
Organizações ambientalistas e indígenistas manifestaram preocupação com o vazamento de fluido de perfuração ocorrido na Foz do Amazonas durante processo de perfuração realizado pela Petrobras. A estatal informou que o vazamento foi identificado no último domingo (4), a 175 quilômetros do Amapá, e que as atividades foram paralisadas. O incidente ocorre pouco mais de dois meses após a Petrobras obter a licença para operar na região, sob forte resistência de órgãos técnicos, movimentos indígenas e quilombolas locais.
De acordo com a Petrobras, o fluido atende aos limites de toxicidade permitidos pela lei, é biodegradável e não oferece danos ao meio ambiente e às pessoas. Apesar das alegações da empresa, o Instituto Internacional Arayara disse que “incidentes desse tipo evidenciam os riscos estruturais da exploração de petróleo em uma das regiões mais sensíveis do planeta, marcada por alta biodiversidade e pela dependência direta de comunidades costeiras e tradicionais”. Segundo especialistas, a região afetada é de altíssima complexidade biológica, abrigando sistemas de recifes ainda pouco explorados e corredores migratórios de espécies ameaçadas.
A Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) afirmou que o acidente confirma os “piores temores” das populações tradicionais. “A atividade petrolífera na nossa costa é uma ameaça aos ecossistemas marinhos e costeiros dos quais nossos povos, especialmente os do Oiapoque, dependem para sua subsistência física e cultural. Este incidente, ainda em fase de pesquisa, evidencia os riscos inaceitáveis do projeto”, diz trecho da nota.

As organizações indígenas afirmaram ainda que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas desrespeita a obrigação de Consulta Prévia, Livre e Informada (Convenção 169 da OIT) aos povos “cujos territórios e modos de vida estão diretamente ameaçados”.
O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá pediu explicações à Petrobras e ao Ibama sobre o vazamento. Nos documentos, a procuradoria solicita as informações “com urgência” e estabeleceu prazo de 48 horas para a apresentação das respostas. Segundo o MPF, os ofícios foram enviados logo após a divulgação do caso pela imprensa.
Em nota divulgada na terça-feira (6), a Petrobras garantiu que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. “A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, afirma a estatal.
O fluido de perfuração é usado para limpar e lubrificar a broca durante a perfuração de poços de petróleo e gás. A substância mistura água, argila e produtos químicos. O composto ajuda a controlar a pressão do poço e prevenir o colapso das paredes.
Fontes: Agência Brasil, CSP-Conlutas e MSN
Foto e imagem: Agência Brasil e Petrobras
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