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  02/10/2026


Lançamento de documentário do ANDES-SN ocupa praça de Manaus em defesa da educação pública e da ciência



 

O Centro Histórico de Manaus foi palco de resistência política e cultural no dia 30 de setembro (quarta-feira), durante o lançamento do documentário do ANDES-SN em defesa da educação pública e da ciência.



Em frente ao Teatro Amazonas, o movimento sindical docente, representado pelo ANDES-SN, ADUA e SIND-UEA, promoveu a exibição do documentário “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo”. A atividade reuniu docentes, estudantes, trabalhadoras e trabalhadores, frequentadoras e frequentadores da praça, além de integrantes de movimentos sociais, ambientais, estudantis e coletivos.

 

A escolha do espaço público teve como objetivo central dialogar diretamente com a população amazonense sobre o papel transformador do ensino superior e da pesquisa científica no país.

 

 

Cultura, resistência e alerta

 

A programação cultural do ato ficou sob o comando da cantora Márcia Siqueira que, acompanhada pelo violonista Neil Armstrong, embalou o público com clássicos da MPB e da música regional, incluindo obras como É, de Gonzaguinha; É Hoje o Dia (samba-enredo); Amazonas Meu Amor e Vermelho, de Chico da Silva; e O Canto das Três Raças, de Clara Nunes.

 

A apresentação ganhou um tom de denúncia e conscientização socioambiental na interpretação da toada Lamento de Raça, de Emerson Maia. Ao cantar que “matar a mata não é permitido”, Márcia ressaltou as consequências da crise climática enfrentada pelo estado do Amazonas e reforçou a praça pública como símbolo de liberdade e democracia. “É maravilhoso estar em um lugar que reúne tantas tribos, a sociedade amazonense, lugar onde tem várias expressões artísticas, mas também lugar de lutas e reivindicações. Esse é um espaço democrático, que é para todos. É muito importante estarmos juntos nesse momento", afirmou a cantora.

 

O documentário: conhecimento crítico contra os ataques à universidade

 

A projeção de "Educação e Ciência por um Brasil que dá certo" destacou trajetórias de brasileiras e brasileiros cujas vidas foram transformadas pelo acesso ao ensino superior. Produzido pelo ANDES-SN em parceria com a Cajuína Filmes, o audiovisual integra a campanha nacional "Lutar não é Crime!".

 

 

 

Durante o ato, lideranças sindicais reforçaram que o conhecimento gerado nas universidades públicas é ferramenta essencial de emancipação social e combate ao ódio. Ceane Simões, vice-presidente do Sind-UEA, destacou o cotidiano da categoria. "Nós, professores e professoras das instituições públicas de educação, lutamos todos os dias. Lutamos de forma coletiva, mas também lutamos no nosso fazer cotidiano nas nossas salas de aula, na relação com os nossos estudantes, com a comunidade. Quando a gente faz pesquisa, também é luta. Mas a gente se organiza, né? Tem um movimento histórico dos docentes no Brasil que se organiza para lutar por direitos, por condições de trabalho, porque a gente acredita em uma educação e uma ciência pública a serviço da população brasileira”.

 

 

 

Fernanda Vieira, Secretária-Geral do ANDES-SN, apontou os ataques sistemáticos sofridos pelas instituições e enfatizou o valor da universidade crítica e soberana, encerrando sua fala com a leitura do poema Madrugada Camponesa, de Thiago de Mello. "Nós sabemos que hoje um dos alvos mais perversos da extrema direita são justamente os trabalhadores e trabalhadoras da educação pública e as instituições de educação pública. A extrema direita sabe que a educação crítica que nós produzimos é um conhecimento que emancipa, é um conhecimento que reconhece o papel dos movimentos quilombolas, do movimento sem-terra, do movimento indígena, do movimento de mulheres, do movimento LGBTQI+ e do movimento negro. Este documentário mostra que o futuro para a nossa juventude está na produção do conhecimento que ela vem realizando dentro das nossas universidades. E este projeto de sociedade que nós queremos é um conhecimento crítico e uma ciência potente que faz com que a gente reconheça a nossa soberania, que faz com que a gente grite em alto e bom som que o Brasil não cabe no quintal de nenhuma outra nação”.

 

O 3º Secretário do ANDES-SN (UFAM), Francisco Jacob Paiva da Silva, resgatou o histórico do sindicato na denúncia contra o sucateamento orçamentário e as tentativas de intervenção na autonomia universitária vivenciadas em gestões federais anteriores.

 

 

 

"Essa divulgação do documentário marca a histórica atuação do ANDES-SN na luta em defesa da educação e da universidade pública. Levantamos as vozes para defender a educação e a ciência socialmente referenciadas no interesse da maioria do nosso povo. Uma educação que nos leve para um futuro decente e digno para toda a população brasileira; uma ciência que transforme o nosso país cada vez mais em um país livre e soberano, sem nenhum tipo de opressão, sem nenhum tipo de discriminação ou preconceito”.

