
Encontro reuniu docentes em defesa da edu cação pública e da organização da categoria - Foto: Eline Luz/ Imprensa ANDES-SN
Sue Anne Cursino
Em Salvador (BA), sob um céu que alternou entre a chuva persistente nos três primeiros dias e o sol radiante no encerramento, 643 docentes reuniram-se de 2 a 6 de março, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), para participar do 44º Congresso do ANDES-SN. Mais do que um encontro deliberativo, a atividade se consolidou como um espaço dinâmico de organização política e reafirmação da luta em defesa da categoria docente, da educação pública e da classe trabalhadora.
Sob o tema “Na Capital da Resistência, das Revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”, o encontro reuniu representantes de 93 seções sindicais e duas seções convidadas. Ao todo participaram 463 delegados(as), 146 observadores(as), 34 diretores(as), além de convidados(as), assessorias jurídicas e profissionais da imprensa. A presença de 14 crianças reafirmou a política de acolhimento do sindicato.
Os debates atravessaram plenárias intensas, grupos de trabalho e corredores cheios de conversas políticas. Mesmo após horas de discussão, quando o cansaço já pesava nos ombros, docentes seguiam participando das inscrições para debates e votações nas resoluções que trilham o caminhar do sindicato.
A abertura do congresso refletiu a diversidade política e cultural. Com condução inovadora da drag Lola Apple, foram apresentadas as orientações iniciais e convidados(as) à mesa representantes do ANDES-SN, da UFBA, de movimentos sociais e entidades do movimento negro, estudantil e sindical. A professora Maíra Kubik, do Coletivo Democracia e Luta, destacou o esforço coletivo para viabilizar o congresso em um contexto desafiador. Sem uma seção sindical organizadora local, a construção contou com o apoio de docentes, trabalhadores terceirizados da universidade, entidades parceiras e do Grupo de Trabalho das Oposições (GTO). Com emoção, o violinista Mário Soares encerrou a cerimônia interpretando “A Internacional” e “2 de Julho”.
Participação da ADUA
Reafirmando sua tradição de participação ativa nas instâncias deliberativas do ANDES-SN, a ADUA esteve presente com uma delegação formada por 12 docentes vindos(as) dos campi da Ufam em Manaus, Benjamim Constant, Parintins e Humaitá. São docentes que atravessaram diferentes distâncias, levando ao congresso múltiplas vozes e os desafios enfrentados por quem constrói a universidade pública no Amazonas.
Participaram como delegados(as) Ana Lúcia Gomes (ICB), Maria Audirene Cordeiro (ICSEZ), Edilanê Mendes (INC), Katia Vallina (aposentada), Karime Mendes (ICE), José Alcimar de Oliveira (IFCHS), Aldair Andrade (IFCHS) e Tomzé Costa (aposentado).
Como observadora participou Angela Maria Gonçalves (IEAA). Também acompanharam o congresso como observadores os docentes Raphael Di Carlo (ICE), Pedro Fernandes (IFCHS) e Raimundo Nonato (IFCHS).

Delegação da ADUA leva ao congresso as pautas da docência na Amazônia - Foto: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
A presença da ADUA também se expressou na direção do próprio Sindicato Nacional. Os docentes Francisco Jacob Paiva, 3º secretário do ANDES-SN, e Marcelo Vallina, 1º vice-presidente da Regional Norte I, integraram as instâncias de condução do congresso.
Para a presidente da ADUA, professora Ana Lúcia Gomes, a participação da Seção Sindical no congresso reafirma o compromisso da entidade com a construção coletiva do sindicato, fortalecendo o diálogo entre as realidades regionais e as pautas nacionais da categoria. “O congresso é muito inclusivo e pedagógico, então reforçamos a necessidade de que todos e todas conheçam e ocupem os espaços deliberativos, onde as decisões são construídas a partir da pluralidade de opiniões”.
O congresso representou uma experiência inédita para quatro docentes que participaram pela primeira vez do principal espaço deliberativo do sindicato nacional.
