
Para aprofundar a discussão sobre os desafios da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para a formação da cidadania no Amazonas, a ADUA divulga, nesta segunda-feira (27), o episódio 17 do podcast Ecos da Sapopema. A entrevista é conduzida pela professora Rosa Helena Dias e tem como convidada a presidente do Sindicato dos Docentes da UEA (Sind-UEA) e docente da unidade de Parintins, professora Mônica Xavier. No programa, a dirigente analisa as movimentações do governo estadual sobre as verbas universitárias, os desafios da multicampia e o fortalecimento da luta sindical docente no ensino superior amazonense.
Mônica Xavier chamou a atenção para a real situação do orçamento da universidade, que, em junho deste ano, foi surpreendida pelo Decreto Estadual nº 54.200, que determinava o remanejamento de R$ 100 milhões da UEA para a Fundação Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev). Após forte mobilização contra esse ataque à instituição, o governo recuou e suspendeu o decreto, mantendo, porém, os recursos contingenciados.
"A primeira coisa que quero colocar é que, embora os R$ 100 milhões tenham permanecido com a Universidade do Estado do Amazonas, eles ficaram contingenciados. Então, na prática, estão bloqueados", alertou Mônica. "Nosso posicionamento enquanto Sind-UEA é claro: rechaçamos essa transferência. A UEA, a educação pública e o ensino superior do Amazonas não podem financiar nem transferir recursos devido à má administração do governo na Previdência".
A docente questionou ainda a transparência da gestão do governo do Amazonas. "O que está acontecendo com a Amazonprev? É preciso ser claro com o povo amazonense", declarou. "Se tem que apertar o cinto, por que retirar primeiro da educação pública? Na verdade, precisamos de mais verbas, e não de cortes”, disse.

Durante a entrevista, Mônica Xavier explicou como funciona a estrutura de financiamento da UEA e abordou as disparidades entre as unidades da capital, os centros do interior que contam com professores efetivos (como Parintins, Tefé, Tabatinga e Itacoatiara) e os núcleos que dependem de ofertas especiais de cursos. Segundo ela, a verdadeira autonomia universitária exige não apenas a execução integral do orçamento aprovado, mas também a consolidação da interiorização do ensino superior.
Prestes a completar 20 anos de fundação, a trajetória do Sind-UEA foi ressaltada, com destaque para a presença universitária no interior do estado. “Em muitas cidades pequenas é muito importante que a UEA esteja presente, porque vai ser a única chance de uma pessoa de lá realmente estudar em uma universidade. Porém ela precisa fazer isso da mesma forma que um estudante em Manaus, com os mesmos direitos. E é por isso que eu acho que a luta sindical é tão importante. A gente precisa lutar para que a universidade permaneça e tenha mais qualidade, para que realmente desenvolva seu trabalho, mas com muita qualidade e socialmente referenciada”, enfatiza Mônica.
Sobre a atuação da entidade, a professora esclareceu que o sindicato passa por um processo de reorganização. “Se mostrou importante, diante dos ataques à UEA, que o sindicato esteja atuando, se reorganizando, e esteja combativo”, ressaltou a docente, que também comentou sobre as pautas de luta do Sind-UEA pelo pagamento da data-base da categoria, que está há mais de cinco anos sem a reposição das perdas inflacionárias.
Para conferir na íntegra o diálogo sobre a luta em defesa do orçamento da UEA e os desdobramentos da mobilização sindical docente no Amazonas, ouça o 17º episódio do podcast Ecos da Sapopema, disponível no Spotify.
O público pode enviar sugestões de temas para as próximas edições pelo e-mail: imprensa.adua@gmail.com. Compartilhe o episódio e siga as redes sociais da ADUA para se manter informado.
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Foto: Daisy Melo/ Ascom ADUA
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