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Marcha das mulheres indígenas reivindicou demarcação de territórios
Daisy Melo e Sue Anne Cursino
No 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, manifestações realizadas em Manaus e Parintins denunciaram o feminicídio e outras violências contra meninas e mulheres, que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas pelo Estado.
Em Manaus, uma marcha reuniu mulheres, homens e crianças na Praça da Polícia, no Centro da cidade. A caminhada seguiu até a Aldeia da Memória Indígena de Manaus (Praça Dom Pedro II), na rua Bernardo Ramos, onde foi realizado um ato político-cultural.
A mobilização também marcou a realização da IV Marcha das Mulheres Indígenas de Manaus e Entorno, fortalecendo a luta das mulheres indígenas por vida, território e direitos.
A docente sindicalizada à ADUA e integrante do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena (FOREEIA), Danielle Munduruku, enfatizou que esse espaço histórico no centro da cidade é originalmente dos povos indígenas. “Aqui nós temos muitas bandeiras, diferentes rostos e corpos, mas todos esses corpos vêm do útero de uma mulher. Para nós, povos indígenas, a primeira mulher do plano terrestre é a mãe-terra. A terra precisa ser entendida como um grande útero de mulher. Estamos aqui vivas no tempo presente, mas estamos aqui porque, em outros tempos, muitas mulheres precisaram se calar e algumas esconderam até suas origens. Hoje estamos aqui fortalecendo a nossa luta. Acreditamos que a educação é o caminho para fortalecer esse movimento, onde nosso corpoterritório e nossa memória estejam presentes”, afirmou.
Entre os temas abordados, destacam-se a cobrança da Casa da Mulher Brasileira, que visa o atendimento para mulheres em situação de violência doméstica, a denúncia da criminalização do aborto e o enfrentamento à pobreza menstrual no Amazonas. Jumara Pimenta, integrante do Projeto MenstRUA, ressaltou a importância da dignidade menstrual para mulheres em situação de rua e meninas em idade escolar que não têm acesso a produtos de higiene. “A menstruação ainda é um tabu na sociedade, então buscamos trazer esse debate porque sabemos o quanto ele é fundamental para as mulheres e para todas as pessoas que menstruam. Realizamos palestras e distribuímos kits menstruais e de higiene, priorizando a doação de absorventes. Nosso trabalho é voltado principalmente para mulheres em situação de rua, mas também alcança comunidades e escolas”, explicou Jumara.
A atividade foi organizada pela Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entornos (Copime) e pelo Fórum Permanente de Mulheres de Manaus, com a participação de diversas entidades, entre elas a ADUA.
“Diante do avanço das violências contra mulheres e meninas, nos levantamos coletivamente para denunciar o silêncio institucional, a ausência de políticas eficazes e a negligência que transforma a violência em rotina. Cada vida interrompida pelo feminicídio é resultado de omissões que precisam ser enfrentadas com urgência, responsabilidade pública e mobilização social”, afirma a organização da atividade.
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Mulheres e meninas realizaram atividade política e cultural no 8 de março em Parintins
Dia sagrado
Em Parintins, foi realizado o sarau “Mulheres em Verso, Prosa e Performance”, das 16h às 21h, no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, no conjunto Sham. Em mais um ano de mobilização, o mote ecoado no município foi: “8 de março é sagrado! Declaramos feriado!”.
A programação incluiu acolhimento, leitura de poesias, apresentações musicais, falas públicas, exposição e comercialização de produtos confeccionados por mulheres, além de sessão de cineclube.
A atividade foi organizada pelo Fórum Permanente das Mulheres de Parintins, com a participação de movimentos sociais, populares e coletivos do município, entre eles a ADUA.
Recordes de feminicídios
Diariamente, a sociedade é bombardeada por notícias sobre mortes, tentativas de homicídio e estupros coletivos de meninas e mulheres. Somente em 2025, foi registrado um aumento de 4,7% nos casos de feminicídio no Brasil. Ao todo, 1.568 mulheres foram assassinadas, conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados no dia 04 de março.
Na maioria dos casos, o agressor tinha relação direta com a vítima: 59,4% foram mortas pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex-parceiro. Entre os casos com autoria identificada, 97,3% foram cometidos por homens, enquanto apenas 4,9% tiveram autores desconhecidos.
A escalada da misoginia evidencia a propagação de discursos machistas e antifeministas.
O ANDES-SN e a ADUA somam forças nessa luta e historicamente atuam contra o machismo, a misoginia e todas as formas de violência e opressão contra as mulheres.
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, denuncie: ligue 190. Também é possível registrar denúncias pela Central de Atendimento à Mulher (número 180) ou pelo Disque 100, que apura violações de direitos humanos.
Fotos: Sue Anne Cursino/Ascom ADUA e Divulgação/ICSEZ
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