A professora Edilanê Mendes ressaltou a necessidade de visibilizar as especificidades da docência no Alto Solimões. “Nós, do INC, além de multicampi, também estamos no contexto de tríplice fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), que tem suas peculiaridades. Enfrentamos problemas de fixação de docentes, questões relacionadas à saúde mental e física pela falta de atendimento de média e alta complexidade e atendemos sete etnias diferentes, com maioria de estudantes indígenas. Também lidamos com a sazonalidade da água e com o alto custo de vida. Por isso é fundamental que essas especificidades apareçam nos textos de resolução”.
A professora Angela Maria Gonçalves, ressaltou a importância da troca de experiências entre docentes de diferentes regiões do país. “Discutir e conversar com colegas de vários outros campi é fundamental, especialmente sobre a realidade da multicampia, da qual eu faço parte em Humaitá”, afirmou.
O professor Pedro Fernandes destacou que participar de um congresso dessa magnitude é uma experiência muito interessante. “A gente aprende muito, principalmente sobre como os temas chegam para debate a partir da base e quais metodologias são utilizadas. Isso ensina muito do ponto de vista democrático, porque garante o direito de manifestação dos participantes. Os temas debatidos são variados e envolve desde questões específicas da carreira docente até pautas mais amplas, reforçando a noção de unidade”.
Já o professor Raphael Di Carlo afirmou que a participação tem permitido compreender melhor as pautas que atravessam o cotidiano da carreira docente. “Na rotina acadêmica muitas vezes não conseguimos acompanhar todos os debates do sindicato. Estar aqui permite entender melhor as pautas da categoria e como elas se relacionam com o contexto político nacional e internacional”.
Conjuntura
Dedicada à análise do cenário político, econômico, social e educacional no Brasil e no mundo, a Plenária do Tema I – Conjuntura e Movimento Docente teve como base 15 contribuições enviadas ao Caderno de Textos.
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Plenárias deliberam resoluções que norteiam a planos de lutas educacional e sindical - Foto: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
Entre os pontos centrais discutidos estiveram a necessidade de unidade da categoria para enfrentar a extrema direita; a luta contra a reforma administrativa; a defesa da recomposição do orçamento das universidades públicas, institutos federais e Cefets; o fortalecimento da solidariedade internacional entre povos do Sul Global.
Também foram ressaltadas as lutas por justiça social, por uma sociedade antirracista e contra o machismo, a LGBTIfobia, o capacitismo e a violência do Estado, especialmente contra populações pobres e periféricas.
As falas também destacaram os 45 anos do ANDES-SN, comemorados em 19 de fevereiro, reafirmando o caráter autônomo e democrático do sindicato.
A programação do dia 3 de março e da manhã do dia 4 foi destinada aos 12 Grupos de Trabalho, que se dedicaram à análise e discussão dos Textos de Resolução (TR).

Grupos de Trabalho debatem textos de resolução que orientam o plano de lutas - Foto: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
Lutas dos setores
Nos dias 4 e 5 de março, aconteceu a plenária do Tema II – Plano de Lutas dos setores do ANDES-SN, marcada por debates e decisões acerca das ações estratégicas.
No setor das Instituições Estaduais, Municipais e Distritais de Ensino Superior (Iees, Imes e Ides), entre outros pontos, foi aprovado um calendário com semanas de mobilização e debates econômicos, incluindo uma Semana de Lutas em maio, voltada à pressão por mais recursos para as universidades.

Participação do Sind-UEA fortalece a presença da região amazônica no 44º Congresso do ANDES-SN - Crédito: Sue Anne Cursino
Também foi deliberada a realização do XXII Encontro do Setor, no segundo semestre, para discutir propostas de financiamento e a criação de um fundo orçamentário federal.
O plano reafirma ainda também a mobilização contra o arcabouço fiscal e políticas de austeridade, defendendo o investimento mínimo de 10% do PIB na educação pública.
O Sindicato Nacional realizará um levantamento nacional sobre redistribuição, vacância e remoção de docentes, em articulação com os órgãos competentes das IES.
No setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes), também foi aprovado um plano de mobilização nacional em defesa do serviço público, contra a reforma administrativa e pela recomposição do orçamento das instituições.
“Há uma confluência entre as entidades presentes (federais, estaduais, municipais) de que é preciso encampar projetos de unificação da categoria. Há também um processo de disputa em torno das estratégias de mobilização e pressão sobre o governo para o cumprimento dos acordos de greve, onde muitos deles ainda não foram cumpridos”, explicou o professor Aldair Andrade.
