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  24/02/2021


Central sindical lança manifesto em defesa da vida do povo amazonense



A Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas) – a qual a ADUA integra – lançou um manifesto em defesa da vida do povo amazonense. Capital mundial da pandemia da Covid-19, Manaus vive sob a proliferação sem controle do coronavírus e suas mutações. A falta de gestão da pandemia por parte de todas as esferas (federal, estadual e municipal) levou a cidade ao colapso do sistema público de saúde e a um caos sanitário. 

 

No documento intitulado “SOS Manaus: em defesa da Vida e do Brasil”, a central sindical alerta sobre as faltas de leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UIT) e de oxigênio, culminando com a morte de pacientes e a transferência emergencial para outros estados. “Essa atitude é mais um exemplo do abominável descaso, do negacionismo e da política genocida de como a pandemia no Brasil vem sendo tratada pelo governo Bolsonaro”, afirma em trecho.

 

O manifesto faz parte da campanha da CSP-Conlutas com a Frente Cabana em Defesa da Vida que, entre outras bandeiras de mobilização, exige lockdown e auxílio emergencial de um salário mínimo; vacinação imediata e testagem da população; implantação da rede de saúde privada sob o controle do SUS; estabilidade nos empregos e, para garantir e efetivação dessas políticas, a ampliação da luta por “Fora Bolsonaro e Mourão”.

 

Leia o manifesto na íntegra

 

MANIFESTO SOS MANAUS: EM DEFESA DA VIDA E DO BRASIL

 

É muito grave o que está acontecendo em Manaus. Epicentro da pandemia da covid-19 no Brasil, a capital amazonense vive um colapso sem nenhum controle da proliferação do Coronavírus, e atualmente de suas mutações, sob um alarmante caos sanitário.

 

As cenas são lastimáveis. Filas por leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e infectados e familiares desesperados nas portas de hospitais sem nem sequer haver oxigênio para responder à demanda dos pacientes. Momentos angustiantes nas casas e nas proximidades das unidades hospitalares e a compra particular de insumos, como o oxigênio, a preços altíssimos quando deveriam ter sido confiscados para serem fornecidos pelo Estado. Muitos morreram sem oxigênio, sem acesso à UTIs ou a leitos de hospitais.

 

Em 21 de janeiro, o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, defendeu em nota pública o envio urgente de uma missão de observadores internacionais, por afirmar não ser “mais possível confiar nos diferentes níveis de gestão que estão à frente da epidemia”. O pesquisador reforçava no título “Manaus está perdida e a covid-19 explodiu”. A frente dessa gestão de barbárie e genocídio estão o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), o governo federal de Bolsonaro/Mourão/Pazuello e os prefeitos das cidades amazonenses, entre eles David Almeida (Avante), da capital.

 

A criminosa gestão e a falta de controle na incipiente vacinação no estado, com várias denúncias de fura filas e roubo de vacinas levou à paralisação na imunização na capital amazonense, em meio a situação calamitosa. A alta subnotificação esconde a realidade muito maior de falecimentos e a falta de testagem dificulta ainda mais o já precário combate a pandemia.

 

O caos provocou ações judiciais para que todos os casos fossem reunidos em uma única fila para atendimento. Além disso, o governo do Amazonas e o Ministério da Saúde foram obrigados a disponibilizar leitos de UTI para pacientes, assim como garantir transferência para outros estados.

 

Depois de tantas mortes e descontrole, somente na terceira semana de fevereiro a Secretaria de Saúde do Amazonas fez uma requisição administrativa dos serviços de leitos clínicos e de UTI da rede privada de Manaus para pacientes com covid-19. Essa requisição é prevista pela Lei Geral do SUS (Sistema Único de Saúde).

 

A falta de atendimento em Manaus também se deve a um problema maior no estado. Dos 61 municípios do Amazonas, além da capital, nenhum tem unidade hospitalar com UTI e estrutura adequada para atender os pacientes com Covid-19. É um absoluto descaso que já vem de gestões anteriores e estourou agora com a pandemia. É isso, no Amazonas apenas os hospitais de Manaus têm UTIs.

 

Apesar desta situação catastrófica, o governo federal, por meio de seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, teve o despeito de, criminosamente, cobrar a aplicação do “tratamento precoce” contra a covid-19, ou seja, o uso da cloroquina, mesmo já sendo público que tal opinião não conta com nenhum respaldo científico no mundo. Enquanto isso, morriam quatro pessoas de uma única família de cinco integrantes. Enviava-se pacientes para outros estados em busca de tratamento. Essa atitude é mais um exemplo do abominável descaso, do negacionismo e da política genocida de como a pandemia no Brasil vem sendo tratada pelo governo Bolsonaro.

 

“Se não adotar o lockdown, a capital amazonense será o epicentro da covid-19 no mundo e criará novas cepas ainda mais perigosas”, afirmou o cientista Luca Ferrante do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa). O mesmo que em agosto de 2020 escreveu artigo alertando que as políticas do Brasil condenariam a Amazônia a uma segunda onda da covid-19. Ele acertou!

 

Desta forma, temos no Amazonas 300 mil infectados e mais de 10 mil mortos. No Brasil, estamos chegando a 10 milhões de infectados e 250 mil pessoas mortas. Um memorial foi produzido em homenagem aos nossos mortos de Manaus. Nossas vidas importam!

 

A pandemia trouxe à tona a destruição pela qual passa sistema público de saúde no Brasil. Também no mundo, consequência das políticas neoliberais do capitalismo de fortalecimento do sistema privado. É inaceitável!

 

Toda essa crise sanitária se retroalimenta da violenta crise econômica, com milhões de desempregados e no subemprego, com nossa classe sem renda para sobreviver. Enquanto o número de pobres aumenta, ficando mais miseráveis, os ricos, patrões e banqueiros, ficam cada vez mais ricos. Em plena pandemia, o capitalismo mostra sua face mais cruel, em que uns poucos enriquecem às custas do empobrecimento da maioria, que assiste indignada ao aumento da desigualdade social e paga com a morte diante desse descaso.

 

Programa Emergencial

 

É preciso lutar por um programa alternativo da classe trabalhadora para enfrentar a decadência e crise da sociedade capitalista. Por isso, a CSP-Conlutas se soma a Frente Cabana em Defesa da Vida e demais entidades e defendem medidas urgentes à população de Manaus e Amazonas:

 

– Testagem e vacinação massiva imediatas à população

– Lockdown de 30 dias com auxílio emergencial de um salário mínimo para a população

– Estabilidade nos empregos. Ninguém pode ser demitido na pandemia

– Não retorno das atividades escolares

– A rede de saúde privada deve estar sob o controle do SUS

– Fora Bolsonaro e Mourão, já!

 

Nossas vidas importam!

 

Secretaria Executiva Nacional Central Sindical e Popular CSP-Conlutas São Paulo, 19 de fevereiro de 2020



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