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  03/09/2026


ADUA e ANDES-SN lançam campanha contra o assédio e as violências na UFAM



 

Na quarta-feira (2 de setembro), o hall do restaurante da Faced (Setor Norte) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) foi palco do lançamento da campanha "Sou docente, sou contra assédio e toda forma de violência". Organizada pela ADUA em conjunto com o ANDES-Sindicato Nacional, a atividade reuniu docentes em um ato de resistência e denúncia contra toda forma de violência, constrangimento e perseguição que afeta a comunidade universitária.

 

A presidente da ADUA, professora Ana Lúcia Gomes, chamou a atenção para o caráter sério e urgente da pauta, ressaltando que o adoecimento docente não pode ser naturalizado. “O assédio e outras violências na universidade não atingem somente professores, mas estudantes, técnicos e todas as pessoas que trabalham neste ambiente universitário. É importante que a gente se informe. O ambiente universitário é para ser leve e não doentio, mas infelizmente existem situações que a gente está enfrentando atualmente não só na UFAM, mas em todas as universidades do Brasil, e o nosso papel é fazer um enfrentamento contra o assédio e todo tipo de violência”, afirmou.

 

Diante desse cenário, a luta sindical busca vitórias coletivas em defesa dos direitos da categoria docente e de toda a comunidade acadêmica por um ambiente de trabalho digno. A 1ª vice-presidente do ANDES-SN e membro da Comissão de Enfrentamento à Criminalização e Perseguição Política a Docentes, Caroline de Araújo Lima, pontuou que a agenda da entidade na UFAM (dias 2 e 3 de setembro) e na UEA (1º de setembro) tem como objetivo dialogar sobre a implementação urgente do Protocolo de enfrentamento e combate aos assédios e violências.

 

“Infelizmente hoje as instituições de educação estão sendo ocupadas com vários atos de violência, de ausência de diálogo, de assédio para toda a comunidade. Além disso, nossas universidades estão sendo alvo de criminalização por parte de grupos da extrema direita. É fundamental que a gente enfrente e crie instrumentos e mecanismos para apurar e principalmente acolher as vítimas que estão denunciando esse tipo de violência”, destacou Caroline. A docente reforçou que a comunidade precisa de espaço institucional para se sentir ouvida: “Precisamos sim de um espaço nas universidades em que a comunidade acadêmica se sinta acolhida e acredite que a sua denúncia vai ter encaminhamento. Esperamos ter um saldo positivo e que a gente avance na construção de um protocolo de combate à violência e que a comunidade acadêmica seja acolhida administrativamente e politicamente quando sofrer isso na UFAM”.

 

Números alarmantes

 

A gravidade do problema na UFAM está expressa no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que concluiu que a instituição é umas 41 universidades federais que não possuem uma política institucionalizada de prevenção e combate ao assédio moral e sexual. 

 

Segundo dados da Ouvidoria-Geral da UFAM, levantados por meio de registros internos e da Plataforma Fala.BR, entre 2020 e junho de 2026 foram registradas 220 denúncias de assédio moral e 60 de assédio sexual.

 

Diante de dados alarmante, os instrumentos de apuração de casos e acolhimento não estão sendo suficientes. O relatório da Auditoria Interna da UFAM, de 2025, aponta que a Comissão Permanente para Prevenção e Combate ao Assédio Moral (CECAM), órgão preventivo e educativo criado em 2018, vivencia um “cenário de sobrecarga operacional, escassez de recursos humanos e acúmulo expressivo de processos, havendo registros de demandas com tramitação prolongada”. O documento alerta para um quadro de “colapso estrutural, com impactos no adoecimento da equipe e na capacidade de resposta institucional”, gerando morosidade, fragilização das ações preventivas e risco de comprometimento da efetividade no combate às violências.

 

A realidade cotidiana de quem busca apoio e justiça expõe a fragilidade dos fluxos internos. A professora Soriany Simas Neves, do Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (ICSEZ/Campus da Ufam em Parintins), apresentou seu relato como vítima de assédio na universidade, destacando as barreiras para a comprovação e o constante risco de revitimização. “É muito angustiante e eu conclamo para que a reitoria possa adotar os protocolos corretos, porque existem já protocolos institucionalizados via CECAM, que funcionava, mesmo que precariamente. E eu acredito que precisa de uma vontade política também da universidade, de criar e seguir protocolos, porque hoje temos protocolos confusos sendo adotados. E a pior coisa é denunciar o assédio e ser retaliada no seu direito porque denunciou”, enfatizou a docente durante o lançamento da campanha da ADUA.

 

Historicamente, a ADUA promove ações de acolhimento e defesa da categoria docente. A campanha “Sou docente, sou contra assédio e toda forma de violência" é encampada pela Seção Sindical em um contexto de precarização do ensino público, escalada de violência no ambiente de trabalho e de ataque da extrema direita às universidades. O 1º vice-presidente da Regional Norte I do ANDES-SN, Marcelo Mario Vallina, enfatizou que a conjuntura do país exige organização firme diante de uma realidade em que as universidades enfrentam falta de recursos e sucessivos ataques da extrema direita.

 

Protocolos de combate e acolhimento

 

A professora Katia Couto afirmou que o combate ao assédio moral é uma forma de resistência dentro da universidade. “A universidade é um espaço de ensino, de convivência, de pesquisa, de trabalho conjunto e não pode ser um local onde se estabelecem relações assimétricas de poder. Isso não pode acontecer. A nossa relação tem que ser uma relação de convívio pacífico, cooperativo e assim se manter ao longo de toda a nossa carreira acadêmica. E tudo aquilo que te faz se sentir humilhado, constrangido, submetido, sentir dor psicológica, tudo isso faz parte do assédio moral vivenciado dentro da instituição”, disse, enfatizando que quem passa por essas situações não pode estar sozinha(o).

 

Durante o ato, a categoria apresentou dois instrumentos fundamentais de orientação e luta política: a Cartilha "Combatendo os assédios moral, sexual e outras violências" e o "Protocolo de Combate, Prevenção, Enfrentamento e Apuração de Assédio Moral e Sexual, Racismo, LGBTfobia e qualquer discriminação e violência".

 

Unindo o debate político ao fortalecimento da luta, a atividade também contou com atrações culturais de Celina Delmonaco (Faartes/UFAM) e Ed Love, que animaram o encontro com música ao vivo.

 

Como encaminhamento imediato da mobilização, as entidades sindicais cumprem agenda de luta na tarde desta quinta-feira (3 de setembro), às 14h, em audiência com a Reitoria da UFAM. Em pauta está o diálogo sobre Processos Administrativos Disciplinares (PADs) envolvendo docentes e a parceria na construção de protocolos para combate ao assédio e outras violências na instituição.

 

Fonte: ADUA

 



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