Plano geral
Na noite do quinto dia do congresso e pela manhã do último dia foi realizada a plenária do Tema II – Plano Geral de Lutas, onde destacaram-se as deliberações relacionadas à Política de Formação Sindical e à Política Educacional.
Com o acolhimento do texto de resoluções de autoria de docentes surdos e surdas, o ANDES-SN avançou na aprovação de pontos relacionados à inclusão e aos direitos de grupos historicamente marginalizados.
Entre as medidas aprovadas estão a luta por garantia de direitos linguísticos para docentes surdos, com presença de intérpretes de Libras nas instituições; a luta pela contratação de tradutores e intérpretes de Libras por concurso público; fortalecimento de políticas de apoio a famílias atípicas e ações de combate ao assédio moral e sexual, racismo e LGBTIfobia nas instituições de ensino.
Também foi aprovada a construção de um ato nacional em 25 de novembro de 2026 contra a violência de gênero e o feminicídio.
No campo das políticas étnico-raciais, o congresso reafirmou o compromisso com a educação antirracista e com a efetivação da política de cotas nos concursos para docentes.
Foi deliberada a realização de um debate no 69º Conad sobre a participação do ANDES-SN no Fórum Nacional de Educação (FNE). Também foi reafirmado o papel do sindicato no enfrentamento à mercantilização do ensino e à precarização da formação docente.
Foi aprovada ainda a articulação de um Dia Nacional de Luta pelo enfrentamento à violência nas instituições e contra a militarização da educação pública e que o ANDES-SN deverá dar continuidade ao processo de rearticulação com entidades sindicais e movimentos estudantis.
Entre outros pontos, o Plano Geral de Lutas incorporou resoluções aprovadas nos grupos de trabalho, entre elas propostas do GT de Multicampia e Fronteira, voltadas à melhoria das condições de trabalho em regiões de difícil acesso. Entre as medidas aprovadas estão a defesa da implementação do adicional de atividade penosa (mínimo de 20% do vencimento básico) para docentes em zonas de fronteira, na Amazônia Legal e no Semiárido nordestino, além da criação de uma Indenização Educacional de Fronteira.
Também foram aprovadas ações conjuntas entre o GTPE e o GT de Verbas e Fundações, incluindo mesas sobre o desfinanciamento das Instituições de Ensino Superior (IES) nos encontros regionais do primeiro semestre de 2026 e a produção de uma cartilha sobre financiamento nas Ifes para fortalecer a mobilização nas seções sindicais.
Deliberações organizativas
Ainda no último dia, na plenária do Tema IV – Questões Organizativas e Financeiras, foram aprovadas medidas relacionadas ao funcionamento do sindicato, incluindo: manutenção de apoios financeiros a organizações e movimentos sociais; autorização de despesas do Fundo Nacional de Solidariedade para mobilizações e campanhas; aprovação da prestação de contas do 68º Conad, realizado em 2025, em Manaus.
Para dar continuidade ao debate do 44º Congresso e ampliar o diálogo sobre as dimensões organizativa, política, administrativa e financeira do ANDES-SN, foi aprovada a realização de um Conad Extraordinário em Brasília, em novembro de 2026. Antecedendo o encontro, ocorrerá um seminário preparatório com objetivo de aprofundar debates sobre rateio dos Congressos e Conads; políticas para o Fundo Único; financiamento das campanhas eleitorais da diretoria; apoio às pequenas seções sindicais e metodologia de funcionamento dos espaços deliberativos.
Na Plenária, também foram aprovadas ratificações, declarações de nulidade e novas alterações regimentais de seções sindicais.
Também foi aprovada a manutenção e ampliação de apoios financeiros à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), à Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), ao Casarão da Luta do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e à Secretaria Nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
No âmbito do Fundo Único – Fundo Nacional de Solidariedade, Mobilização e Greve do ANDES-SN, foi autorizada a ordenação de despesas pela diretoria do Sindicato Nacional para garantir o custeio de atividades de mobilização, campanhas, marchas e eventos definidos pelo 44º Congresso como centrais na luta da entidade. Também foi autorizado que o 69º Conad aprecie e delibere sobre os custeios de mobilização e de luta para o segundo semestre de 2026.
