
ADUA – NOTA POLÍTICA
EM DEFESA DA SOBERANIA DO BRASIL E DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA BRASILEIRA
O BRASIL NÃO CABE NO QUINTAL DE NINGUÉM!
A Diretoria da ADUA – Seção Sindical das professoras e dos professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), entidade que compõe a base do ANDES – Sindicato Nacional, diante do quadro de ataque aos direitos da classe trabalhadora brasileira, do ataque à educação pública, notadamente às Universidades e Institutos Federais, bem como Instituições de Pesquisa, estaduais e distritais, vem a público expressar sua preocupação quanto aos possíveis desdobramentos das eleições deste outubro de 2026.
A ADUA, seção sindical classista e de luta, fundada em 1979, e fiel aos princípios que fundamentam sua história como entidade autônoma, independente de governos, partidos e administrações, marcada pela intransigente defesa da educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada, tem consciência das graves ameaças que representam para o Brasil, para a soberania da Nação e para seu Povo, a eleição de um governo de extrema direita. Bem sabemos o que significou o governo de extrema direita do período 2019-2022 para a institucionalidade do país e para o ainda em construção Estado Democrático de Direito, como estabelece a Constituição Federativa de 1988.
Nessas eleições, mais do que um governo, o que está em questão é saber se o Brasil continuará como nação soberana ou sucumbirá à condição de colônia, de quintal estadunidense. A Venezuela está aqui ao lado e Cuba um pouco mais acima. Nessa fase declaradamente belicista do imperialismo, do neoextrativismo, é no Brasil, com suas reservas estratégicas de recursos naturais e maior produtor de alimentos do mundo, que o mapa geopolítico global poderá ser redesenhado. Nosso país ainda resta como única atalaia de resistência à ofensiva capitalista contra a América Latina e Caribenha. O grande projeto da extrema direita mundial, que conta com vasto financiamento estadunidense, é fazer uma faxina ideológica no Sul Global. Diante dessa belicista geopolítica, presidida pelo unilateralismo, duas perguntas se impõem: 1) caberá toda essa área no quintal de alguma potência?; 2) estará destinado ao Brasil ser avassalado e converter-se no maior Protetorado Estadunidense do Atlântico Sul?
Não temos dúvida de que essas eleições presidenciais de 2026 serão decisivas para o futuro do Brasil e poderão ser decididas por uma diferença mínima de votos. Mas a questão maior é que dessa diferença mínima resultarão dois rumos absolutamente definidos para o Brasil. O País estará diante de dois caminhos, de um bívio político:
1) o fim do Brasil como Estado soberano se a extrema direita vencer;
2) a garantia de que ainda poderemos manter o Brasil como projeto soberano de nação com a vitória de uma frente do centro para a esquerda.
Do Brasil que resultar daí, do embate entre o Brasil da Silva e o Brasil Faria Lima, vai depender nosso futuro político no curto e médio prazo. O longo, se houver, entregamos a Deus, ou às Deusas e Deuses. Aqui não se trata de catastrofismo, porque acreditamos que a história é um campo de forças em aberto. A ADUA tem os pés na terra e consciência política dos limites de sua avalição: a vitória eleitoral do Brasil da Silva sobre o Brasil Faria Lima não abrirá as portas do paraíso para a classe trabalhadora. No máximo, teremos garantido algum fôlego para respirar e guardar alguma distância do inferno. Um tipo de purgatório? Talvez. Desde que purgatório aqui não seja confundido com a fraude política da chamada terceira via.
O que dizemos, em síntese, é que objetivamente, nessas eleições, não há espaço para neutralidade ou terceira via. Se algo houver da tal terceira via, não vai além de fumaça eleitoreira, e logo abrigar-se-á, em escalas distintas, em uma das duas vias em confronto, ou melhor, em guerra desigual, o que é muito diferente de polarização, que pressupõe uma disputa democrática, mesmo sob os limites da democracia burguesa. Estamos diante de uma crise tão aguda quanto profunda. O conjuntural da superfície não deve nos impedir ou embaçar a visão de seu devir estrutural.
O pior cenário seria o País entrar num quadro social de anomia, conforme Dukheim, ou na guerra de todos contra todos, de Hobbes. Não há saída fora da política e, menos ainda, sem organização e consciência de classe. Até desejaríamos estar errados ao perceber o quanto há de distópico nessa realidade. O que não nos cabe, nessa hora, é abandonar as armas da crítica e apostar na estratégia da extrema direita de recorrer a crítica das armas. Somos da paz e da justiça social. Existir nesses tempos implica resistir. Segundo Sartre, mesmo sem esperança é preciso agir. Porque só da ação poderá nascer alguma esperança.
Nossa força vem da luta coletiva!
Diretoria da ADUA – Seção Sindical
Biênio 2024-2026
30 de setembro de 2026
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