, Pão, Saúde e Educação – Fora Bolsonaro e Mourão!’, esse dia de mobilização da Educação teve como principais bandeiras: a luta contra o retorno das aulas presenciais durante a pandemia, o não ao Projeto de Lei (PL) 5.595/20; a reivindicação por recomposição dos orçamentos das instituições de ensino públicas federais, o não ao corte de verbas; o fim das intervenções nas universidades, institutos e Cefets, o respeito à autonomia universitária; a revogação da Portaria do MEC 983/2020, que determina o aumento da carga horária dos(as) docentes do Ensino Básico Técnico e Tecnológico (EBTT) e em defesa dos direitos das servidoras e dos servidores, o não à Reforma Administrativa.

 

Na data, o ANDES-SN realizou a live “Em Defesa da Educação", transmitida no canal do Sindicato Nacional. A atividade teve a participação da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

 

A programação do dia 19M contou com tuitaços. As (Os) militantes foram convocadas e convocados a participar com postagens em defesa da Educação e subiram nas redes sociais hashtags como #AEducaçãoPrecisaResistir, #EmDefesadaEducação, #EmDefesadaVida e #NãoaoPL5595. Ocorreram ainda projeções no Museu Nacional, em Brasília, além de panfletagem, distribuição de máscaras, faixaços, carreatas, uso de carros de som e outdoors.

 

Nessa data, a ADUA realizou atividades como o diálogo nas salas de aulas virtuais sobre o PL 5.595/20; agitação das redes sociais com compartilhamento de cards e a publicação de um vídeo da presidente da ADUA, reiterando a luta em defesa da educação.

 

Retorno seguro só com vacina

 

Mesmo com a pressão do governo federal para retomada das aulas presenciais durante a pandemia, somente quatro meses após o início da vacinação no país, a vacina contra a covid-19 começou a chegar nos braços de docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Por idade, comorbidade ou por inclusão no Plano de Imunização, professores e professoras começaram a tomar a primeira dose do imunizante a partir de maio.

 

Sem perspectiva ainda da imunização de estudantes na faixa etária abaixo dos 30 anos, a defesa do ANDES-SN e ADUA continua a ser pela retomada das aulas presenciais somente após a vacinação de todas e todos. Sobre o retorno às salas de aula, o Sindicato Nacional encaminhou, no dia 8 de junho, a sistematização dos Textos de Resolução (TRs) sobre o Plano Sanitário e Educacional, aprovado em 14 de maio, na Reunião Conjunta dos Setores das Instituições Federais de Ensino (Ifes) e Estaduais e Municipais de Ensino (IEES/Imes). O encontro foi realizado para dar continuidade ao 11º Conad Extraordinário, ocorrido nos dias 27 de março e 3 de abril.

 

Na perspectiva da defesa da vacinação de toda a comunidade institucional, o Sindicato Nacional orienta, no documento, que as seções sindicais exijam que a Administração Superior construa democraticamente um “Plano Sanitário e Educacional: em defesa da vida e da educação”, com a participação dos segmentos das comunidades acadêmicas – docentes, estudantes, técnicos-administrativos, técnicas-administrativas, terceirizados e terceirizadas.

 

Conforme recomendação do ANDES-SN, esse plano deve conter uma série de diretrizes relativas a condições como: adequada salubridade para as pessoas que estão em atividade presencial, implementação de estratégias de recuperação para estudantes, especialmente para aqueles e aquelas que não puderam ou tiveram dificuldades para acompanhar o Ensino Remoto Emergencial (ERE) durante a pandemia; e a manutenção do ERE apenas enquanto durarem as orientações sanitárias impostas pela pandemia.

 

O Sindicato Nacional recomenda também que as seções sindicais cobrem da instituição a adoção das melhores e mais seguras condições de trabalho e estudo com o estabelecimento de protocolos de rastreamento de contágio e estatísticas públicas, como número de óbitos e contaminações, dados estes fundamentais para subsidiar as políticas sanitárias. A orientação também é de adoção do protocolo de Testagem em massa, Rastreamento de contatos e Isolamento com suporte (Tris).

 

Neste sentido, a ADUA mantém a defesa da retomada das aulas presenciais apenas após a vacinação de todas e todos, assim como a reconstituição do orçamento das instituições de ensino federais, o que poderá garantir os recursos fundamentais para a instalação de um Plano de Sanitário e Educacional, defendendo que essencial é a vida e a saúde da comunidade acadêmica.

 

Luta pela vida respeitando a saúde pública!

 

 

A cobertura em Manaus dos três atos pelo “Fora Bolsonaro e Mourão” (em maio, junho e julho deste ano) evidenciaram a total disparidade em relação às manifestações que vêm sendo feitas pelos apoiadores do presidente da república. Na organização dos atos presenciais de oposição, as entidades não apenas divulgaram previamente as orientações sanitárias a serem seguidas como fizeram, durante a realização das atividades, constantes alertas sobre o distanciamento e o uso de álcool em gel. Pessoas podiam ser vistas, inclusive, distribuindo gratuitamente esse material nos atos. Outra diferenciação foi a utilização obrigatória de máscaras de proteção, recomendação esta seguida plenamente pelo(a)s participantes. Obrigados e obrigadas a irem para as ruas em meio a pandemia da covid-19, os e as manifestantes mostraram na luta pela vida o respeito à saúde pública.

 

Fotos: Sue Anne Cursino/ADUA; Daisy Melo/ADUA; Icet/Ufam; ICSEZ/Ufam; IEAA/Ufam e Nah Jereissati/ADUFC

 

 




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