Única candidatura, a cidade de Curitiba (PR) foi aprovada como sede do 45º Congresso do ANDES-SN. A candidatura foi defendida pela direção da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR- Seção Sindical do ANDES-SN).
Publicações
Além do anúncio da Campanha de Sindicalização 2026, que visa fortalecer a base da categoria e ampliar a participação docente nas seções sindicais. Também foi realizado o lançamento da cartilha “Docência sem Barreiras”, elaborada pelo Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual. O material oferece orientações sobre inclusão e direitos, abordando temas fundamentais como acessibilidade educacional e o acolhimento da diversidade nas instituições de ensino.
Já o GT de Política de Organização Sindical e das Oposições apresentou o Caderno 29, intitulado “Memória e Luta – Só o ANDES-SN nos representa”. A publicação resgata mais de duas décadas de atuação das oposições nas IES, sistematizando experiências, disputas e enfrentamentos históricos em defesa da autonomia e da representatividade do ANDES-SN.
Chamado à luta
Após cinco dias de intensos debates, o congresso foi encerrado na tarde de 6 de março, com a aprovação de moções e a leitura da Carta de Salvador, documento que sintetiza as principais resoluções aprovadas e reafirma o compromisso do ANDES-SN com a defesa da educação pública, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.
A Comissão de Enfrentamento ao Assédio informou que não recebeu registro de denúncias de constrangimento ou assédio durante o evento.
As falas de encerramento destacaram os desafios impostos à classe trabalhadora nos próximos anos e reforçaram o chamado à mobilização da categoria em defesa da educação pública e da valorização da carreira docente.
“Nosso Congresso inicia-se com a força dos Orixás, com os alabês do terreiro de Oxumaré, fazendo um toque para Exu abrir os nossos caminhos, tão necessário diante de um ano que começa com um dos ataques mais agressivos do imperialismo americano na Améfrica Ladina, conceito cunhado por Lélia Gonzalez, que expressa o necessário processo de conhecimento e ação contra as estruturas de poder marcadas pela colonialidade, que sangrou, exterminou, escravizou povos indígenas e africanos. Maior potência termos o canto aos encantados de Thiago Tupinambá, em conjunto com o grupo de ogãs da Casa de Oxumaré, em nossa abertura, reafirmando nossa ancestralidade e nossa herança de resistência”, destacou o documento lido pela 1ª secretária do ANDES-SN, Fernanda Maria.
Em seguida, o presidente do Sindicato Nacional, Cláudio Mendonça, agradeceu às diretoras e aos diretores do ANDES-SN, ao Coletivo Democracia e Luta da UFBA e às trabalhadoras e aos trabalhadores que possibilitaram a realização do 44º Congresso. Ele destacou que o ANDES-SN é construído a partir de diversas bandeiras que, ao longo do tempo, são incorporadas à luta da categoria docente.
“A cada Congresso, a cada momento, a gente vai incorporando novos elementos e é justamente por isso que a gente tem o desafio de pensar a estrutura organizativa desse Sindicato (...) isso demonstra que esse Sindicato vai compreendendo, na dinâmica da luta, aquilo que é a classe trabalhadora: que ela tem cor, ela tem gênero, ela tem diversidade e é por isso que esse Sindicato se orgulha muito de enfrentar todo tipo de ataque que acontece, seja no âmbito nacional ou internacional”, disse o presidente do ANDES-SN.
Ao término, os e as participantes gritaram em coro “Fora Proifes!”, com a certeza de que o Sindicato Nacional se fortalece a partir de sua base, e que o acolhimento do povo baiano inspirou e reforçou a tradição histórica de resistência e luta popular.
Docentes da ADUA são destaque na revista do ANDES-SN sobre os desafios da Multicampia
Instrumento de luta sindical, o número 77 da revista Universidade e Sociedade (U&S) foi lançado durante a abertura do 44º Congresso do ANDES-SN com o tema “Educação Pública em Movimento: Resistências e Desafios da Multicampia e em Regiões de Fronteira”.
