
A conectividade sem limites impacta diretamente o trabalho docente. É o que revelam os dados da Enquete Nacional sobre Condições de Trabalho e Saúde Docente, realizada pelo ANDES-SN, com a participação de 3.591 docentes da ativa e 256 aposentados(as) (da ativa e aposentados) de instituições de ensino superior de diferentes regiões do país, na segunda etapa do levantamento, realizada entre 2024 e 2025.
O documento foi apresentado no dia 29 de maio, durante a reunião do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), realizada na sede do Sindicato Nacional, em Brasília (DF).

O levantamento revela que a introdução massiva de ferramentas digitais e a plataformização da rotina de ensino, intensificadas no cenário pós-pandemia, resultaram em um aumento da sobrecarga de trabalho e do adoecimento da categoria.
A pesquisa aponta que 92,9% dos(as) docentes passaram a realizar atividades remotamente após a pandemia e que 87,1% custeiam recursos tecnológicos e de conectividade do próprio bolso.
Nos últimos anos, a conectividade tem se integrado cada vez mais ao cotidiano acadêmico, mas a falta de regulamentação dificulta os limites entre a rotina profissional e a vida privada, gerando a sensação de trabalho ininterrupto.
Além do sofrimento psíquico, o cansaço mental intenso, problemas de sono e sintomas físicos (como dores, tensão e enxaqueca) estão entre as queixas apresentadas nas respostas do questionário.
Com a intensificação do trabalho, docentes relatam que há menos tempo livre. Além disso, 47,1% das(os) docentes sempre se sentem pressionados por metas e prazos, e 60,6% afirmam que a quantidade de trabalho aumentou após a adoção de atividades remotas.

Cenário local
Em abril, a ADUA publicou a reportagem "Trabalho e Saúde: Enquete expõe más condições para docentes da Ufam", trazendo o recorte local da pesquisa. O levantamento destacou um dado sob a perspectiva de gênero: as professoras da Ufam são as mais afetadas pela sobrecarga de trabalho e pelo adoecimento entre as(os) respondentes da pesquisa.
Este diagnóstico é um instrumento fundamental de denúncia e aponta para a urgência de intensificar a luta contra a sobrecarga, as condições precárias de trabalho e o adoecimento que afetam docentes em todo o país.
Para saber mais, acesse o relatório completo aqui.

Fonte: com informações do ANDES-SN
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