Av. Rodrigo Otávio Jordão Ramos, 3.000, Campus Universitário da UFAM, Setor Sul, bairro Coroado - CEP 69.077-000 - Manaus/Amazonas

Whatsapp +55 92  98138-2677
+55 92 4104-0031


Viva Melhor


   


  04/05/2026


Estudantes e docentes debatem sobre vivência do indígena na cidade em sessão de “A Febre”



 

 

 

Em referência ao Abril Indígena, foi realizado no dia 30 de abril, mais uma edição do Cinema em Debate na ADUA com a exibição do filme “A Febre”. Estudantes e professores indígenas e não indígenas participaram da sessão e da discussão sobre as temáticas abordadas no filme, no auditório “Osvaldo Coelho”, na sede da Seção Sindical.

 

“O Cinema em Debate é um projeto que realizamos todos os meses. Neste mês de abril nós fazemos uma homenagem aos povos indígenas. ‘A Febre’ é um filme de 2019, da Maya Da-Rin. Essa foi a primeira iniciativa dela de fazer um filme de ficção. Foi filmado todo em Manaus, com atores e não atores, e mostra como está a vida dos indígenas numa cidade, que no caso é Manaus, a questão da cultura”, disse o coordenador do Cinema em Debate na ADUA e professor, Tomzé Costa.

 

O filme conta a história de Justino, um indígena que vive em Manaus, trabalhando como vigilante em uma área portuária em que são armazenado contêineres com produtos para o Distrito Industrial. Justino vive com a filha Vanessa que atua num posto de saúde e é aprovada para cursar Medicina na Universidade de Brasília (UnB). De repente, ele é acometido por uma febre da qual se tenta descobrir a causa. Enquanto isso, familiares de Justino e Vanessa vêm a Manaus para uma visita.   

 

 

“O filme é sobre a realidade enfrentada por muitos indígenas no país que saem das suas comunidades para viver na cidade. É uma reflexão forte sobre a nossa realidade indígena, que fazem esse translado em busca de estudo, trabalho”, comentou o convidado como debatedor, Jonas de Freitas Nunes, indígena do povo Tikuna de Anamã (AM), professor e estudante do curso de Licenciatura em Formação de Professores Indígenas (FPI), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

 

Uma questão central levantada no filme, segundo Jonas, é sobre o que é ser indígena. “Em uma cena do filme, o colega de trabalho de Justino diz que no antigo serviço dormia com as armas porque lá existiam índios de verdade. E o que é ser um índio de verdade? Só porque ele está na cidade deixou de ser indígena? Só porque eu estou aqui na Ufam, estudando, eu deixo de indígena? Esse sangue Tikuna não vai deixar nunca de correr nas minhas veias”.

 

O professor também falou sobre o sentimento do indígena de sair do território, tema explorado no filme.  “Deixar a vida que nós tínhamos, nossa mãe, nosso pai, nossa terra, nosso lar, o local onde nascemos, tem um peso, gera angústia, sofrimento. Não sabemos como nossa família vai estar. Temos que nos adaptar viver em outra cidade. E a alimentação, como mostrou no filme, é um dos problemas que enfrentamos”, relatou, acrescentando que tudo isso é enfrentado “em busca de melhoria para que ao retornar possamos contribuir para vida da nossa comunidade”.  

 

Convidado também como debatedor, o professor do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), Raimundo Nonato da Silva destacou os recursos cinematográficos utilizados para tratar sobre o tema. “Há os contêineres na cidade industrial e, no limite seu limite, a floresta. São dois extremos e os indígenas no meio, com seus dramas na cidade e na comunidade”, comenta. A atuação de Regis Myrupu, que interpreta Justino, também é destacada pelo docente. “Ele parece incorporar a vida real na ficção, a expressão dele, ao mostrar tristeza, suas falas são saudosas, desvinculadas da cidade”.   

 

A identificação com sua história familiar foi ressaltada pela participante da sessão como espectadora, Aliane Munduruku, estudante do 7º período do curso de História da Ufam. “Lembrou muito meu pai, que teve que sair do território para trabalhar e me identifiquei também com a filha do Justino e todas as histórias parecia que eu estava vivendo tudo isso junto com ele. Isso me emocionou muito”.

 

 

A discente também ressaltou a reflexão trazida pelo filme sobre o indígena nas grandes cidades e como concilia a conexão com a sua comunidade de origem. “O final foi incrível, ele voltando para o território dele, porque quando nós estamos num contexto urbano e sentimos uma desconexão, estamos com o pensamento de que não faz mais sentido estar aqui, nós precisamos retornar para nos conectamos novamente”, afirma Aliane. Sobre a febre que dá nome ao filme, a estudante afirmou que a ver como uma questão espiritual. “Era uma conexão que ele precisava, ele precisa voltar”.  

 

Para o professor da Faculdade de Educação (Faced) Lucas Furtado, convidado do projeto também como debatedor, a cena em que Justino conta uma história para o neto é a síntese do filme. “Quando o jovem quando já tinha comida na sua caça decide mesmo assim sair para caçar é encantado, e lá no encantamento é ajudado a voltar. Essa é a odisseia do Justino, que decidiu sair do seu território e acaba precisando voltar”, analisa.

 

A “febre” de Justino abordada no filme é vista pelo docente como uma metáfora. “É um mal-estar físico, mas também um mal-estar gerado pela chantagem, pela violência simbólica imposta pelo capitalismo, em que se vê como projeto de desenvolvimento, as áreas urbanas. E as áreas não urbanas, as ribeirinhas e comunidades em geral, não são vistas como condição plena de desenvolvimento”, comenta.

 

O indígena vivendo em contexto urbano já é um destaque identificado nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados durante o debate pelo professor Lucas. De acordo com o último Censo (2022), há hoje no país 1,7 milhão indígenas, estando 400 mil localizados no estado do Amazonas e 71,7 mil em Manaus. “E mesmo assim o acolhimento, aos corpos indígenas em Manaus é muito perverso, porque o capitalismo não no ensina a viver com a diversidade e todo e qualquer projeto civilizatório são excluídos diretamente as mulheres, os pretos, os indígenas”.

 

A edição do Cinema em Debate na ADUA, com exibição do filme A Febre, fez parte da ação “Indigenizando a Ufam”, que contou com atividades durante a manhã e tarde do dia 30 de abril, uma iniciativa de estudantes do curso de FPI. A programação contou com atividades como grafismo, dança, cantos rituais e comidas tradicionais, no IFCHS, no Setor Norte do campus da Ufam em Manaus.

 

 

 

Fonte: ADUA

 

Fotos: Sue Anne Cursino/Ascom ADUA



Galeria de Fotos
 

 

COMENTÁRIO:


NOME:


E-MAIL:

 






energia solar manaus

Manaus/Amazonas
Av. Rodrigo Otávio Jordão Ramos, 3.000, Campus Universitário da UFAM, Setor Sul, bairro Coroado - CEP 69.077-000 - Manaus/Amazonas

energia verde

CENTRAL DE ATENDIMENTO:
+55 92 4104-0031
+55 92  98138-2677
aduasindicato@gmail.com

ADUA DIGITAL