 

O professor Antônio Henrique Romero, membro da Diretoria Ampliada da Sind-UEA citou o pensamento do revolucionário Ernesto Che Guevara "toda a terra que eu piso é minha pátria", para enfatizar que a soberania de uma nação se consolida pela educação de seu povo, e não pela força das armas. "A soberania se estabelece nas nações quando seu povo é um povo educado, é um povo que sabe, que procura o conhecimento, que produz ciência e que transforma dia a dia a sua realidade. Eu acho que nós, que optamos pela educação pública, temos isso que é a nossa vocação, que é a nossa paixão: dar a nossa vida pelo ensino de qualidade, gratuito e, sobretudo, com projeção para a sociedade, para a comunidade”, enfatizou.

 

Repercussão na praça pública

 

A exibição do filme no Largo São Sebastião chamou a atenção de quem passava pelo centro da cidade.  A auxiliar de limpeza Maria de Fátima Andrade, de 57 anos, acompanhou a programação e relatou a relevância de ver o debate ocupar o espaço público. "Desde os 7 anos eu já cuidava dos meus irmãos e não tive oportunidade de ingressar em uma universidade, mas hoje a realidade é outra e para muitas pode ser diferente, e elas podem ir estudar com mais foco, com uma oportunidade que eu não tive. Acho muito importante as pessoas possam focar do estudo do que é necessário para a sociedade, e achei muito legal se reunirem para fazer essa apresentação em um lugar público onde as pessoas quase não se juntam. A gente só passa e vai embora.  É muito importante tudo o que foi falado e a música, que desperta a curiosidade para saber o que está acontecendo”.

 

 

 

Para Agatha Jully Coimbra, estudante indígena de Jornalismo da UFAM, do povo Tukano, a presença do documentário na praça reforça a ocupação de espaços historicamente negados às populações originárias. "Eu achei muito importante participar desse lançamento de documentário, principalmente como estudante indígena, porque a Universidade Federal abre muitos caminhos para a gente, inclusive para nós, povos indígenas, que por muito tempo tivemos esses espaços negados. Então, defender a educação e a ciência pública é também defender a possibilidade de estarmos aqui produzindo conhecimento e ocupando esses espaços. Eu acho que o documentário traz muito essa reflexão, que é muito necessária, sobre o quanto a educação e a ciência fazem parte da transformação da nossa sociedade e sobre como o acesso ao conhecimento permite que as pessoas construam as suas próprias histórias”.

 

Júlio Ferraz, dirigente do Movimento de Luta dos Trabalhadores Independentes (MLTI), ressaltou a aliança entre os movimentos populares e a categoria docente. "Achei muito significativa a atividade da ADUA na praça pública, resgatando a história de como se constrói uma educação combativa. A gente acredita que moradia, saúde e educação são essenciais para o ser humano sobreviver. Nós entendemos que nossos filhos estão crescendo e, se não houver investimento na educação pública, que futuro eles terão? Então tem que ter investimento e valorização do professor da universidade e da educação básica”.

 

Educação pública, soberania e contexto das eleições

 

Durante o ato, a ADUA distribuiu uma nota política em defesa dos direitos da classe trabalhadora e da soberania nacional. O momento eleitoral do país perpassou os pronunciamentos, destacando como o voto reflete diretamente na manutenção dos serviços públicos essenciais.

 

Ana Lúcia Gomes, presidente da ADUA, destacou a importância pedagógica do ato diante das desinformações veiculadas nas redes digitais.  "A universidade foi vítima de ataques, por isso é salutar fazer um evento público para mostrar a sua importância. A gente fez essa escolha de exibir o documentário em uma praça porque, dentro da universidade, as pessoas já têm esse conhecimento do papel da instituição. Então a gente pensou em levar para a população de fora essa mensagem. E o que vivemos foi mais que um lançamento: foi uma aula pública para mostrar para o povo a importância dos serviços públicos da universidade, a educação como um mecanismo de transformação."

 

Ana Lúcia ressaltou ainda a relação entre as urnas e os investimentos no setor. "O vídeo tem uma importância fundamental. No meio de um processo eleitoral, é importante a gente mostrar para das pessoas que as escolhas delas nas urnas têm a ver com a continuação desses serviços da universidade pública, dos serviços públicos e de uma política que tenha um olhar mais voltado para as pessoas menos favorecidas. No domingo, nós temos que saber votar, porque todos nós, principalmente pela população menos favorecida”.

 

A atividade contou ainda com intervenção poética de Emanuela Chaves, 2ª Vice-presidente da Regional Nordeste 2 do ANDES-SN, que declamou o poema ReOvulação, de Bianca Rufino, reforçando a luta contra todo tipo de opressão

 

Jaqueline Magalhães Alves, 1ª Vice-presidente da Regional Leste do ANDES-SN, destacou a relevância pedagógica do audiovisual como estratégia de informação, formação política e resistência.  "Trata-se de um material de grande importância do ANDES-SN, um produto que pode ser utilizado nas mais diferentes rodas de conversa, nas universidades, nas escolas e em vários espaços das comunidades, para que a gente possa reafirmar o que entendemos por educação e ciência públicas e defendê-las."

 

Após a exibição inaugural na Casa de Cultura Japonesa da USP, em São Paulo, no dia 16 de setembro, o lançamento no Largo São Sebastião marcou a passagem da campanha por Manaus. O documentário completo "Educação e Ciência por um Brasil que dá certo" está disponível no canal do ANDES-SN no YouTube. 

 

 

 

 

Fonte: ADUA

Fotos: Caio Alex 

 



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