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  04/05/2026


Arte e resistência: No março das mulheres, Cinema em Debate na ADUA traz o filme “Manas”



 

Foto: Sue Anne Cursino/Ascom ADUA

Estudantes de Jornalismo e Relações Públicas participaram da sessão

 

Daisy Melo

 

Unindo a arte e o debate político, a ADUA realizou na manhã de 26 de março, mais uma edição do Cinema em Debate. Estudantes de Jornalismo e Relações Públicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) participaram, no auditório da Seção Sindical, da sessão do filme “Manas” (2024) e da discussão sobre os temas abordados, entre eles o abuso e a exploração sexual de meninas. A iniciativa da Seção Sindical fez parte da programação do março das mulheres.

 

“Estamos retomando esse projeto com a exibição e o debate de Manas, dando destaque à luta das mulheres, inclusive hoje mais fortemente contra o feminicídio. O filme foi construído a partir de relatos de meninas do [Arquipélago do] Marajó, no Pará, e nos toca ainda mais por fazer parte da nossa realidade amazônica.

 

O filme ganhou algumas premiações e quase foi o representante do Brasil nos grandes festivais de cinema. Esperamos que ele desperte muitas inquietações e possamos fazer um bom debate ao final da sessão”, disse o coordenador do Cinema em Debate na ADUA e professor da Ufam, Tomzé Costa.

 

Convidada como debatedora, a professora Ivânia Vieira, da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC/Ufam) fez suas avaliações após a exibição. “É uma emoção ver essa produção, e pensar também que, neste momento, outras meninas e adolescentes estão sendo estupradas. É um filme que aborda muitas temáticas, considerando que a árvore da violência tem muitos galhos como a naturalização do estupro doméstico, a pobreza menstrual e a questão da religião, o pai abusador cheio de fé em Deus. E o pastor que diz que se você tem sofrimento em casa tem que suportar pela família. É muito complexo e atual. Muitas meninas estão aguardando uma balsa para salvar a vida delas”, comentou.

 

Foto: Sue Anne Cursino/Ascom ADUA

Ivânia Vieira conduziu o debate sobre os temas abordados no filme

 

A docente fez questão de lembrar também sobre a instalação da empresa Andrade Gutierrez, no final da década de 1960, em algumas cidades amazônicas. A multinacional é uma das responsáveis por colocar em prática os nefastos megaprojetos da Ditadura Empresarial-Militar (1964-1985). “A chegada do grupo em Manaus, especificamente no bairro Colônia Oliveira Machado, produziu situações muitas parecidas como essa do filme, só que em terra. Eram trabalhadores de outras regiões, verdadeiros predadores de meninas que foram seduzidas pela possibilidade de construção de uma família, de casamento”, relatou.

 

Ivânia trouxe ainda em sua abordagem sobre “Manas” a teoria da psicóloga norte-americana Lenore Walker. “O filme expõe o ciclo da violência doméstica, termo datado pela psicóloga nos anos de 1970 e que nos ajuda a fazer essas reflexões, inclusive trazendo as três etapas desse processo que acontece de forma repetitiva e progressiva e é difícil de romper. A primeira é a tensão, conflito, descontrole e irritação. A vítima sente medo, há agressões verbais e/ou psicológicas. A segunda fase é a agressão, podendo ser física, psicológica, sexual e patrimonial, e a terceira é a ‘lua de mel’, o agressor demonstra arrependimento, pede desculpas e promete mudar, às vezes fica carinhoso e atencioso. Essas três fases nós conseguimos perceber no filme”, disse.

 

Do ponto de vista da Comunicação Social, a docente destacou que, quando o assunto é violência sexual contra crianças, o Jornalismo muitas vezes viola direitos e reforça estigmas. “Os estudos mostram que nas reportagens não são apresentados dados comparativos, não se discutem causas estruturais, desigualdades, violência doméstica e a cultura do silêncio”. Na cobertura jornalística, segundo Ivânia, é predominante o modelo reativo, policialesco e pouco contextualizado.

 

Ao correlacionar a temática do filme à função social das(os) comunicadoras(es), a professora destacou a importância do tratamento adequado dado às notícias sobre as violências contra meninas e mulheres. “O nosso desafio aqui é transformar a cobertura em ferramenta de educação pública, prevenção e defesa de direitos. É conhecer, compreender e superar práticas sensacionalistas tão bem recebidas e estimuladas nessa área que busca ‘likes’. É ampliar o olhar estrutural sobre a questão. Essa é a nossa tarefa”, afirmou a docente.

 

 

Participante da sessão de cinema, a aluna do 1º período de Jornalismo, Alice Monteiro, destacou a narrativa delicada conduzida pela diretora Marianna Brennand, apesar das temáticas densas abordadas no filme. “É um filme cativante mas também sufocante, mesmo não mostrando os estupros. É uma narrativa lenta que mostra o cotidiano daquelas pessoas e em que um olhar fala muito mais do que os diálogos. É um filme que cresce na nossa cabeça depois que acaba, deixa uma grande reflexão”, afirmou a estudante.

 

Foto:Sue Anne Cursino/Ascom ADUA

Estudante Janaína Rodrigues fez uma reflexão emocionada sobre o filme

 

Emocionada, a aluna do 5º período de Jornalismo, Janaína Rodrigues, comentou que o filme causou um misto de sentimentos. “Não estava preparada. Em alguns momentos fiquei enjoada, perturbada... Esse filme é tão profundo, fala sobre violência fora e dentro de casa, por pessoas que deveriam proteger essas meninas. É como a professora falou: ela [a personagem] tenta sair e acaba entrando em outro tipo de violência. E o filme também não traz aquele estereótipo da Amazônia como o Eldorado, mostra a realidade. Como comunicadora, quando eu tiver oportunidade, farei o que for para ajudar”.

 

Lançado em junho de 2023, o Cinema em Debate na ADUA é um projeto que tem como objetivo revitalizar as atividades culturais na Seção Sindical. A atividade prevê a participação de docentes e suas turmas na exibição de produções audiovisuais e nas discussões dos temas abordados, promovendo uma correlação com as disciplinas ministradas. O projeto é aberto ao público e ocorre no auditório “Osvaldo Coelho”, na sede da ADUA, no Setor Sul do campus da Ufam em Manaus.

 



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