Composta por editorial, artigos, seção de debate, entrevista, a publicação reúne análises e reflexões de docentes e pesquisadores que vivenciam as contradições do modelo de expansão universitária implementado nas últimas décadas.

Revista Universidade e Sociedade publi ca quatro artigos de docentes da ADUA - Foto: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
Entre as produções, estão as contribuições de docentes da base da ADUA, com destaque para os artigos: “Multicampia e equidade salarial – fundamentos jurídicos e políticos para o adicional de penosidade”, de Tássio Túlio Braz Bezerra e Maria Audirene de Souza Cordeiro (ICSEZ); “Multicampia no Amazonas – o ICSEZ-UFAM entre neoliberalismo, desafios e esperançamentos”, de autoria de Maria Audirene de Souza Cordeiro, Maria Eliane de Oliveira Vasconcelos e Patrício Azevedo Ribeiro, docentes do ICSEZ. “A gestão de implantação de uma unidade acadêmica na multicampia da UFAM”, de Jefferson da Cruz (UFAM); e “Entre rios, florestas e a universidade – memória, luta e resistência docente na fronteira do Alto Solimões, Amazonas”, de Jarliane da Silva Ferreira (INC).
Na seção Debate, foi publicado o texto “Cineclube Tarumã: a tela crítica contra a Ditadura Empresarial-Militar”, de Daisy Melo, jornalista formada pela Ufam e assessora de comunicação da ADUA.
Pluralidade, antirracismo e combate ao feminicídio
Foram realizadas manifestações nos intervalos entre as plenárias, com falas públicas e cartazes em defesa das vidas das mulheres, direitos das pessoas LGBTQIAPN+, em defesa do direito à migração e da soberania dos povos, além ato de intervenção do Coletivo de Negras e Negros do ANDES-SN.

Coletivo de Negras e Negros do ANDES-SN cobra ações concretas de enfrentamento ao racismo - Crédito: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
Na manifestação por políticas efetivas de combate ao racismo nas universidades e dentro do sindicato foi lida a Carta de Salvador do Coletivo, que cobrou ações concretas de enfrentamento ao racismo institucional, assistência jurídica às vítimas, fortalecimento da política de cotas e formação antirracista nas universidades.
“A campanha ‘Ser docente antirracista’ sem dúvida é importante, mas não pode ser apenas palavras e cartazes. Precisamos de ações concretas, assistências jurídicas efetivas quando somos vítimas de racismo. Precisamos de concursos que nos coloquem como direito e não como loteria. Precisamos de formação antirracista para todos em nossas universidades, precisamos de protocolos devidamente escurecidos e que não nos deixem sozinhos e sozinhas quando denunciamos”, esse é a mensagem de um trecho da Carta de Salvador do Coletivo, lida durante o congresso por diversos professores e professoras.
Resistência e expressões artísticas marcam Congresso
Além dos debates, o congresso reuniu manifestações políticas e apresentações culturais na programação. A abertura contou com a presença do Grupo de Ogãs da Casa de Oxumarê, tradicional terreiro que preserva a cultura afro-brasileira como expressão de fé e resistência. O palco também recebeu Thiago Tupinambá, liderança indígena e estudante de Artes Visuais da UFBA.
A diversidade artística seguiu com a poesia do coletivo Slam das Minas Bahia e a performance da artista drag queen Dandara, que interpretou canções sobre racismo e violência, como “Zumbi” (Ellen Oléria) e “A Mulher do Fim do Mundo” (Elza Soares). A última atividade cultural ficou por conta do Nego Fugido, tradição de Acupe (Santo Amaro - BA) que encena a luta histórica contra a escravidão.

Apresentação da encenação “Nego Fugido” exalta a resistên cia negra e preserva a memória em manifestação cultural - Crédito: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
Entre uma plenária e outra, os intervalos se transformavam em espaços de encontro e partilha. Nos corredores da universidade, bancas de livros, artesanato e comidas formavam uma pequena feira de saberes e culturas. O cheiro do dendê quente anunciava o acarajé recém-frito. Ao lado, o abará e o bolinho de estudante aguçava paladar de quem precisava renovar as energias e atravessavam o congresso e acolhiam quem vinha de todas as regiões do país.
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