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Por iniciativa da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA) e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas (PPGH/UFAM), o Conselho Universitário da Ufam (Consuni) aprovou, no dia 10 de junho (quarta-feira), a outorga do título de Doutor Honoris Causa a Egydio Schwade, filósofo, indigenista e ativista social. A homenagem reconhece décadas de atuação de Egydio em defesa dos povos indígenas da Amazônia. A data da cerimônia de entrega do título ainda será definida pela Universidade Federal do Amazonas.
A concessão do título de Doutor Honoris Causa constitui uma honraria destinada a personalidades que se destacaram por sua atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos.
A atuação de Egydio Schwade é amplamente reconhecida por movimentos sociais, organizações da sociedade civil, instituições acadêmicas e organismos de defesa dos direitos humanos. Para a presidente da ADUA, Ana Lúcia Gomes, “a ADUA sente-se honrada por ter solicitado à Reitoria da Universidade Federal do Amazonas a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao indigenista Egydio Schwade. O pedido reconhece sua trajetória dedicada à defesa dos direitos dos povos indígenas, à promoção do diálogo intercultural e às contribuições acadêmicas e práticas para a preservação de saberes tradicionais e territórios. A iniciativa da ADUA, apresentada pelos professores César Queiroz (PPGH/UFAM) e Tiago Santos (CESaT/UEA), reforça o compromisso da comunidade universitária com a valorização de quem luta pela justiça socioambiental na Amazônia”.
O indigenista atua há décadas na proteção dos povos indígenas da Amazônia e contribuiu significativamente para o indigenismo e para a organização do movimento indígena brasileiro e sul-americano. Desde a década de 1960, tem colaborado para a autonomia e a autodeterminação de diferentes povos indígenas, atuando na defesa de seus territórios, na valorização de suas culturas e no fortalecimento de seu protagonismo político e de suas demandas por direitos fundamentais.
Durante a ditadura empresarial-militar, Schwade denunciou, na imprensa nacional e internacional, a situação degradante e os casos de violência sofridos por diferentes povos indígenas no Brasil. Em razão dessa atuação, chegou a ser impedido pelo então presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Ismarth de Araújo Oliveira, de ingressar em áreas indígenas.
O conjunto de contribuições de Schwade caracteriza o notório saber, requisito fundamental para a concessão do título de Doutor Honoris Causa. “A documentação apresentada evidencia de forma consistente: a trajetória e atuação do indicado; o reconhecimento público de sua contribuição; registros históricos de sua atuação junto a povos indígenas; referências em relatórios institucionais e literatura especializada”, registra o parecer.
O 2º vice-presidente da ADUA, professor José Alcimar de Oliveira, destacou que a homenagem representa um reconhecimento histórico. “A solicitação faz justiça. Há muito tempo esse título já deveria ter sido concedido ao nosso grande companheiro Egydio Schwade, pelo memorável e grandioso trabalho que desempenhou e continua desempenhando em favor da vida dos povos originários da Amazônia. Não há como pensar a história dos povos originários e de sua resistência na Amazônia, especialmente a do povo Waimiri-Atroari, sem levar em conta sua trajetória. Trata-se de um título mais do que merecido. Esse pedido nasceu sobretudo da ADUA e foi chancelado pela universidade como um todo, em especial pelo Departamento de História. Para nós, é uma honra ter participado desse processo de concessão desse reconhecimento ao companheiro Egydio Schwade”, afirmou.
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