Av. Rodrigo Otávio Jordão Ramos, 3.000, Campus Universitário da UFAM, Setor Sul, bairro Coroado - CEP 69.077-000 - Manaus/Amazonas

Whatsapp +55 92  98138-2677
+55 92 4104-0031


Viva Melhor


   


  26/08/2026


Enfrentamento à violência contra a mulher exige ações além da punição, debatem docentes e ativistas na ADUA



 

 “Quando uma mulher fala, ela liberta muitas vidas”. A reflexão marcou a edição do projeto “Cinema em Debate na ADUA”, realizada no auditório da Seção Sindical, no Setor Sul do campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus. A atividades reuniu professoras, estudantes e representantes de movimentos sociais para discutir as diferentes manifestações da violência de gênero, logo após a exibição do documentário “Mexeu com uma, mexeu com todas” (2017), dirigido por Sandra Werneck.

 

A mediação do diálogo foi realizada pela professora Iolete Ribeiro da Silva, diretora da Faculdade de Psicologia (Fapsi/UFAM) e coordenadora do Grupo de Trabalho Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) da ADUA. Iolete ressaltou que a violência retratada no filme reflete uma estrutura social e que a resposta das instituições não pode se limitar ao aspecto punitivo.

 

Ao analisar o contexto acadêmico, a docente destacou que a universidade precisa avançar na efetivação de suas diretrizes internas. “Hoje a UFAM saiu de um período em que não se fazia nada em relação a denúncias de abuso sexual para um momento em que a gente está com tom mais punitivo, com processos administrativos e investigativos, mas a gente tem uma política de igualdade de gênero que foi aprovada em 2018 e que não é colocada em prática. Essa política seria uma resposta muito mais abrangente, muito mais estratégica do que só estar focado na punição”, apontou Iolete.

 

Segundo a professora, concentrar esforços apenas no campo penal não resolve a raiz do problema. “É preciso considerar que é uma violência estrutural e que precisa de mais estratégias para desmanchar essa forma de organização social do que somente fixar um movimento de responsabilização, que também é precário e não atinge todos porque é racista e não atinge quem tem privilégios sociais”, afirmou.

 

 

Iolete também destacou o papel educativo dos movimentos sociais no processo de formação e fortalecimento das novas gerações de mulheres para o enfrentamento a todo tipo de violência.

 

A dimensão política e de classe do problema também esteve no centro do debate. Apoena Grijó, dos coletivos Humaniza Coletivo Feminista e Coletivo Aborto Legalizado como Direito e Opção, destacou a responsabilidade da organização popular. “Enfrentar esse cenário é um processo de que o movimento social vai ter que dar conta. A gente não vai poder esperar das instituições, porque estamos nessa situação justamente por causa dessa estrutura patriarcal. Infelizmente, temos que enfrentar outras mulheres que reproduzem tudo isso também, pois além de ver homens legislando contra a segurança das mulheres, vemos mulheres repetindo esses discursos”.

 

Já a professora Gleice Oliveira pontuou a relação entre o patriarcado e a exploração capitalista, chamando atenção para a realidade das mulheres da classe trabalhadora, a necessidade de campanhas de educação sexual nas escolas e a pauta da legalização do aborto como direito de escolha. “Esse problema do patriarcado está visceralmente ligado ao capital. Nós, mulheres da classe trabalhadora, sofremos a exploração e a opressão em um grau de profundidade que não tem parâmetros de comparação com as mulheres burguesas”.

 

Reforçando o caráter emancipatório da troca de experiências, Agamedilza Sales, do Coletivo Ecofeminista Maria Sem-vergonha, destacou as rodas de conversa como espaços de cura e transformação política, ressaltando a urgência de ocupar espaços institucionais e eleger mulheres progressistas para consolidar avanços na política legislativa e executiva do país.

 

 

Sobre o filme e o projeto

 

Com 71 minutos de duração, “Mexeu com uma, mexeu com todas” retratar a culpabilização da vítima e a intimidação que impede denúncias, trazendo relatos de mulheres anônimas e figuras públicas como Maria da Penha – que dá nome à lei que criminalizou a violência contra a mulher no Brasil –, a ex-nadadora, Joanna Maranhão; a ex-modelo e atriz, Luiza Brunet; e a escritora Clara Averbuck, além de Alessandra Silva Souza, Aline Matias Azevedo e Delcimar dos Santos Nascimento.

 

Realizado mensalmente, o Cinema em Debate na ADUA busca exibir produções audiovisuais que estimulem a discussão de temas de relevância social no ambiente universitário. O projeto foi lançado em junho de 2023 com o propósito de revitalizar as atividades culturais na Seção Sindical e conta com a participação da comunidade acadêmica da UFAM e sociedade em geral.

 

Fonte: ADUA

 

Fotos: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA 



Galeria de Fotos
 

 

COMENTÁRIO:


NOME:


E-MAIL:

 






energia solar manaus

Manaus/Amazonas
Av. Rodrigo Otávio Jordão Ramos, 3.000, Campus Universitário da UFAM, Setor Sul, bairro Coroado - CEP 69.077-000 - Manaus/Amazonas

energia verde

CENTRAL DE ATENDIMENTO:
+55 92 4104-0031
+55 92  98138-2677
aduasindicato@gmail.com

ADUA DIGITAL