Crédito: Sue Anne Cursino

Música e poesia fortalecem a luta sindical docente
Sue Anne Cursino
Além dos debates políticos e sindicais, a 45ª Reunião das Seções Sindicais da Regional Norte I do ANDES-SN, realizada nos dias 5 e 6 de junho de 2026, em Ji-Paraná (RO), também foi marcada por momentos de arte, cultura e fortalecimento da identidade coletiva dos trabalhadores e trabalhadoras da educação.
Marcada por cantos, maracá e poesia, as atividades culturais estiveram presentes em diversos momentos da programação do encontro. Docentes participaram da exibição de um vídeo sobre a história e a memória do ANDES-SN e puderam apreciar apresentações musicais acompanhadas por violão. Durante a visita ao campus da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), também foi possível observar uma ocupação viva dos espaços por meio de grafismos indígenas produzidos por estudantes da instituição, reafirmando a presença e a valorização dos povos originários na universidade.
A atividade artística contou com a participação de Zé Fernandes, militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) em Rondônia, que conduziu momentos musicais ao som do violão. Nas aberturas e intervalos do encontro, interpretou canções como Anunciação e Vermelho. Em um dos momentos mais marcantes, docentes presentes se uniram para cantar Ordem e Progresso, de Zé Pinto, música que retrata a realidade dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e reafirma a defesa de direitos fundamentais. Um dos trechos entoados durante a atividade diz: “A ordem é ninguém passar fome. Progresso é o povo feliz. A Reforma Agrária é a volta do agricultor à raiz”.
Para Zé Fernandes, a arte ocupa um papel essencial nas lutas populares. “A arte faz parte da luta dos movimentos sociais porque ela traz consigo a vida desse povo, a realidade que as pessoas vivem. Então elas, através da música, da poesia, expressam a realidade que o povo vive. E aí traz para dentro da luta esse instrumento também, fazendo parte da resistência do povo. Não tem como a gente fazer a luta sem ter presente um dos principais instrumentos de vida, que é a questão da cultura do povo”, enfatizou.
Outro momento de grande significado foi conduzido pela docente Annie Martins (Sind-UEA), indígena das etnias Tikuna e Kanamari.
Ao som do maracá, que ecoou pelo auditório acompanhado pelas batidas dos pés das e dos docentes, Annie trouxe reflexões sobre ancestralidade, reafirmando que, para os povos indígenas, “o corpo é território”. “Aqui habita uma gama de entidades. Muitas experiências habitam nosso corpo”, destaca.
Em seguida, convidou todas e todos a participarem de uma dança indígena, marcando os pés no chão em ritmo cadenciado. O gesto coletivo buscou fortalecer os corpos e as mentes para os debates que seguiam no encontro. “A gente vai bater o pé de novo para se centrar e se perceber enquanto resistência, que, embora a gente tenha que enfrentar tantos problemas nas nossas universidades, nós ocupamos lugares de fala, de representatividade e de luta”.
Na sequência, Annie realizou a leitura do poema “Índio eu não sou”, da poeta indígena Márcia Kambeba, compartilhando na atividade uma poderosa afirmação da resistência dos povos originários.
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