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A arquitetura da destruição do Brasil
Por Marcelo Seráfico

A destruição do país vem assumindo formas diferentes, mas todas relacionadas. Em alguns casos ela aparece como "rompimento de barragens", noutros como "afundamento de plataformas" e, ainda noutros, como "edificação de hidrelétricas". Em todos os casos, trabalhadores, indígenas, quilombolas e o ambiente contidos no território dito nacional são devastados em nome de interesses desterritorializados que pairam na atmosfera putrefata do planeta. É uma calamidade que, mesmo ceifando vidas, só vem se aprofundando ao longo do tempo.

P36, P54, Mariana, Brumadinho, Jirau, Santo Antônio, Belo Monte... Essas são algumas das formas físicas da tragédia política, social e ambiental.

O país, seus trabalhadores e seu ambiente físico estão sendo varridos "pela força da grana que ergue e destrói coisas belas". Caetano, nessa feliz frase, poderia ter avançado: "pela força da grana que só ergue porque destrói coisas belas".

Essa lógica predatória avançou a tal ponto que agora toma corações e mentes de muitos. Os ainda imunes à devastação física, à liquidação de seus corpos, colapsaram moral, política e intelectualmente. Foram reduzidos a pouco mais que zumbis animados por doses cavalares de mentiras que lhes são aplicadas diariamente pelas seringas eletrônicas.
A catástrofe é total e totalizante. Os que dela escapam escondem-se nas matas, flutuam em botes salva-vidas ou tomam aviões para lugares incertos.

Outros dão-se as mãos para, pelo menos, sentirem-se atados a algo mais do que esse deserto em que se tornou o real. Nossa situação é desanimadora e desafiadora. Por isso, é preciso proteger o espírito, aguçar a mente e tecer com outros os fios da teia que permitirá novos e promissores sonhos, pois essa realidade é uma negação da existência e não pode mais ser mantida.

*Marcelo Seráfico é doutor em Sociologia e professor do curso de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Ufam.
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